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  • Feira de Santana, segunda, 14 de junho de 2021

César Oliveira

Por um planejamento de longo prazo no enfrentamento à pandemia

01 de Maio de 2021 | 20h 07
Por um planejamento de longo prazo no enfrentamento à pandemia
Foto: Adnan Abidi/Reuters

O mundo precisa rever a estratégia de enfrentamento à Covid, trocando as ações pontuais por uma estratégia de longo prazo. Não podemos continuar sendo enganados por nossas esperanças de uma solução rápida e objetiva.

No começo da pandemia, escrevi, incansavelmente, sobre testagem maciça, para distanciamento controlado, mas foi chover no molhado. Agora, temos essa tragédia indescritível. E, por mais que soe doloroso, precisamos entender as lições que o vírus - vindo da China - nos dá. Ferozmente, ele venceu todas as previsões: é um país tropical, a densidade urbana é baixa, a imunidade de rebanho será atingida!

O vírus nos desmentiu e castigou nossa soberba de forma letal e implacável. Nós é que não entendemos os alertas. Os eugenistas, que defendiam a imunidade de rebanho natural - imortalizada na célebre, e canalha, frase do "morra quem tiver de morrer" -, foram desmoralizados por Manaus e Suécia, que demonstraram não ser possível.

Defendemos remédios ineficazes e, como em um ensaio sobre a cegueira, nos dividimos, desestimulando o distanciamento e o uso de máscara e vacinas, de forma criminosa. Tudo o que o vírus podia desejar.

Todos os prazos de controle foram vencidos. E emendamos uma segunda e, depois, uma terceira onda. E quando todos apostavam no seu crepúsculo, ele levantou-se na Índia, de forma feroz e aterradora.

A cada surto incontrolado, o vírus lança novas cepas, mais resistentes, mais contagiosas e com mais chances de escapes das vacinas. Apesar de nossa expertise, que já reduziu a mortalidade em UTI em 20%, tivemos 200 mil mortos em quatro meses, enquanto, em 2020, foram necessários nove meses para atingirmos o mesmo número. Acho que o vírus está sendo bastante loquaz no que está nos dizendo.

Considerando que o mundo tem 8 bilhões de pessoas e que apenas 1 bilhão está vacinado, dá para termos uma ideia do tempo necessário para que a imunidade de rebanho pela vacina seja atingida e o risco que corremos por essa assimetria vacinal.  Novas ondas, por outras cepas, não são improváveis.

É por isso que acho que precisamos vencer essa ilusão do curto prazo e modificarmos nossa consciência sobre a pandemia. Ela irá durar, será longa. E o tempo de seu controle é uma incerteza. Assim, temos de pensar em uma guerra arrastada e fazermos um planejamento de longo prazo - eu diria que até o fim de 2022, ao menos -, para não ficarmos criando falsas expectativas e fazendo remendos, todos os dias.

Precisamos preparar uma estratégia longa e global: de saúde pública; de suporte de insumos, com fábricas de material, fábricas de vacinas independentes; de planejamento de apoio à economia e aos desassistidos; de mobilidade; dentre outras; mas diferente do que estamos fazendo, com tudo focado no curto prazo,  como se ela fosse acabar amanhã.

Como disse Churchill, isso não é fim, não é nem mesmo o começo do fim, mas apenas o fim do começo.



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