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Bahia

Endereço popular encarece seguro de automóveis

21 de fevereiro de 2015 | 09h 54

Em bairros como Cajazeiras apólice pode ser até R$2 mil mais caro

Endereço popular encarece seguro de automóveis

O seguro automotivo em bairros periféricos de Salvador, como Pirajá, Narandiba e Cajazeiras, pode ficar até R$ 2 mil mais caro do que em bairros nobres, como Barra e Pituba. É o que mostra um levantamento feito a pedido do CORREIO pelo site de cotação de seguros Bidu.

“Quanto maior o risco daquela pessoa, com aquele veículo e naquela situação, mais caro será o preço do seguro. O índice de roubos e furtos, portanto, influencia de forma significativa no preço da apólice (documento emitido por uma seguradora, que formaliza a aceitação do risco objeto do contrato de seguro)”, explica o diretor de marketing da plataforma, Maurício Antunes. 

Segundo ele, na contratação da apólice, o consumidor responde perguntas que norteiam as seguradoras quanto ao perfil deles. “Entre os fatores que essas empresas consideram está a quantidade de sinistros que são registrados nos locais. Lugares como Pirajá e Cajazeiras, por exemplo, provavelmente têm mais sinistros do que a Barra ou a Pituba”, comenta. 

Contradição 
Apesar de, na teoria, o preço das apólices dos automóveis ser proporcional ao índice de roubos e furtos dos bairros, na prática, segundo dados divulgados pela Secretaria da Segurança Pública do Estado da Bahia (SSP/BA), de janeiro a setembro de 2014, Itapuã lidera o ranking de roubos de veículos, com 636. A Tancredo Neves teve 510 roubos registrados; já Brotas, 426, e Liberdade, 420.  
“Temos um trabalho concentrado na região de Itapuã, Brotas e Pituba, que são bairros que, historicamente, têm alto índice de roubos e furtos”, afirma o delegado titular da Delegacia de Repressão a Furtos e Roubos de Veículos (DRFRV), Marcos César da Silva. “Brotas, por exemplo, é um bairro populoso, onde há muitos condomínios com garagens abertas, o que facilita esse tipo de ação”, complementa. Marcos César informou que o órgão não conhece quais são os critérios adotados pelas seguradoras. 
 
Preconceito 
Para o professor do programa de pós-graduação em Desenvolvimento Regional e Urbano da Unifacs  Carlos Alberto da Costa Gomes, esta contradição de preços pode ser explicada pela taxa de recuperação de veículos nos bairros nobres. “A recuperação de carros nesses bairros chega a 80%. Nos bairros periféricos é quase zero”, garante.

“Mesmo assim, não deixa de ser uma forma de preconceito e de exploração com as pessoas desses bairros periféricos, que são menos informadas e que não sabem técnicas de negociação, já que a posse do carro e de um seguro é algo recente para elas”, afirma ele, que também é coordenador do Observatório de Segurança Pública da Bahia.

 

 

Perfil 
Segundo o corretor de seguros Rafael Rocha, a cotação de todos os tipos de seguro varia de acordo com o perfil do consumidor e seus hábitos. “Hoje em dia, tudo é perfil. Tudo que a pessoa faz e possui influência. Idade, sexo, tempo de habilitação e, inclusive, o modelo do veículo”, diz. 

De acordo com ele, as seguradoras  têm preços parecidos de acordo com o veículo e perfil do consumidor, pois os fatores consultados são os mesmos. “A qualidade do serviço, entretanto, pode mudar. O que afeta nos preços de seguradora para seguradora por bairro são as taxas bancárias utilizadas por seus respectivos bancos”, comenta. 

De acordo com o superintendente da seguradora Yasuda Marítima, Adriano Fernandes, são efetuados cálculos estatísticos para definir o valor da apólice. Ser homem, por exemplo, pode lhe custar uma grana a mais. Recém habilitado também não paga barato. “É levada em conta uma série de fatores. Se é homem ou mulher, casado ou solteiro, idade, tempo de habilitação, se utiliza o carro para trabalhar ou não, CEP em que o carro passa a noite; se há garagem na residência ou trabalho; ano, marca e modelo do veículo; histórico de sinistros, entre outros”, lista.


O diretor de Seguros de Automóvel da HDI, Fabio Leme, exemplifica: “Basta imaginar o comportamento de direção de um jovem solteiro, de 25 anos, com o de uma mulher casada, com 45 anos. É de se esperar que o jovem circule em horários mais expostos a roubo e acidentes. É comprovado que sua velocidade média é bem superior a da mulher de 45, que normalmente circula em horários de menor probabilidade de acidente, geralmente possui filhos e, portanto, tende a ter uma direção mais cautelosa”, afirma. 

Apesar de pagar menos do que pagava quando mais nova, a psicóloga Ana Lúcia Scarpa, de 49 anos, poderá ter um aumento significativo do seu seguro, por conta do aumento no risco de roubos. “Agora, pago mais de R$ 2 mil. Trabalhava e rodava apenas pela Pituba, onde moro. Agora fui transferida para Cajazeiras e já sei que meu seguro poderá ficar mais caro, já que circulo mais e não deixo o carro em um lugar fechado”, conta ela, que tem um New Fiesta 2012/2013. “Quando comprei, pagava cerca de 10% do valor do carro na apólice.  Com o tempo, esta porcentagem aumentou”. Ela tem dois filhos e é casada, fatores que afetam o preço do seguro.  

Descontos
Segundo o diretor da Bradesco Seguros, Saint-Clair Lima, a avaliação de risco do condutor é um dos fatores que mais afetam na apólice. Para conseguir um desconto com as seguradoras, além da negociação com as empresas, ele recomenda também que o consumidor ressalte seus atributos. “Um dos fatores que mais proporcionam a redução no custo do seguro, podendo gerar até bônus para os condutores, é o histórico  deles”, afirma. 

Segundo Fernandes, da Yasuda Marítima, basta o segurado adotar medidas preventivas para pagar menos no seguro. “Mantenha a revisão periódica e a manutenção do carro em dia, sobretudo dos itens de segurança, o que faz toda a diferença. Também recomendo a instalação de rastreadores e travas. 

Não deixe o carro na rua, em frente de casa, e sempre o estacione na garagem. Além de contribuir para evitar ocorrências desagradáveis, estas recomendações farão com que o valor do seguro seja mais barato”, assegura.

FONTE: Correio



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