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Saúde

Primeira vacinada na Bahia contrai Covid-19 antes de tomar 2ª dose; contágio é possível, diz infectologista

23 de fevereiro de 2021 | 18h 11
Primeira vacinada na Bahia contrai Covid-19 antes de tomar 2ª dose; contágio é possível, diz infectologista
Foto: Itana Alencar/G1 Bahia

Primeira pessoa vacinada contra a Covid-19 na Bahia, a enfermeira Maria Angélica de Carvalho Sobrinho, de 53 anos, contraiu a doença antes de receber a segunda dose do imunizante. Ela foi internada, nesta terça-feira (23), no Instituto Couto Maia, em Salvador, mas apresenta quadro clínico estável, segundo o corpo médico da unidade de saúde.

Conforme o G1, a infectologista Ceuci Nunes, diretora geral do Couto Maia, hospital referência em tratamento de doenças infectocontagiosas no Brasil, disse que o contágio é possível, mesmo após a aplicação da primeira dose da vacina, uma vez que a imunização ainda não estava completa.

Segundo a médica, para a vacinação atingir a eficácia máxima, é preciso tomar as duas doses. Ela lembrou que, para isso, ainda é necessário aguardar a “janela imunológica”, ou seja, o período que o organismo leva para produzir anticorpos.  “Não é à toa que a vacina são duas doses. Todas as vacinas, até o momento, a exigência é de duas doses. Exatamente porque, na segunda dose, se faz um reforço, aumenta a proteção. Claro que algumas pessoas já vão ter a proteção após a primeira dose, mas essa proteção pode não ser suficiente e a segunda dose é necessária”, esclareceu.

PASSA BEM – A infectologista informou que a enfermeira iria tomar a segunda dose no dia 16 de fevereiro, mas que, entre os dias 12 e 13, sentiu um mal estar. Ceuci Nunes disse que a profissional de saúde encontra-se estável e que está em observação. “Ela está bem, está usando pouco oxigênio, mas quando se movimenta fica um pouquinho desconfortável, por isso ela está sendo mantida ainda no hospital”, ressaltou.

De acordo com o G1, a médica também explicou que contágios posteriores à vacinação são pontuais, mas chamou atenção para o fato de que ainda não há um imunizante 100% eficaz contra o novo coronavírus. Em função disso, ela alertou que apenas a vacinação em massa pode conter o avanço da doença e evitar o surgimento de mutações mais perigosas e com maior potencial de letalidade.

O imunizante aplicado em Maria Angélica Sobrinho foi o CoronaVac, desenvolvido pela farmacêutica chinesa Sinovac e fabricada, no Brasil, pelo Instituto Butantan. Esta vacina apresentou eficácia de 50,38%. O percentual é aceitável e reduz o risco de contágio pela metade. O fármaco também tem o potencial de reduzir, em 78%, os casos leves que exigem algum cuidado médico. Além disso, também evita que a doença se agrave e leve o paciente a óbito.

Em razão disso, é válido lembrar que não há qualquer problema com a CoronaVac e que a contaminação pode ocorrer após a aplicação de qualquer imunizante, principalmente antes do tempo que o organismo necessita para produzir defesa imunológica. Sendo assim, Ceuci Nunes observa que, mesmo vacinada, uma pessoa pode propagar a infecção. Segundo ela, ainda não há estudos conclusivos sobre a não transmissão do vírus após a vacina.

MEDIDAS DE PROTEÇÃO DEVEM CONTINUAR – Por isso, autoridades sanitárias mundiais recomendam que as medidas de proteção continuem a ser adotadas mesmo após a imunização. É o que também adverte a infectologista. “É importante que, mesmo as pessoas vacinadas, mantenham as medidas de proteção, de distanciamento e uso de máscara, até que a gente tenha 60 a 70% da população vacinada”, destaca.

Ceuci Nunes disse que a janela imunológica é de, no mínimo, 15 dias, no caso da vacina contra a Covid-19. “A gente está falando de 20 dias depois da segunda dose, para você considerar que tem proteção. Mas é importante também a gente reafirmar que a gente não sabe se a vacina protege da infecção. Mesmo a pessoa vacinada, ela pode adquirir o vírus, não adoecer e transmitir. Isso é uma possibilidade que ainda não foi completamente afastada”, frisa.

DUAS DOSES SÃO FUNDAMENTAIS – A médica também lembrou que é imprescindível tomar as duas doses indicadas. Ela enfatizou que cada organismo reage de uma forma e que há pessoas que adquirem uma boa proteção após a primeira dose, mas que isso não significa que a segunda pode ser dispensada. “A única saída possível dessa pandemia é a gente utilizar a vacina. E não é porque uma pessoa teve após a primeira dose – claro que é uma pessoa que chamou atenção, porque foi a primeira baiana a ser vacinada – que um número enorme de pessoas vão ter. Os casos são esporádicos, de pessoas que têm a doença mesmo após a primeira dose, que já dá um pouco de proteção”, argumenta, ressaltando que “é importantíssimo que todas as pessoas tomem as duas”.

Ainda de acordo com o G1, Maria Angélica Sobrinho deverá tomar a segunda dose da CoronaVac quando tiver a saúde restabelecida. “Vacina não perde a primeira dose. A gente sempre vai fazer a complementação do esquema. Angélica, na época certa, depois que ela estiver muito bem, ela vai tomar a segunda dose, e não repetir o esquema de duas doses”, observou a diretora do Hospital Couto Maia.



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