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Saúde

Instituto Butantan identifica nova variante recombinante do coronavírus em São Paulo

18 de Maio de 2022 | 09h 46
Instituto Butantan identifica nova variante recombinante do coronavírus em São Paulo
Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
O Instituto Butantan identificou, na cidade de São Paulo, mais um caso de variante recombinante do vírus SARS-COV-2, causador da Covid-19. A cepa XG foi encontrada em amostras coletadas de uma mulher de 59 anos, moradora do bairro da Penha. Segundo a Agência Brasil, não há informações sobre os sintomas. Também não foi divulgado se a paciente estava vacinada ou se tem histórico de viagem.

A variante recombinante provém das linhagens BA.1 e BA.2 da cepa Ômicron. Ela apresenta a mesma combinação da variante XE. No entanto, com mutações diferentes. A maior parte dos casos de infecção pela XG foi registrada na Dinamarca. Por enquanto, diz a Agência Brasil, os especialistas afirmam que não há motivos de preocupação relativos à disseminação.

Por meio de nota, Gabriela Ribeiro, que atua na área de bioinformática da Rede de Alerta de Variantes do Instituto Butantan, disse que “todas as variantes recombinantes ainda necessitam de mais atenção nesta questão de disseminação” e que “há, no mundo, apenas 205 sequências da XG”, sendo isto “pouco em relação à população mundial e ao número de variantes que estão circulando”.

No Brasil, este é o terceiro caso de variante recombinante identificada em São Paulo. De acordo com a Agência Brasil, o primeiro caso foi identificado em março, em um homem de 39 anos. Ele estava com o esquema vacinal completo contra a Covid-19. As amostras pesquisadas revelaram que o paciente estava infectado com a variante XE. Como não havia viajado ao exterior ou tido contato com pessoas que vieram de outros países, os pesquisadores concluíram que a cepa já circulava na capital paulista de forma comunitária. O homem apresentou apenas sintomas leves.

No mês de abril, outro caso foi registrado. Identificada como XQ, a variante recombinante surgiu a partir da mescla entre a sublinhagem BA.1.1 e a linhagem BA.2. A cepa foi identificada em um casal que ainda não tinha tomado a terceira dose da vacina. Ambos apresentaram sintomas comuns à Covid-19, a exemplo de febre, dores de cabeça, no corpo e na garganta. Eles também não tinham histórico de viagem.

MUTAÇÕES – Identificado, inicialmente, na China, em 2019, o SARS-COV-2 vem sofrendo constantes mutações. Diversas linhagens, sublinhagens e variantes recombinantes do novo coronavírus surgiram, desde então. Isto porque os vírus são micro-organismos constituídos de material genético (DNA ou RNA) envoltos em cápsulas de proteína. Por isso, quanto mais o vírus se espalha, mais tende a sofrer variações em suas estruturas iniciais.

Ainda segundo a Agência Brasil, quando uma cepa começa a se propagar, através da infecção de pessoas em diferentes regiões ou países, ela se torna uma linhagem. Esse é o caso das variantes Alfa (B.1.1.7), Beta (B.1.351), Gama (P.1), Delta (B.1.617.2) e Ômicron (B.1.1.529).

No caso das sublinhagens, a mutação não altera significativamente o material genético. As variantes são, dessa forma, muito semelhantes linhagens às quais pertencem. O Instituto Butantan explica que uma forma fácil de detectar sublinhagens é perceber que a nomenclatura sofreu ramificações, como é o caso das que se originaram a partir da Ômicron, identificadas, pelos cientistas, como: BA.1, BA.1.1, BA.2 e BA.3.

A formação de uma variante recombinante é distinta. Nesse caso, uma cepa surge quando há mistura ou recombinação de material genético de duas ou mais linhagens ou sublinhagens do vírus. Para isso ocorrer, é preciso que uma pessoa contraia, pelo menos, duas linhagens ao mesmo tempo.

Múltiplas variantes recombinantes foram detectadas em circulação no mundo. Elas podem ser reconhecidas pela letra X em seu nome. De acordo com a Agência Brasil, as linhagens recombinantes mais recentes vão de XD, popularmente chamada de deltacron, até XW, seguindo ordem alfabética.



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