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André Pomponet

Os números do Ensino Médio em Feira

André Pomponet - 10 de Fevereiro de 2017 | 10h 52
Os números do Ensino Médio em Feira

O Ensino Médio se tornou destaque no noticiário a partir da polêmica proposta de reforma aprovada no Congresso Nacional. O governo alardeia que, com a reforma, o ensino vai melhorar. Muita gente acha que não, inclusive profissionais da educação. Não há dúvidas que o Ensino Médio precisa melhorar muito no Brasil. E, aqui na Feira de Santana, essa realidade não é diferente.

Dados do Censo Escolar, realizado pelo Ministério da Educação, ajudam a dimensionar o drama. Os números utilizados na comparação referem-se aos anos de 2005 e 2015 e estão disponíveis no site do IBGE. Qualquer análise superficial permite inferir que a situação, de fato, precisa mudar.

Logo de imediato, percebe-se que o número de matrículas encolhe no município: eram 27,3 mil em 2005 e recuaram para pouco mais de 22 mil dez anos depois. No ensino privado, houve leve elevação: foi de 3,1 mil para 3,2 mil.

A redução mais sensível, pra variar, aconteceu na rede estadual, responsável exclusiva pela oferta desse serviço. Ocorreram, em 2005, 24,1 mil matrículas, que caíram para 18,4 mil após uma década. No intervalo, o Instituto Federal da Bahia (Ifba) entrou em operação. Em 2015, lá, havia 267 alunos.

Curiosamente, o número de escolas se ampliou: passou de 59 para 74, no total. As escolas privadas passaram de 16 para 22; as estaduais, de 43 para 51; e o já mencionado Ifba começou a funcionar como instituição federal.

Também houve ampliação do quadro docente: pulou, no total, de 1.503 para 1.752. Houve expansão no número de profissionais nas esferas pública e privada: de 273 para 307 na rede privada; de 1.230 para 1.416 na rede estadual; e, no Ifba, foram contabilizados 29 professores.

Dados adicionais do IBGE oferecem um panorama mais preciso sobre o Ensino Médio na Feira de Santana. O acesso – a frequência bruta – até aproxima-se do razoável: era de 83,6% em 2000 e saltou para 86,7% uma década depois; o desastre está na frequência líquida – quando se abate a evasão, por exemplo – apesar de haver algum avanço: era 26,2% em 2000 e passou a 43% em 2010.

É possível que, nos últimos anos, até tenham ocorrido melhoras em relação à frequência líquida. Mas, com certeza, ainda estão muito aquém do necessário para garantir a presença dos adolescentes nas escolas.

O que provocou a redução no número de matriculados no Ensino Médio? Até onde vai a influência do fator demográfico? Será que a educação ofertada nos moldes atuais não afugenta o aluno da escola? São algumas das questões que precisam ser respondidas para que, efetivamente, adolescentes e jovens permaneçam na escola, com aproveitamento satisfatório.

As alegadas virtudes do modelo aprovado pelo emedebismo essa semana são questionadas. E contesta-se, sobretudo, o açodamento na elaboração e na própria tramitação. A conferir se, nos próximos anos, as estatísticas sinalizarão para melhoras aqui na Feira de Santana.



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