O sistema de saúde seja suplementar ou público dá mostras de inviabilidade. O progressivo aumento do custeio, os avanços tecnológicos (há tratamentos em hepatite que custam R$500 mil, em Oncologia, do mesmo valor, entre outros) e as mudanças no perfil de idade e doença da população, levam a progressivo aumento destes custos.
Nos planos de saúde, o abuso de médicos, hospitais, pacientes e operadoras mal geridas tem levado a importante desgaste destes sistemas.
No público, sem nenhum tipo de moderação de uso, há um evidente subdimensionamento, que é cruel, genocida, fatal. A ideia de um sistema universal sem limites, sem regulação, sem referenciamento não se sustenta diante de nossa realidade.
É preciso contar ainda com o custo dos acidentes por álcool, da explosão do uso de moto que superlota emergências e Terapias Intensivas, das vítimas das drogas, seja como usuários ou traficantes, que oneram de forma importante o orçamento da saúde.
Como está não é mais suportável. É preciso uma reavaliação e revisão completa de nosso sistema de saúde antes que o colapso faça mais vítimas do que as milhares que já faz.
Epidemias
Temos 100 mil casos notificados das viroses que vão da dengue à zika, passando pela perigosa Guillan-Barré. A grande maioria dos casos, provavelmente, não está notificada, pois tem gente que nem vai ao posto ou hospital. É um vexame. Um vexame. Perigoso. E vexaminoso.
O ex-primeiro ministro de Portugal, Sócrates, está em prisão preventiva desde novembro de 2014. E o Estado de Direito lá não está ameaçado.
A corrupção, trazida ao Brasil por Caminha já na sua primeira carta ao rei, espalhou-se como uma metástase em todo o país perdendo qualquer tipo de limite. Além do custo econômico ela tem trazido a destruição institucional e de valores referenciais, numa “normalização” impositiva que acaba tragando a todos e nos deixa, inclusive, indefesos. O combate ao crime na dimensão tomada após o mensalão demorou 515 anos. A partir dos anos 90 a internacionalização dos Ministérios Públicos, as ações internacionais referenciais como a Mãos Limpas na Itália e a ocupação dos juizados por profissionais que fizeram fora sua pós-graduação no exterior trouxeram novos conceitos ao Direito. Estes novos aspectos deixaram desnorteados os tradicionais advogados do país, acostumados ao tráfico de influência e seus bons resultados. Diante dos seus mais de 300 habeas-corpus, todos negados no STF, dedicaram-se a ranger os dentes, a dizer que o Estado de Direito estava ameaçado, a praguejar contra o MP, o juiz Moro, a PF, e contra a nova advogada que ocupou seus milionários lugares.
A lava-jato, mais que a corrupção, escancara a nossa mente colonialista, que supõe haver intocáveis. Não por cumplicidade, mas por força do hábito, subliminar. Deste modo a opinião pública é fundamental para que os atores das leis envolvidos consigam levar a operação até o final. Não é esperar por extinção do processo de corrupção - sonho inviável- mas torcer pela reorganização do sistema, pela recuperação institucional, pela retomada dos valores referenciais que fazem com que a sociedade avance.
A dona da cadeia Hilton foi presa nos EUA por fraude no Imposto de Renda. Madoff, o mega investidor que cometeu fraude de US$50 bilhões de dólares, Wesley Snipes, ator, e o dono do grupo Galleon, entre muitos outros, foram presos. O EUA não acabou. O Brasil não vai acabar porque alguns dos empresários nacionais foram pegos. Aliás, se estamos no caos é exatamente porque estes empresários perderam os limites ao operarem com a máquina corrupta que Lula implantou no país e deu de herança a Dilma. Aliás, alguns que fizeram acordos, já estão de volta a suas empresas. A vida segue.
Greve de professor - em qualquer nível - deveria ser tratada como emergência. A interrupção da formação de alunos é uma crueldade que resulta em uma perda que nunca é corrigida completamente. O prolongamento da greve - 80 dias - das universidades estaduais fragiliza as instituições e impõe perdas muito caras aos alunos. É preciso estar na mesa de negociação de forma obrigatória todos os dias e não apostar no cansaço como arma estratégica. Evidente que os professores sabem que o estado está quebrado, que ele expandiu a rede universitária sem ter condições de fazer o custeio adequado e devem estar dispostos a negociar. as o estado não pode penalizar as universidades pela administração que levou a Bahia à falência. Professores precisam ser valorizados pela mão de obra que formam.
Eduardo Cunha, presidente da Câmara, useiro e vezeiro em noticiários suspeitos, famoso de muitos processos, inclusive mais de 50 contra veículos de comunicação e jornalistas, foi alvejado pelo delator Camargo com a acusação de receber US$5 milhões. A bomba corta a trajetória do deputado, por mais que ele esperneie, já que é inevitável que o processo contra ele seja aberto.
Eduardo Cunha é o homem que preside a Câmara dos Deputados deste inacreditável país. O segundo na linha de sucessão presidencial e aplaudido por alguns apenas porque é contra o PT. É bom lembrar, como diz um conhecido, que a única coisa certa ao se fazer acordo com o diabo é que em algum momento você vai passar pelo inferno.