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Associação de Pescadores discute transposição em Pedra do Cavalo e impactos ambientais em rios e comunidades ribeirinhas

Da Redação - 18 de fevereiro de 2021 | 14h 01
Associação de Pescadores discute transposição em Pedra do Cavalo e impactos ambientais em rios e comunidades ribeirinhas
Foto: Divulgação

A Associação dos Produtores Rurais e Pescadores do Distrito Governador João Durval Carneiro realiza, a partir das 15 horas desta quinta-feira (18), na Fazenda Amarela, uma reunião para discutir os impactos ambientais que serão causados pela segunda retirada de água do Lago Pedra do Cavalo, através de transposição.

De acordo com o ambientalista João Dias, chefe do Departamento de Educação Ambiental da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semmam), a discussão do projeto, que será executado pela Empresa Baiana de Águas e Saneamento (Embasa), é importante porque diz respeito à sobrevivência dos pescadores artesanais, que vivem do sustento das águas, e dos próprios rios Paraguaçu e Jacuípe. “Queremos saber do Governo do Estado, que licenciou a obra através do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), quais são as condicionantes e a compensação ambiental”, ressaltou.

Segundo Dias, a obra consiste em trazer água para Feira de Santana e região, retirando do reservatório de Pedra do Cavalo. Ele conta que uma transposição já foi realizada, quando da construção da represa, há 33 anos. Naquela ocasião, a intervenção teve por objetivo levar água para Salvador, Feira de Santana e região fumageira. Agora, a Embasa dará seguimento à segunda etapa.

“É uma obra elogiável. Não temos nada contra. A nossa questão é a discussão do interesse dos pescadores, dos moradores ribeirinhos e de investimentos para os rios que alimentam o Lago, a exemplo do Paraguaçu, do Jacuípe e de seus afluentes e nascentes, além do próprio Lago. Não se pode retirar água dos rios sem cuidar deles”, explicou.

O ambientalista também enfatiza que é preciso combater a degradação das águas, porque isso impacta negativamente o ecossistema, afetando, sobremaneira, a vida das comunidades ribeirinhas e também a sociedade como um todo. “Há degradação de todo tipo. Como membro do comitê do Rio Paraguaçu e da Associação de Pescadores, posso afirmar que a Bacia Hidrográfica do Paraguaçu tem 86 municípios e todos jogam esgotos que vêm parar no Lago Pedra do Cavalo”, denuncia, salientando ainda que não qualquer estudo acerca da flora e da ictiofauna do Lago, ou seja, do conjunto das espécies de peixes e crustáceos, muitos deles já desaparecidos destas águas.

João Dias ressalta que os problemas que assolam o Rio Jacuípe, por exemplo, são muitos: canais que levam dejetos oriundos de esgotos ao curso de suas águas; olarias que retiram barro de seu barranco, para a fabricação de tijolos; e desmatamento de sua mata ciliar, que é a vegetação que protege os rios do assoreamento. “A luta para cuidar dá água é de cada um de nós. ‘Nossa vida, pela vida do Rio’ é o nosso lema”, defendeu.

Ele também reclama da situação de total desamparo em que os ribeirinhos vivem, o que, muitas vezes, os impele a abandonar a atividade pesqueira e migrar para cidade, para uma vida ainda mais degradante.  O ambientalista afirma que os pescadores não recebem, por exemplo, nenhuma ajuda do Estado correspondente ao período de defeso, medida preventiva que visa proteger os organismos aquáticos durante as fases mais críticas de seus ciclos de vida, a fim de garantir a reprodução de espécies nativas ou ainda de seu maior crescimento.

Sem apoio financeiro, João Dias diz que não há como os pescadores permanecerem três meses sem pescar, que é o tempo do defeso, porque isso significa passar necessidade. “Os pescadores e os ribeirinhos, não podem continuar sendo invisíveis, para as autoridades. Temos uma cultura ímpar, que envolve folclore, dança, dialeto, crença, culinária, música, quer diz, todo um mundo diferente, dentro de um mundo cruel, desigual e mutante”, reivindica.

Em função de todas essas questões, ele informa que a entidade acionará o Ministério Público (MP), a fim de pedir explicações sobre o projeto. Além disso, produzirá um abaixo-assinado, solicitando intervenção nos dois rios e pedindo que os pescadores sejam ouvidos.

“É imprescindível que as comunidades ribeirinhas sejam ouvidas, porque a transposição traz prejuízos diretos ao ecossistema do Lago, bem como aos pescadores que sobrevivem dele. Retirar água do Lago significa que suas ilhas submersas ficarão descobertas. E esses locais são berçários de muitas espécies de peixes de água lenta, como a tilápia, a traíra, o tucunaré e o acará, que acabarão perdendo seus locais de desova. Isso prejudica muito os pescadores e nada disso é discutido. São essas questões que nos preocupam”, esclareceu João Dias.

De acordo com o ambientalista, a reunião contará com as presenças do secretário de Meio Ambiente de São Gonçalo dos Campos; dos pescadores da colônia Z97 – Conceição da Feira; dos pescadores da Associação de Pescadores de Tupiaçu – Cabaceiras; dos pescadores do mergulho da Brava, da Amarela e dos Três Riachos, além de representantes da associação e da advogada Cristine Nascimento.



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