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César Oliveira- Crônicas

Ainda somos os mesmos e escolhemos como nossos ancestrais

César Oliveira - 01 de Maio de 2019 | 16h 08
Ainda somos os mesmos e escolhemos como nossos ancestrais

O Brasil segue impregnado pela guerra culinária entre coxinhas e mortadelas. Um debate de afogados sustentado por interesses individuais e que não acrescenta um mísero tijolo no muro que separa qualidade de vida e vida sofrível. A grande tragédia não é a legalidade do impeachment, existente, de fato; a limitada legitimidade do atual presidente; o aparelhamento estatal ou a ocupação cultural por uma ideologia fúnebre e vencida.

A grande hecatombe que temos é a econômica, pois dela deriva todos os demais movimentos. No Brasil estamos em recessão, com PIB negativo por três anos, 12 milhões de desempregados. Imaginando que a cada um esteja ligado quatro pessoas temos 48 milhões de brasileiros sofrendo as dolorosas consequências desta crise. Crise esta que é responsabilidade direta do governo afastado com seu populismo insustentável, sua contabilidade destrutiva para sustentar o estelionato eleitoral que lhe conferiu a última vitória, e a submissão a uma ideologia econômica fracassada.

É preciso que entendamos que as grandes nações e impérios foram construídas com comportamento de gângster, incluindo os saques e espoliação direta de outras nações. Acontece que a democracia liberal avançou, a comunicação universalizou as fronteiras do direito- pelo menos como saber-, a colonização de territórios se tornou incorreta. Adicionalmente a vida foi se prologando, com aumento exponencial da população e o custo de sua manutenção crescendo geometricamente. Esta combinação de fatores tornou os recursos claramente mais escassos.

Ao lado disto, a complexidade das aglomerações urbanas vai se tornando avassaladora exigindo que estes escassos recursos sejam administrados de forma exímia, otimizada, para evitar o mínimo desperdício, gerando assim a possibilidade de garantia de um estado mínimo de manutenção das condições de vida. O tempo do desperdício, do improviso, dos recursos obtidos de forma predadora encolheu, e, há, ainda, milhões de pessoas e continentes a espera de serem incluídos nesta distribuição sob o risco de uma violência incontrolável, que, aliás, já torna até mesmo o mundo rico refém, vigilante, encarcerado.

Ao passo, entretanto, que esta administração pública passa a exigir gerentes cada vez mais qualificados, precisos, com domínio técnico maior, continuamos a escolher nossos administradores por características empíricas- carisma, simpatia, habilidade comunicativa, identificação pessoal- e não por características necessárias- formação técnica especifica, experiência administrativa, expertise, formação humanística- como se a administração pública atual pudesse se dar ao luxo do desperdício, da perda de tempo, de servir como laboratório de aprendizado. E o cidadão pagador de imposto como cobaia.

A democracia está anos luz de todas as formas totalitárias de poder- ainda que seja apenas o menos pior dos regimes-, mas não podemos mais tolerar administradores incapazes, falidos sedutores, que querem o poder para saquear os recursos públicos. Não podemos gastar milhões com cargos eletivos ocupados por eleitos que mal sabem ler, por vezes. Com a escassez de recursos a máquina pública exige eficiência absoluta.

Certo que não temos método para selecionar caráter, mas sou a favor de haver critérios de elegibilidade. Não estou fazendo apologia à república dos letrados, sei que a democracia tem em seu princípio a liberdade de cada homem poder ocupar o espaço público e que  há um preço a pagar, mas não podemos ter uma administração de complexidade hercúlea e como único critério seletivo a capacidade de assinar o nome. É preciso mudar. Temos demandas do Século XXI e um modelo de escolha de administradores das savanas.



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