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André Pomponet

Crise extinguiu 12,4 mil postos de trabalho até novembro

André Pomponet - 06 de Janeiro de 2017 | 12h 33
Crise extinguiu 12,4 mil postos de trabalho até novembro

Os números ainda não são definitivos porque os dados referentes ao mês de dezembro ainda não foram divulgados. Mas, mesmo assim, as informações disponíveis são contundentes em relação à extensão da tragédia do desemprego na Feira de Santana. Entre janeiro e novembro de 2015, exatos 4.971 postos de trabalho formais deixaram de existir no município, segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego, o MTE. Esse número representa o saldo entre contratações e demissões.

O preocupante é que, a partir de junho, o desemprego se acelerou: 2.838 postos deixaram de existir entre esse mês e novembro. Nos cinco primeiros meses do ano o ritmo foi menos intenso: desapareceram, no saldo, 2.133 empregos formais. Isso sinaliza que, apesar dos discursos otimistas, a crise voraz segue fazendo imensos estragos.

É necessário ressaltar que, em 2015, o enxugamento no mercado de trabalho feirense foi maior: nos 12 meses do ano, o saldo foi negativo em 6.595 postos. Só que no ano anterior também houve retração, embora menos expressiva: -914 empregos em 12 meses. Esses números indicam que, em pouco mais de dois anos, perderam-se 12.480 postos. Um desastre de proporções consideráveis.

O desemprego tem requintes de perversidade. Os números acima não refletem, por exemplo, o impacto observado no mercado informal de trabalho. A crise também vem reduzindo as oportunidades dos que estão à margem do sistema formal, seja comprimindo a renda dos pequenos e micro empreendedores, seja extinguindo postos. Somando as realidades do mercado de trabalho, é possível intuir a dimensão da tragédia.

Futuro?

O pior é que os analistas preveem que a situação tende a seguir se deteriorando no mercado de trabalho em 2017, pelo menos nesse primeiro semestre. Noutras palavras, o desemprego vai seguir avançando pelo País e, muito provavelmente, também na Feira de Santana. E, dada a extensão da crise política, é até temerário apostar que reflua a partir de junho.

Há setores nos quais a retomada deve demorar. É o caso do mercado imobiliário, por exemplo, cujo boom findou. Com ele, milhares de trabalhadores asseguraram renda ao longo de vários anos. Agora, as demissões somam-se aos milhares na Feira de Santana, repercutindo negativamente sobre o comércio e os serviços, numa perversa irradiação recessiva.

No curto prazo as esperanças são tênues. Apostava-se que, com a deposição do petismo, a retomada seria quase automática: bastaria enfiar no Ministério da Fazenda alguém afinado com a retórica e os interesses do mercado. Não foi o que aconteceu. Estão aí os indicadores econômicos recentes para atestar o equívoco da crença, aumentando o desalento.

Em dezembro foi anunciada com pompa uma pretensa reforma trabalhista. Basicamente, o objetivo é revogar alguns direitos elementares dos trabalhadores, ampliando a precariedade, sob a louvável justificativa da geração de empregos. Caso prospere, vai representar um monumental retrocesso em relação a direitos consagrados e, quiçá, elevar a insatisfação com o atual regime.



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