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Saúde

Prefeito que não integra grupo prioritário é vacinado contra Covid-19, na Bahia; vários gestores e servidores públicos já foram denunciados

23 de janeiro de 2021 | 13h 08
Prefeito que não integra grupo prioritário é vacinado contra Covid-19, na Bahia; vários gestores e servidores públicos já foram denunciados
Foto: Reprodução/Redes Sociais

Desde que a vacinação contra a Covid-19 começou no Brasil, no início desta semana, inúmeros casos de políticos e servidores públicos que tomaram o imunizante sem ter direito, já que não fazem parte dos grupos prioritários da primeira fase, não param de ser denunciados. Na última terça-feira (19), a Bahia foi palco de mais um caso.

De acordo com o G1, o prefeito Sidonio Nilo (PSB), da cidade de Antas, no nordeste do estado, foi fotografado recebendo a primeira dose da CorornaVac, um dia após a vacinação começar no estado. Moradores reclamam que ele não faz parte do grupo prioritário e que, portanto, não estaria apto a receber o imunizante.

Aos 72 anos, o gestor, de fato, não se enquadra no grupo de maior risco. A recomendação é que a vacina seja aplicada em idosos a partir de 75 anos, que residam em casas de acolhimento. No entanto, a prefeitura alega que Sidonio Nilo foi imunizado por também ser profissional da área de saúde.

A Vigilância Epidemiológica do município emitiu uma nota afirmando que o prefeito atua como médico plantonista do Hospital São Marcelo, nos finais de semana. Segundo o documento, ele recebeu a vacina por conta disso, e não por causa do cargo eletivo que ocupa. A nota também enfatiza que o gestor foi a segunda pessoa imunizada na cidade e assevera o empenho da administração municipal no combate ao novo coronavírus.

Conforme o G1, Sidonio Nilo foi reeleito em 2020, com 70,3% dos votos válidos, e vai comandar a cidade até 2024. Este é o quarto mandato do médico à frente da gestão do município de Antas.

OUTROS CASOS – O chefe de gabinete da prefeitura de Prado, cidade situada no sul da Bahia, também foi vacinado contra a Covid-19, na última terça-feira. Nailton Batista de Oliva tem 57 anos e não faz parte do grupo prioritário, de acordo com os moradores que fizeram a denúncia. Ele foi fotografado recebendo a primeira dose da vacina, aplicada por uma enfermeira do município. As imagens foram registradas no Instagram oficial da prefeitura, mas apagadas posteriormente.

Conforme o G1, o servidor público não atua na área de saúde, mas, em nota, a prefeitura de Prado informou ele faz parte do quadro do município há 10 anos e que, antes de ser nomeado chefe de gabinete, era motorista de ambulância lotado na Secretaria Municipal de Saúde (SMS). Segundo a administração municipal, Nailton Batista atuava na linha de frente de combate à Covid-19, mesmo sendo portador de problemas cardíacos.

Em relação à enfermeira que aplicou o imunizante, a prefeitura alegou que não houve má-fé na ação. Informou que, como a profissional já conhecia Nailton desde a época que atuaram juntos na SMS, ela resolveu administrar a dose da vacina no servidor.

IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA – Na cidade de Candiba, sudoeste do estado, o prefeito Reginaldo Martins Prado (PSD) também “furou a fila”, na última terça-feira, e foi o primeiro a tomar a vacina contra a Covid-19. Com 60 anos e sem residir em instituição para idosos, ele deveria ser imunizado somente na segunda fase. Segundo o G1, a imagem foi registrada e divulgada, via Instagram, na conta oficial da prefeitura. A conduta do chefe do Executivo local está sendo investigada.

Conforme o Uol, na última quinta-feira (20), em atuação conjunta, o Ministério Público Federal (MPF) e o Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA) ajuizaram, na Justiça Federal, duas ações contra Reginaldo Prado, por burlar os protocolos nacional e estadual. O processo aponta que o gestor se valeu do cargo público para se colocar à frente dos cerca de 14 mil moradores do município. Candiba recebeu apenas 100 doses da Coronavac, quantidade suficiente para imunizar somente 50 pessoas, considerando que a vacina deve ser administrada em duas doses.

