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André Pomponet

Plante uma Árvore

André Pomponet - 16 de Dezembro de 2016 | 13h 37
Plante uma Árvore

Já faz algum tempo que o feirense padece sob um calor insano. O dia, normalmente, até começa com muitas nuvens no céu e uma brisa agradável. Mas às oito da manhã o sol já esquenta rijo, apressando o passo de quem sai para suas ocupações. A partir daí torna-se implacável: à medida que se encaminha para o centro do céu as sombras encurtam, espantando quem está pelas ruas.

Diversos termômetros espalhados pela cidade sinalizam que, nesses dias, das dez em diante, atingimos facilmente os 35 graus. Aí a temperatura só começa a declinar das três da tarde em diante. Mas mesmo quando a luz do sol vai ganhando aqueles tons alaranjados do final da tarde o calor ainda é intenso. E notem que o verão nem começou. Pelo menos oficialmente.

Registros indicam que, noutros tempos, a Feira de Santana era conhecida por seu clima agradável. Arrimo de boiadas e boiadeiros, o antigo arraial tinha vastos reservatórios de água superficial e a vegetação que combinava mata atlântica e caatinga permanecia bem preservada, mesmo com presença da pecuária extensiva. A área urbana se limitava a meia-dúzia de artérias.

A implacável expansão urbana foi tangendo os limites da cidade para aqueles morros azuis, distantes, limítrofes do rio Jacuípe; as lagoas, lentamente, foram sendo aterradas: poucas escaparam das invasões e da especulação imobiliária; e o concreto, o vidro, o asfalto e o metal erigiram uma lógica urbana que revogou o verde.

Historicamente a Feira de Santana nunca contou com um planejamento urbano adequado. Jamais se pensou na oferta de parques e jardins, a exemplo do que existe em dezenas de grandes e médias cidades brasileiras. As árvores que sobrevivem nas ruas e nas praças são antigas e maltratadas. Assim, nos meses de estio, as temperaturas elevadas fazem a cidade fervilhar.

Todos os dias se repete, na tela das tevês, o espetáculo da previsão do tempo. Gráficos, mapas e números desfilam diante dos olhos do telespectador. Para completar, ainda há o didatismo performático da “moça do tempo”, embora já existam marmanjos assumindo a função. Fartos em dados, esses quadros explicam pouco o que vai acontecendo com o clima das cidades.

Dizem que a tendência é de piora contínua: o mundo se aquece em função das intervenções humanas e as populações das grandes cidades padecem com as temperaturas elevadas. Caso essas previsões se confirmem no longo prazo, o Brasil Setentrional – essa porção que abarca o Nordeste e o Norte – tende a ser mais afetado pelas temperaturas elevadas.

Isoladamente, é difícil o indivíduo reverter essas tendências. Mas alguns gestos podem ajudar a amenizar a aspereza da vida nas cidades. Nesses tempos de temperaturas tórridas, plantar uma árvore no quintal de casa ou nas calçadas espaçosas é uma boa ideia. Precisamos de mais árvores aqui na Feira de Santana.



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