Tribuna Feirense

  • Facebook
  • Twiiter
  • 55 75 99801 5659
  • Feira de Santana, terça, 26 de outubro de 2021

César Oliveira

O Aeroporto cronicamente inviável

24 de Agosto de 2021 | 13h 25
Ouvir a matéria:
O Aeroporto cronicamente inviável

Há mais mistérios entre a terra e o ar do que imaginamos. Pelo menos, no Aeroporto de Feira. Vivemos de adiamentos, explicações sem consistência para sua inviabilidade crônica. Na última delas, mais uma vez, o governador Rui Costa disse que aeroportos a menos de 100 quilômetros não se viabilizam. O jornal Tribuna Feirense, em 2018, publicou uma ampla matéria sobre o assunto. 

 A reportagem revelou que um estudo da Secretaria de Aviação Civil (SAC), feito ainda no governo Dilma, deixou claro que transformar a aviação em um transporte de massa era uma política de governo e que nenhum município deveria estar a mais de 100 km de um terminal aéreo. Feira, é claro, é referência para um mínimo de 2 milhões de habitantes.   Afinal, 60% das mais de 500 indústrias aqui instaladas tinham interesse em usar o aeroporto, como afirmou o Diretor do CIS, em entrevista à época.

 O mesmo estudo do governo mostrou que o município teria potencial para 266 mil passageiros por ano.  Os dados oficiais  atestam a viabilidade do aeroporto, já que o mesmo estudo sugere que 60 mil passageiros anuais já seriam suficientes para garantir os voos necessários. E não falou-se sequer sobre cargas, outro quesito sobre o qual a Tribuna não

conseguiu obter dados, para avaliarmos o volume de cargas embarcadas em Salvador, originários da nossa região. Faz parte dos mistérios insondáveis desse terminal aéreo.

Quanto ao argumento dos 100 quilômetros, ele é sobejamente desmentido pela realidade. Há, pelo menos, sete aeroportos no Brasil, com essa distância. Para usar um bem próximo, citamos o terminal de Campina Grande, cidade que tem uma população estimada em 403 mil habitantes e Produto Interno Bruto (PIB) de R$ 7,5milhões (Feira tem PIB de R$12 milhões),com a mesma distância da capital de seu estado que o nosso de Salvador e que movimentou 149 mil passageiros em 2017, 422 mil quilos de carga e faturamento de R$1,4 milhão só em serviços.

 Para a implantação do IFR -pouso guiado por instrumentos- em Feira, há, também,  a necessidade de ampliação das margens da pista. O Governo do Estado já fez o decreto de desapropriação da área situada no entorno do equipamento. Falta, apenas, a indenização dos proprietários. Não há informações sobre o investimento que seria necessário para isso.

 As matérias da Tribuna, publicadas em 2018, desmentem o argumento sobre a distância e a viabilidade dos aeroportos. A verdade é que ninguém conhece os termos da Concessão;o acordo de exclusividade da Azul (ela tem significativa redução do ICMS do querosene, para manter voos regionais);  o motivo do cancelamento do voo com maior taxa de ocupação (98%) que a Azul operava (Feira - Campinas), de forma arrogante e sem a menor satisfação aos feirenses, à época.  Tampouco sabemos o porquê da retirada dos equipamentos do terminal. Recentemente a Concessionária entrou com processo contra o Estado para realizar obras pactuadas.

 Precisamos saber qual seria o investimento em indenizações e em ILS; qual o potencial de cargas; se há novos estudos de demanda de passageiros; e se há outras empresas interessadas, além da Azul, que parece não gostar de Feira. Essas questões têm sido tratadas de forma nebulosa, sem respeito ao cidadão e ao eleitor de nossa Região Metropolitana (é bom lembrar),gerando especulações desnecessárias. Não sabemos se há pressões da Concessionária do Aeroporto de Salvador e de todos os que se beneficiam com ausência de alternativas; se há problemas econômicos decorrentes das limitações das construções no entorno; enfim, as verdadeiras razões que impedem que esse modal seja implantado e cumpra a política traçada pelo governo federal. 

 A desculpa da viabilidade fere violentamente nosso senso, pois sabemos que ninguém dos municípios localizados acima de Feira irá escolher ir a Salvador para embarcar, tendo Feira no meio do caminho. O governo disse que ouviu especialistas, então por respeito a nossa população deveria liberar uma cópia do estudo para a imprensa, informar quem foi a empresa que fez o estudo para que pudéssemos entrevista-los e esclarecer o assunto, parando de subestimar a nossa inteligência.



César Oliveira LEIA TAMBÉM

Charge da Semana

CHARGE DO BOREGA

As mais lidas hoje