Os órgãos pedem a condenação do prefeito por ato de improbidade administrativa que atenta contra dois dos cinco princípios da Administração Pública: a impessoalidade e a moralidade. As duas esferas do Ministério Público também querem que o gestor seja condenado a pagar uma multa no valor de R$ 145 mil e que fique impedido de tomar a segunda dose do imunizante.

Conforme o portal de notícias Correio, por meio de nota, a prefeitura de Candiba afirmou que o gestor é hipertenso e diabético e que foi imunizado em um ato de demonstração de segurança, legitimidade e eficácia da vacina, como forma de incentivar a população. “A intenção foi apenas encorajar àqueles que ainda estão resistentes e questionam a efetividade da vacina”, diz o documento. 

FALSIFICAÇÃO DE DOCUMENTOS – Além dos casos citados acima, servidores da pasta da Saúde do município de Vitória da Conquista, localizado no sudoeste baiano foram denunciados por falsificarem documentos para conseguir tomar a vacina. De acordo com o G1, eles não faziam parte do grupo de pessoas aptas a receber o imunizante, nesta primeira fase.

A prefeitura identificou a rede hospitalar responsável e afirmou que adotaria os procedimentos necessários para responsabilizar a empresa e os profissionais que fraudaram a documentação para tomar as doses irregularmente, na terça-feira passada. O nome da instituição e quais sanções irão sofrer a rede hospitalar e os referidos profissionais não foram divulgados.

BRASIL – Com a ainda escassa quantidade de vacinas, “furar a fila” significa que alguém que precisa ser imunizado com urgência, por causa do maior risco de adoecer gravemente ou até mesmo morrer, deixará de tomar a dose a que tem direito. Mas como, no Brasil, consciência parece ser uma palavra meramente acessória, diversos outros casos estão vindo a público, país afora.

De acordo com o Uol, o prefeito de Itabi, cidade localizada no estado de Sergipe, tem 46 anos e recebeu uma das 31 doses destinadas à região, que tem uma população aproximada de 5 mil pessoas. Por ter a “furado a fila” da vacina, Júnior de Amynthas (DEM), que não faz parte do grupo de risco, recebeu uma enxurrada de críticas.

Para se justificar, o prefeito também alegou que o gesto foi uma tentativa de “incentivar a população para que tomasse a vacina”. Em suas redes sociais, o gestor argumentou que estados e municípios têm autonomia para adequar a vacinação contra o novo coronavírus, segundo a realidade das regiões.

NOMEADAS ÀS PRESSAS – Na cidade de Manaus, que vivenciou uma tragédia, no último dia 14, quando vários pacientes acometidos pela Covid-19 morreram asfixiados por falta de oxigênio hospitalar, duas irmãs recém-formadas em medicina foram nomeadas às pressas, em uma Unidade Básica de Saúde (UBS), para terem direito à imunização.

De acordo com o site Brasil247, Gabrielle Kirk Lins e Isabelle Kirk Lins pertencem à família de Nilton da Costa Lins Júnior, presidente da mantenedora da Universidade Nilton Lins, uma das maiores de Manaus. O site também informa que, dentro do terreno instituição, há uma UBS. E que, além da universidade, a família tem membros exercendo carreira política.

As gêmeas causaram polêmica, na última terça-feira (19), após postarem, no Instagram, fotos recebendo a vacina contra a Covid-19. Também circularam, em grupos de WhatsApp de profissionais da Saúde, imagens da vacinação das duas junto com as suas respectivas nomeações, publicadas no Diário Oficial de Manaus. Gabrielle foi investida no cargo de gerente de projetos da Secretaria Municipal de Saúde no dia 18 de janeiro, um dia antes do início da campanha de imunização. A irmã dela foi nomeada no dia 19 de janeiro.



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