Um grande homem é aquele que eleva a instituição sob seu
comando a um patamar superior ao que encontrou antes de sua chegada ao poder.
Aqueles que a reduzem costumam ser uma mancha na memória institucional,
restando, na história, apenas como nota negativa.
Aconteceu com Augusto Aras e acontece, agora, com Paulo
Gonet, Procurador-Geral da República, que parece ter optado pela inércia. Com
uma atuação anódina , o ex-sócio de Gilmar Mendes em seu Instituto de
Educação parece priorizar vinculações do passado, em detrimento do cargo que
ocupa.
A inércia com que atua diante do Caso Vorcaro é um desses
testemunhos dolorosos de uma biografia cada vez mais esquálida. Gonet
manteve-se inerte perante às revelações de que Dias Toffoli seria sócio oculto dos
irmãos em uma empresa suspeita de lavagem de dinheiro, além das negociações
envolvendo o Resort Tayayá, no Paraná, com um fundo de investimento cujo único
cotista era o cunhado de Vorcaro.
O "elástico" Gonet não considerou tais fatos
suficientes sequer para apontar a suspeição do ministro na relatoria do Caso
Master. Mesmo diante do fabuloso contrato de R$ 129 milhões do Banco Master com
o escritório de advocacia da mulher do ministro Alexandre de Moraes — uma
profissional de currículo desproporcional a tal cifra e que, ao que tudo
indica, nada entregou em troca —, o PGR não viu estímulo para abrir uma
investigação.
Recentemente, o novo relator, ministro André Mendonça perdeu
a paciência. A gota d’água foi o parecer de Gonet contrário à nova prisão de
Vorcaro, ignorando a representação da Polícia Federal (PF). O PGR não
vislumbrou "perigo iminente" na liberdade de um criminoso acusado de:
manter uma milícia privada; Invadir sistemas da Justiça, da PF, da PGR,
do FBI e da Interpol; Trabalhar ativamente para ocultar o patrimônio desviado;
Encomendar o espancamento de um jornalista; e ameaçar funcionários de agressão
física.
Em sua decisão, Mendonça foi categórico: “diante desse
robusto quadro fático-probatório, lamenta-se que a PGR diga que ‘não se entrevê
no pedido [...] a indicação de perigo iminente’. Lamenta-se porque as
evidências dos ilícitos e a urgência para adoção das medidas requeridas estão
fartamente reveladas”.
Ao agir assim, Gonet enfraquece o Ministério Público, omite-se de sua obrigação ética como servidor do cidadão e permite-se submergir no pântano em que se transformou parte do Supremo Tribunal Federal (STF).
A ideia de que o Estado foi instituído para representar o
cidadão consolidou-se na Idade Moderna (séculos XVII e XVIII) por meio do
contratualismo. Em Leviatã (1651), Thomas Hobbes foi um dos primeiros a definir
o soberano como o representante da vontade coletiva. Para Hobbes, o Estado não
é meramente um governante, mas a própria personificação da multidão, agindo
para garantir a segurança, a paz e o proveito comum.
Nessa mesma esteira, John Locke propôs que o Estado
representa o cidadão com o fim específico de proteger direitos inalienáveis: a
vida, a liberdade e a propriedade. Mais tarde, Hegel elevou essa concepção ao
tratar o Estado como a realização da vontade ética absoluta sendo a instância capaz de conciliar interesses
individuais com o bem comum, representando a plenitude da vida em sociedade.
Essa transição marcou uma ruptura conceitual profunda: o poder deixou de ser visto como
divino ou natural (a tradição aristotélica) para tornar-se convencional e
racional. O indivíduo ascendeu à categoria de sujeito de direitos, e o Estado
assumiu o papel de gestor desses direitos.
Dessa forma, o Estado consolida-se como o representante do
povo e deve, por princípio, ser o guardião da confiança pública. É por isso que
causa profundo horror observar autoridades utilizando o aparato estatal para
obter vantagens pessoais ou silenciar opositores. Um exemplo emblemático dessa
distorção ocorreu no "Caso Francenildo": o então ministro da Fazenda,
Antônio Palocci, utilizou o aparato público para violar o sigilo bancário de um
caseiro, tentando deslegitimar o testemunho de um cidadão comum.
Essa perversão manifesta-se em diversas esferas: policiais
que utilizam a autoridade para extorquir; fiscais que transformam informações
privilegiadas em ferramenta de chantagem; membros do Judiciário que utilizam o
poder da toga para explorar terceiros; agentes de cartórios que falsificam a fé
pública para grilagem. Todo aquele que, investido de função pública, utiliza
seu poder para ameaçar ou explorar o cidadão comete o que deveria ser
considerado um crime hediondo.
Trata-se da mais perversa distorção do pacto social. Quando
o agente do Estado ataca o cidadão, a vítima encontra-se em absoluta
vulnerabilidade, pois o agressor detém o monopólio da força e da informação.
Por constituir uma traição direta aos fundamentos da República, tais crimes
deveriam prever o agravamento de penas e a perda rigorosa de benefícios penais.
