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André Pomponet

Escassez de chuvas castiga Brasil Setentrional

André Pomponet - 12 de Janeiro de 2017 | 08h 28
Escassez de chuvas castiga Brasil Setentrional

As trovoadas seguem escassas no Brasil Setentrional, particularmente na porção semiárida, que amarga o quinto ano de seca, conforme afirmam os meteorologistas. As estimativas também não são lá muito otimistas: prevê-se que, em 2017, as chuvas não serão muito intensas, apesar do ciclo do El Niño ter findado ano passado. Estudos apontam que o fenômeno é o mais agudo em um século, superando estiagens severas, como a que se estendeu de 1979 até 1983.

A seca – que comprime a renda do setor agropecuário, afetando, sobretudo, os pequenos produtores – soma-se à voraz crise econômica, potencializando os efeitos nocivos sobre a frágil economia da região. Os prejuízos acumulados com os rebanhos dizimados e a constante perda das safras somam bilhões de reais.

As esperanças vão se manter vivas pelo menos até 19 março, data consagrada a São José. Na sabedoria popular, esse dia é determinante para que o inverno chegue – chuvas intensas ou trovoadas –, permitindo uma boa safra. Pouco depois disso, caso chova, as precipitações se limitam à garoa que apenas ajuda a manter a vegetação agreste verde.

Desde dezembro que as nuvens se avolumam, o horizonte ganha aquele ar acinzentado das tempestades, mas chuvas mais intensas – e frequentes – não caem. Um ou outro trovão ocasional desperta o saudosismo dos “anos bons”, de chuva farta.

O Centro de Abastecimento é um ambiente privilegiado para se investigar os efeitos da prolongada estiagem. Com dinheiro curto, quem vem da roça compra pouco, normalmente só o essencial; Quem vende lucra menos e investe menos em estoque; por fim, quem fornece também padece, às vezes até retraindo a produção.

O impacto não se restringe ao Centro de Abastecimento: as artérias de comércio popular no centro da cidade também se ressentem com a seca, além dos efeitos da crise, claro. A roupa barata, o sapato com preço em conta, a ferramenta para a lida na roça, o prato feito e os utensílios domésticos são menos requisitados quando o real no bolso do tabaréu escasseia.

O quadro só não é de descalabro em função dos avanços sociais da última década. O Bolsa Família, a aposentadoria rural, o benefício social para os idosos e deficientes vem sendo essenciais para atenuar os efeitos da estiagem rigorosa. Afinal, diminuiu a dependência dos pequenos produtores das safras incertas.

Michel Temer, o controverso mandatário, a propósito, esteve nas Alagoas e disse que gostaria de ser lembrado como o maior “presidente nordestino”. Nem precisava do arroubo retórico: caso ele não comprima nem revogue esses escassos direitos, a coisa já fica de bom tamanho. Não é, no entanto, o que se desenha.

Com frequência, comentamos que falta ao Nordeste – e a outras regiões menos dinâmicas do Brasil – um plano de desenvolvimento. Durante mais de uma década no poder o Partido dos Trabalhadores (PT) não investiu nessa ideia. A ascensão de Michel Temer sepulta de vez essa ambição, pelo menos no médio prazo.

Por enquanto, temos que aguardar as tempestades caprichosas que teimam em não cair.



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