Tribuna Feirense

  • Facebook
  • Twiiter
  • 55 75 99801 5659
  • Feira de Santana, domingo, 07 de março de 2021

Política

Bolsonaro aprova aquisição de vacinas por empresas privadas

26 de janeiro de 2021 | 19h 01
Bolsonaro aprova aquisição de vacinas por empresas privadas
Foto: Marcos Corrêa/PR/JC

O presidente Jair Bolsonaro afirmou, nesta terça-feira (26), que o Governo Federal fechou um acordo com empresas privadas e que é favorável à compra de 33 milhões de doses da vacina produzida pelo laboratório britânico AstraZeneca, em parceria com a Universidade de Oxford. Segundo Bolsonaro, metade dos imunizantes irá para o Sistema Único de Saúde (SUS).

Bolsonaro disse que a carta de intenções já foi assinada. “Semana passada, nós fomos procurados por um representante de empresários e nós assinamos carta de intenções favorável a isso, para que 33 milhões de doses da Oxford viessem do Reino Unido para o Brasil a custo zero para o governo. E metade dessas doses, 16,5 milhões, entrariam aqui para o SUS e estariam, então, no programa nacional de imunização”, revelou, durante videoconferência do banco Credit Suisse. 

De acordo com o portal de notícias R7, o presidente afirmou ainda que a outra metade das doses poderá ser aplicada nos funcionários das empresas. Ele disse que a medida foi tomada com o objetivo de estimular a economia do país.

Segundo o Bahia Notícias, integrantes do governo teriam afirmado que o Executivo decidiu não se opôs à compra porque o lote negociado pelas firmas privadas é muito mais caro dos já negociados pelo Ministério da Saúde. No acordo construído pelas empresas, a dose está na faixa de US$ 23,79, valor muito acima do praticado no mercado.

Bolsonaro, por sua vez, salientou que o fato de as 33 milhões de doses virem de forma gratuita foi essencial para que o governo fosse favorável à negociação. Ele criticou a imprensa por dizer que as empresas estariam furando a fila da vacinação.

O ministro da Economia, Paulo Guedes disse que caberá às empresas assumir a responsabilidade pela vacinação. “É bom que seja uma vacina certificada pela Anvisa. E nós botamos também o setor privado ajudando nessa guerra. É evidente que isso é muito bom. Um lado [50% das doses] é retorno seguro ao trabalho, e o outro é dos desassistidos, para os invisíveis que o SUS vai cuidar também”, argumentou.

TRATAMENTO PRECOCE – O presidentetambém usou o evento para, uma vez mais, defender o tratamento precoce para a Covid-19. Bolsonaro insiste no uso da hidroxicloroquina, mesmo após a medicação ter sido banida dos protocolos médicos do mundo inteiro, sob a alegação de que é ineficaz para o tratamento da doença.

Segundo o R7, ele também elogiou uma suposta publicação do Conselho Federal de Medicina (CFM), na qual o órgão teria declarado que médicos têm independência na prescrição de medicamentos. “Quem decide o tratamento precoce é o médico. Ele pode, na ponta da linha, em comum acordo com o paciente, decidir o que vai receitar”, disse.

Jair Bolsonaro também argumentou que o número de mortes no Brasil caiu durante a primeira onda da pandemia graças “à preocupação e ao profissionalismo do médico brasileiro” e que a situação seria pior “se não fosse o tratamento off label, fora bula, feito lá atrás”.

DESISTÊNCIAS –Houve quem discordasse da hipótese de as empresas privadas vacinarem funcionários antes de o SUS completar a imunização dos idosos, mas essa visão foi vencida. E, muito embora empresas de grande porte tenham desistido de participar do acordo de compra, outras companhias se juntaram ao grupo, nesta segunda (25), e insistem na negociação com o governo.

Após a Folha de S.Paulo publicar o interesse de empresas privadas na aquisição das vacinas, grandes companhias se manifestaram, afirmando que apenas foram convidadas a participar do grupo, mas que declinaram da proposta. Entre elas estão a Ambev, o Itaú, a JBS, o Santander, a Vivo e a Vale.

 Conforme a reportagem, a Ambev disse que foi contatada por telefone, mas que não quis participar das conversas. O Itaú desistiu depois de avaliar que a repercussão do caso foi negativa para a imagem da empresa. Outras, como é o caso da Vale, não concordaram com os termos do acordo, que defendia que as companhias doassem 100% das doses ao governo.

Articuladores da negociação, no entanto, garantem que, apesar da saída desses gigantes corporativos, várias outras empresas desejavam aderir à iniciativa. Realizado por videoconferência, o evento contou com 72 participantes. Durante a reunião, Fábio Spina, diretor jurídico da Gerdau, que é considerado o coordenador da negociação, pediu que cada empresa que se manifeste até hoje.



Política LEIA TAMBÉM

Charge da Semana

CHARGE DO BOREGA

As mais lidas hoje