FONTE: César Oliveira
Segundo relatos de pessoas próximas, o empresário Fábio Luís
Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da
Silva, afirmou ter realizado uma viagem a Portugal na qual custos de passagem e
hospedagem teriam sido pagos pelo lobista Antônio Carlos Camilo Antunes,
conhecido como Careca do INSS.
Antunes foi preso sob suspeita de corrupção de agentes
públicos, em uma investigação que, segundo veículos de imprensa e autoridades,
envolve um esquema considerado entre os maiores e mais crueis já revelados no país e que lesou aposentados. De acordo com investigações em andamento, o Careca do
INSS movimentou aproximadamente R$ 12 bilhões em apenas 129 dias; o montante
relacionado a consignações desviadas pode chegar a até R$ 90 bilhões. O escândalo do roubo aos aposentados é um dos mais volumosos golpes já aplicados no Brasil.
Lulinha afirmou ter viajado com Antunes para visitar uma fábrica de produção de cannabis com fins medicinais, mas negou ter fechado negócios ou recebido qualquer pagamento adicional do lobista. Circulam informações não confirmadas de que o lobista pagaria uma mesada mensal de cerca de R$ 300 mil ao filho de Lula; até o momento, não há confirmação oficial de que Lulinha tenha recebido benefício financeiro relacionado a Antunes.
Ao que parece, Lulinha estava com o dinheiro curto por isso aceitou a oferta da passagem e hotel.
O amor aos animais é ancestral e atávico, mas o fenômeno contemporâneo que resultou no crescimento exponencial da presença de animais de estimação nos lares vai muito além de uma moda ou de empatia ecológica. O que testemunhamos é uma mudança estrutural na afetividade: cães e gatos deixaram o quintal para ocupar o centro das decisões emocionais e financeiras. Esse movimento revela-se como um sofisticado escape existencial diante de uma sociedade marcada pelo isolamento, pela fragilidade dos vínculos e, sobretudo, por uma crise de confiança sistêmica no próximo.
Essa migração do
afeto tem raízes em uma profunda exaustão das relações interpessoais. Em um
mundo de conexões efêmeras - a "modernidade líquida" de Zygmunt
Bauman -, onde a superficialidade e a falta de gratidão tornaram-se subprodutos
comuns das interações, o animal surge como um porto seguro de lealdade
previsível. O vínculo com o pet é regido por uma pureza que o ser humano parece
ter perdido; o animal não possui segundas intenções e não impõe condições para
oferecer sua presença. Ele apenas é, e sua gratidão manifesta-se na perenidade
do afeto.
A OMS estima que
uma em cada seis pessoas seja afetada pela solidão. O isolamento social,
acirrado pela hiperconectividade digital, criou um paradoxo: estamos mais
próximos virtualmente, mas nunca estivemos tão sozinhos. O amor aos animais
funciona como uma barreira contra essa "solidão acompanhada". O pet
exige o toque, o cuidado real e a rotina, devolvendo ao tutor uma sensação de propósito
que a vida moderna muitas vezes dilui. Essa devoção sinaliza um mecanismo de
defesa e de proteção contra a vulnerabilidade que a convivência com outro
humano impõe.
O crescimento
monumental do setor pet — estima-se que existam 2,2 bilhões de animais no
mundo, ou um para cada quatro pessoas, com expansão anual entre 6,5% e 11,3% —
e a humanização dos animais são sintomas de uma sociedade que busca anteparo
para suas feridas sociais. Se, por um lado, essa relação oferece um alento
vital e o suporte necessário à saúde mental, por outro, escancara nossos medos.
Em última análise, amamos os animais não apenas pelo que são, mas pelo que não
nos fazem: eles não julgam, não abandonam e não rompem o pacto de amor que,
entre humanos, tornou-se um artigo de luxo sob risco de extinção.
A ação meticulosamente planejada — que utiliza tropas de
treinamento incomparável e armamentos modernos em intervenções cirúrgicas e
diretas, com perdas inexistentes para o lado americano — tornou-se o novo
modelo de projeção de poder dos EUA. Trump exibiu essa estratégia ao mundo ao
depor e prender o ditador Nicolás Maduro, na Venezuela. Tal modelo é precedido
por um sofisticado serviço de inteligência e pela cooptação de parceiros
mediante intensa pressão política e negociações.
Agora, contra o Irã, Trump repete
o feito, embora de forma mais expansiva e com resultados mais incertos. Toda a
defesa iraniana baseava-se na suposição de um ataque noturno de Israel, como
nos episódios anteriores; desta vez, porém, o objetivo era distinto. No momento
em que os líderes do país se reuniram, Trump autorizou a ação: um golpe preciso
e letal que eliminou o líder acusado de reprimir ferozmente os últimos
protestos, resultando na morte de mais de 30 mil iranianos.
Embora existam questões legais e
geopolíticas discutíveis, a mensagem central é clara: aqueles que os Estados
Unidos consideram inimigos já não estão a salvo. Com o anúncio da disposição de
agir contra Cuba, já não se pode duvidar de que Trump levará seus planos
adiante.