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André Pomponet

Números do Ensino Fundamental em declínio

André Pomponet - 06 de Fevereiro de 2017 | 08h 46
Números do Ensino Fundamental em declínio

A quantidade de estudantes, de profissionais da educação e de escolas do Ensino Fundamental está em queda na Feira de Santana. Isto nas redes pública e privada. A constatação decorre da comparação dos levantamentos de 2005 e 2015 do Censo Escolar, realizado pelo Ministério da Educação. As informações estão disponíveis no site do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE. Em tese, o recuo se deve à drástica redução da população na faixa etária até os 14 anos, verificável nos últimos censos populacionais.

A quantidade de matrículas no Ensino Fundamental, por exemplo, recuou de 93,9 mil em 2005 para 74,1 mil dez anos depois. Só cresceram as matrículas na rede privada: passaram de 16,9 mil para 19,1 mil. A oscilação positiva é compreensível: a bonança econômica do período permitiu a muitos pais matricularem os filhos em escolas privadas, na tentativa de fugir da precariedade da rede pública.

Essa rede pública, a propósito, registrou quedas expressivas. A mais drástica foi no sistema estadual: o número de estudantes caiu de 41,3 mil para 25,5 mil. Provavelmente, o declínio se deve à redução do papel do Estado neste nível de ensino. Mas na rede municipal também houve decréscimo: passou de 35,6 mil em 2005 para 29,4 mil dez anos depois.

Caiu também o número de escolas de Ensino Fundamental no intervalo analisado. Antes, no total, eram 426, passando para 343. Nesse item, houve queda na rede particular (de 165 para 107), na rede estadual (passou de 85 para 66) e, na rede municipal, o recuo foi menos expressivo, passando de 176 para 170.

Desemprego docente

Caiu o número de professores do Ensino Fundamental entre 2005 e 2015 na Feira de Santana: eram exatos 4.154 e tornaram-se 3.857. Aqui, também, a queda foi verificada nos sistemas público e privado. A variação menos sensível foi na rede privada, passando de 1.169 para 1.150. Novamente a queda maior ocorreu na rede estadual, que declinou de 1.740 para 1.493. Por fim, os professores da prefeitura passaram de 1.245 para 1.214.

Expandir a rede de Ensino Fundamental deixou de fazer sentido na Feira de Santana. Afinal, a queda nas taxas de natalidade reduziu dramaticamente a demanda por esse nível de educação. Mas, como se sabe, a diminuição no número de estudantes não foi acompanhada da elevação na qualidade do ensino, conforme atestam levantamentos do próprio Ministério da Educação.

A partir de 2015 a rede privada certamente encolheu, com muitos estudantes migrando para as escolas públicas. A avassaladora crise econômica forçou muitas famílias à redução de despesas, o que inclui gastos com educação privada. Este movimento, todavia, só deve ser captado no levantamento que ocorre agora em 2017.

O levantamento também não considera a questão crucial da qualidade da educação. Supostamente, a redução no número de estudantes deveria se traduzir na elevação do aprendizado. Não é o que vem se verificando, não apenas aqui, na Feira de Santana, mas também no Brasil.



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