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André Pomponet

Abstenções e votos brancos e nulos crescem em Feira

André Pomponet - 03 de Outubro de 2016 | 21h 17
Abstenções e votos brancos e nulos crescem em Feira

À primeira vista, as eleições 2016 na Feira de Santana não reservaram grandes surpresas para quem acompanha a vida política do município. O atual prefeito, José Ronaldo de Carvalho (DEM), navegou tranquilo durante todo o período eleitoral, confirmando nas urnas um favoritismo que as pesquisas apontavam desde o início da campanha. A enorme vantagem sobre os demais concorrentes, inclusive, contribuiu para o clima morno que prevaleceu até mesmo nos debates.

Para quem analisa os números com mais atenção, porém, há novidades. E novidades preocupantes. Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) indicam que, nas eleições feirenses, 67.971 eleitores deixaram de comparecer às urnas, enquadrando-se na chamada abstenção. É bem mais que os 58.022 que se abstiveram há quatro anos, em 2012.

Os votos brancos e nulos seguiram a mesma tendência esse ano: 22.622 votos nulos (contra 14.072 quatro anos antes) e 8.314 votos em branco (contra 4.937 em 2012). Somados, votos brancos, nulos e abstenções totalizam, precisamente, 98.907. É mais, por exemplo, que os 86.273 votos somados destinados a José Neto (PT), Jhonatas Monteiro (PSOL), Jairo Carneiro (PP), Ângelo Almeida (PSB) e Leonardo Pedreira (PCO), os candidatos derrotados na eleição.

Consagrado nas urnas, José Ronaldo de Carvalho cravou mais de 212 mil votos; apesar da vitória expressiva, essa soma representa pouco mais de 53% dos votos dos 397 mil eleitores feirenses. Não é pouco, mas está longe da festiva unanimidade que algumas análises induzem, sobretudo em função da elevada abstenção.

O que determinou o salto na abstenção nas eleições 2016 não apenas na Feira de Santana, mas em todo o Brasil? Parte da imprensa atribui ao desencanto com a classe política, em função dos recentes escândalos de corrupção. Essa interpretação alveja, sobretudo, o Partido dos Trabalhadores, mais enredado nas investigações em andamento.

Talvez haja razões bem mais graves: será que a rija rasteira aplicada na democracia brasileira, a partir da deposição de Dilma Rousseff (PT), não desencantou os eleitores? Será que muitos cidadãos não enxergaram no ato de votar um gesto inútil, suscetível às malandras manobras parlamentares? É bem provável.

O fato é que o desinteresse do eleitor pelas urnas denota uma democracia enferma, que carece de atenção. Apesar do êxtase ruidoso dos eleitos, talvez não haja tantos motivos para comemoração.



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