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César Oliveira

A tempestade perfeita e a esperança nas roças

César Oliveira - 18 de Abril de 2021 | 19h 48
A tempestade perfeita e a esperança nas roças

O país segue criando os elementos de uma tempestade perfeita, como se não houvesse amanhã. Com baixa vacinação,  dependente da produção do Butantan; um progressivo número de vítimas da pandemia originada na China, que já alcança mais de 370 mil mortos e a expectativa de uma terceira onda da Covid-19; a expansão da  fome; e o aumento do preço dos alimentos que penaliza os mais pobres, o brasileiro vai sendo levado a exaustão física, econômica e mental.

Como se isso não fosse o bastante temos a anulação das condenações de Lula- segundo o STF por competência de foro -que traz ebulição ao caldeirão político. Embora Gilmar Mendes- o grande responsável pelo  processo de anulação- tenha dito que isso não significa absolvição, mas apenas mudança de juiz pelo qual será julgado, fica uma nítida sensação de impunidade na sociedade visto que toda vastidão de  crimes de corrupção cometidos pelo PT parecem, agora, uma mera perseguição.

Ao lado disso, temos a instalação de uma necessária CPI da Covid, no Congresso, para investigar a conduta bizarra de Bolsonaro e governadores, mas vários de seus componentes são réus no STF, ou delatados, com vasta figuração no noticiário policial, mas que nem assim são impedidos de investigarem atos de corrupção de outros políticos- inclusive filhos- como se honestidade não fosse condição si ne qua non para assumir um cargo desse tipo. E temos a volta do grupo chamado Centrão, ao poder, com terríveis folhas corridas biográficas. 

Todos esses atos, essa sensação devastadora de impunidade, de ameaça permanente à vida por uma pandemia que parece não ter fim, e de fragmentação da sociedade, produz uma profunda desesperança em todos. Foi com essa sensação de brasileiro, como todos, que fui a zona rural de Coração de Maria, hoje de manhã.

A chuva ainda é pouca, embora sinalize uma renovação da vegetação aqui e ali, o capim que começa a brotar, refazendo os pastos, mas o que me chamou atenção foi a quantidade de terra preparada, arada, sendo finalizada pelos moradores, que acreditam que a chuva virá, que as roças precisam ser plantadas, que o milho e o feijão precisam estar garantidos, para os dias futuros. É a fé inabalavel na continuidade da vida; a esperança, apesar das incertezas. 

É isso, a vida continuará apesar da tempestade perfeita. Precisamos, apenas, nos prepararmos  para, dessa vez, fazermos a colheita certa.



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