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  • Feira de Santana, sexta, 17 de setembro de 2021

Educação

Horto Florestal da Uefs pode funcionar em área menos nobre, sugere governador, ignorando prejuízos científicos e financeiros

Da Redação - 16 de Fevereiro de 2021 | 14h 31
Horto Florestal da Uefs pode funcionar em área menos nobre, sugere governador, ignorando prejuízos científicos e financeiros
Foto: Divulgação

Há 23 anos sob a tutela da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs), o Horto Florestal se consolidou como um importante conjunto de laboratórios, estufas e campo experimental que servem de base para a geração e a ampliação de pesquisas científicas, algumas inéditas, nos mais diversos aspectos botânicos, biológicos e biotecnológicos. O espaço também contribui para o melhoramento e a conservação genética de várias espécies, sobretudo endêmicas da Bahia e com grande potencial para o semiárido.

Tudo isso, no entanto, parece não ter valor algum para o Governo do Estado. Isto porque, após ceder 8 mil metros quadrados da área ao Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), à revelia da instituição gestora, o governador Rui Costa, ignorando o fato de que a intervenção põe em risco toda a cadeia de estudos e práticas desenvolvidos na Unidade, declarou, recentemente, que esta pode, simplesmente, ser remanejada  para uma área “em posição menos privilegiada, do ponto de vista urbano”.

Segundo o Acorda Cidade, a principal sugestão de Rui Costa seria o espaço onde funcionava a Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA). “Se o reitor me procurar, eu ofereço a ele, no mínimo, 10 terrenos em lugares menos nobres da cidade para que se tenha essa horta. O Estado tem diversas áreas, inclusive o espaço da antiga EBDA, que, hoje, está lá vazia e a universidade pode assumir aquele espaço, uma vez que a EBDA foi extinta e por isso, a reitoria pode procurar o secretário de Educação para assumir aquele espaço, que é muito maior do que o terreno atual que está em área urbana”, afirmou.

Reduzindo todo o trabalho acadêmico desenvolvido pela Uefs a uma mera “horta” e fazendo vistas grossas ao fato de que a cidade quase não tem áreas verdes e à importância delas para a qualidade de vida dos habitantes dos centros urbanos, o governador disse ainda que a requisição do “terreno” tem o propósito de construir o novo Fórum de Feira de Santana. “Esse novo Fórum vai atender a população de forma geral, então a área central de uma cidade, não necessariamente é um espaço ideal para pesquisa agrícola de universidade. Então estamos oferecendo mais de 10 terrenos que podemos disponibilizar para que a universidade realize as pesquisas”, arrematou.

Obviamente, não é preciso sequer ser pesquisador da área para ter uma noção, ainda que mínima, do dano científico que uma ruptura desse porte causaria. Afinal, muito se perderia, pelo risco de morte de algumas plantas e pela impossibilidade de se transplantar espécies maiores, como árvores, por exemplo, o que prejudicaria, sobremaneira, estudos de Graduação e Pós-Graduação, inclusive conveniados com instituições de fora da cidade.

Esta é uma preocupação não apenas da Administração Central da Uefs e dos docentes e direção do Horto Florestal, que já manifestaram considerar arbitrária a atuação do governador, não concordando com a cessão do espaço ao TJ, em função “do desmonte que pode ocorrer no Ensino, na Pesquisa e na Extensão, principalmente num contexto onde a ciência tem sido tão desvalorizada”, como declarou a vice-reitora Amali Mussi, mas também de outros setores da sociedade.

SEMMAN – No dia 4 de fevereiro, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semmam) chegou a notificar o Governo do Estado, pela derrubada indevida de algumas árvores localizadas na Unidade, para abertura de um acesso. Camilo Cerqueira, chefe de fiscalização da Semman disse que o órgão não foi previamente consultado nem oficialmente avisado sobre a ação.

Ele ressaltou ainda que, por se tratar de uma área de conservação e tratamento de espécies, nenhuma árvore poderia ser cortada sem consentimento e que qualquer ato que envolva áreas ambientais precisa ser realizado dentro da legalidade. “Não é simplesmente chegar, cortar árvores, fazer o desmatamento, porque é um local onde há não só árvores frutíferas, mas árvores nativas e a gente vai tomar as medidas legais. Houve a notificação e, se houver qualquer embate, vamos fazer dentro da legalidade, fazer os ritos que têm que se fazer contra os infratores, seja órgão do Estado ou particular. Qualquer poda, derrubada, em área privada ou particular, precisa de autorização. Principalmente aqui, que são árvores de estudo, defesa de doutorado e mestrado”, reclamou.

CÂMARA MUNICIPAL – Na manhã desta terça-feira (16), o vereador Pastor Valdemir Santos (PV), presidente da Comissão de Obras, Urbanismo, Infraestrutura Municipal e Meio Ambiente da Câmara Municipal de Feira de Santana, advertiu que investimentos de, aproximadamente, R$ 50 milhões, em equipamentos e ervas medicinais, podem ser desperdiçados, se o Governo do Estado levar a cabo a intervenção no Horto Florestal.

Acompanhado pelos vereadores Jurandy Carvalho (PL), Pedro Cícero (Cidadania) e Fabiano da Van (MDB), ele visitou a instituição, no último dia 10, representando o Poder Legislativo, a fim de apurar, “in loco”, os possíveis danos que a medida provocaria. “Ficamos todos indignados como este assunto está sendo tratado pelas autoridades estaduais”, reprochou o edil, na sessão plenária de hoje.

Na visão de Valdemir Santos, o ato “é um crime”, por ser o espaço de uso acadêmico, servindo à realização de pesquisas e de aulas práticas e teóricas, além de atividades de Extensão, que beneficiam a comunidade feirense. “Porque arrancar tantas árvores importantes para os estudos, a fim de construir um prédio. Falam tanto em zelar pela educação e o nosso excelentíssimo governador doa uma área tão importante de pesquisa para os nossos estudantes, repleta de plantas raras que serão arrancadas para construir um prédio?”, já havia questionado o vereador, no plenário da Casa da Cidadania, na terça feira (9).

Na manhã de hoje, o vereador Jurandy Carvalho também recriminou a atitude de Rui Costa e apelou ao governador que repense a decisão. “Ele disse se tratar de uma hortinha, mas está enganado. Deveria se informar direito”, recomendou.



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