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André Pomponet

Mendigos e pedintes retornam às ruas feirenses

André Pomponet - 17 de Dezembro de 2016 | 08h 53
Mendigos e pedintes retornam às ruas feirenses

Quem circula pela Feira de Santana vem notando: tem crescido o número de pedintes, mendigos, moradores de rua e outros deserdados pelo centro da cidade. Também vem se ampliando a quantidade de vendedores que circulam pelos ônibus, oferecem seus produtos pelas praças e avenidas ou que tentam arranjar-se como camelôs, confiscando espaços exíguos das vias públicas para exibir seus produtos. Tudo isso se deve à feroz crise econômica que assola os brasileiros há dois anos.

Mulheres maltrapilhas, com crianças de colo, voltaram a se tornar rotina nas portas dos bancos, na frente dos supermercados, na estação rodoviária ou em qualquer ambiente pelo qual circule gente com dinheiro. Sobretudo nesses dias que antecedem o Natal, quando os brasileiros embolsam o aguardado décimo-terceiro salário.

Nos pontos de ônibus os passageiros recorrem a variados contorcionismos para se desviar dos carrinhos-de-mão e dos vendedores que apregoam suas mercadorias aos gritos. Muitos ambulantes embarcam nos ônibus, descrevendo, aos berros, os produtos que oferecem. Nesses dias de calor insano, água e picolés figuram entre os mais populares.

À noite ou aos domingos é possível ver moradores de rua improvisando camas de papelão ali pela avenida Getúlio Vargas, defronte de lojas fechadas pela crise. Dormem sob marquises, catam papelão e lata, criam cães hostis e sorvem generosas doses de aguardente. Alguns conversam enquanto o sono não chega nas inquietas madrugadas feirenses.

Cortes

Nos anos de bonança muitos mantinham empregos modestos ou dedicavam-se a ocupações precárias que traziam alguma renda. Com a crise e o crescimento do contingente de excluídos, inúmeros deles perderam seus recursos e, forçados pela situação, foram viver na rua ou encorpar as fileiras dos autônomos e ambulantes. Tudo isso com elevada precariedade, conforme uma rápida inspeção pode constatar.

Para piorar, o novíssimo regime, instituído a partir da deposição do petismo, orquestrou uma série de investidas conta a assistência social no País. Reduziu o número de beneficiários do Bolsa Família, restringiu o seguro-desemprego e o seguro pago a pescadores, além de desidratar iniciativas que favoreciam a população carente, como o acesso a medicamentos mais baratos nas farmácias populares.

Além de afrontar os mais pobres, o governo demonstra incapacidade de resgatar o Brasil do atoleiro da recessão. Estão aí inúmeros indicadores para atestar. E estão aí as medidas anunciadas essa semana – cosméticas, em alguns casos, e insuficientes, noutros tantos – que não despertaram o entusiasmo, sequer, dos governistas mais exaltados.

Previsões otimistas sinalizam para o fim da recessão somente na segunda metade de 2017. Tomara que estejam corretos. E tomara que o governo atual – irremediavelmente alvejado no quesito ético – não constitua um empecilho adicional. Mas, hoje, tudo indica para o acirramento da crise política, com efeitos nefastos sobre a vida dos brasileiros – e feirenses - mais pobres.



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