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Educação

Estudantes de colégio militar ficam mais de 40 minutos expostos ao sol, como punição, na BA

23 de Novembro de 2023 | 11h 35
Estudantes de colégio militar ficam mais de 40 minutos expostos ao sol, como punição, na BA
Foto: Reprodução/TV Santa Cruz

Alunos do Colégio da Polícia Militar Anísio Teixeira, na cidade de Teixeira de Freitas, no extremo Sul da Bahia, foram submetidos a um castigo considerado absurdo por pais e responsáveis. Revoltados, eles denunciaram que os filhos ficaram expostos ao sol por mais de 40 minutos, como punição por supostas irregularidades nos uniformes.

O castigo, segundo os pais, foi impingido aos jovens na terça-feira (14), em dois turnos diferentes, às 11h e às 15h. A temperatura média no dia do incidente era de 39 graus Celsius. O caso está sendo investigado pela coordenação dos colégios da Polícia Militar da Bahia (PMBA).

Em entrevista à TV Santa Cruz, afiliada da Rede Bahia de Televisão, o pai de um dos alunos contou que não apenas o filho, mas também outros estudantes punidos passaram mal, porque tiveram que realizar uma marcha baixo um “sol escaldante”.

De acordo com o homem, a punição ultrapassou quase uma hora do horário usado com a marcha. “Eles ficaram expostos. Isso resultou em desmaios, dores de cabeça e crianças passando mal. Na parte da tarde, um aluno teve que ser socorrido para atendimento na Unidade de Pronto Atendimento", denunciou.

Ouvido pela mesma equipe de reportagem, um dos alunos disse que o calor era insuportável. "Prenderam a gente até meio-dia. Foi quando executamos comandos militares e marchamos com os uniformes super desconfortáveis em uma temperatura insuportável", disse.

Outro estudante afirmou que, apesar de não estar com o uniforme do dia, não esperava ser castigado daquela maneira. Ele salientou que os alunos foram separados em dois grupos. "Agruparam a gente e disseram que estávamos alterados. Durante essa verificação, apontaram que nós seriamos punidos com o impedimento, porém o impedimento regular acontece às sextas-feiras, no horário das 14h", relatou.

Um terceiro aluno disse que eles tentaram, ainda, ficar em uma área não atingida pelo sol, mas acabaram sofrendo repreensão. "Uma sensação insuportável, chegava a ser subumano, porque, com a onda de calor que assola o país, eles estavam cientes dessas condições. Alunos com condições fisiológicas e físicas variadas não tinham porte para estar expostos a essa temperatura", reclamou.

HumilhaçõesConforme o g1, um aluno que não foi punido, mas que assistiu à cena de longe, confirmou a versão dos colegas e pais. Ele salientou que os estudantes também foram expostos a humilhações. "Uma situação totalmente constrangedora para quem estava observando e para quem estava passando pela situação. Não é legal você estudar, ir à escola, fazer a prova e, no momento de ser liberado, ser tratado com gritaria, descaso, falta de respeito, tentando camuflar algumas coisas que não cabe ao militarismo", criticou.

Ele destacou que tal tratamento afeta negativamente os alunos. "Isso é ruim para o psicológico. Foi o momento ruim não tanto pelo calor, mas a forma psicológica dos alunos", avaliou.

AmeaçasApós a denúncia do incidente, os pais dos alunos relataram que os filhos passaram a receber ameaças. "Alguns alunos estão sofrendo represálias, sob ameaças de serem excluídos, expulsos da escola, se fizerem algum tipo de postagem sobre o acontecido. Acredito que eles devem ter percebido a gravidade do que eles cometeram e a minha preocupação, como pai, é justamente isso", declarou o pai de um dos alunos punidos.

Ele acredita que uma investigação é imprescindível. "Vai acontecer novamente? Não vai? É necessário ter uma intervenção das autoridades para apurar de fato, o que aconteceu", questionou.

Apuração internaSegundo o g1, a TV Santa Cruz tentou contato com a direção do Colégio da Polícia Militar de Teixeira de Freitas, mas informou que a mesma preferiu não se manifestar.

A instituição tem um corpo discente formado por mais de mil alunos, que cursam do sexto ano do Ensino Fundamental ao terceiro ano do Ensino Médio.

Por meio de nota, diz o g1, a coordenação dos colégios da PM afirmou que deu início a uma apuração interna, como forma de esclarecer os fatos.



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