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Saúde

Bolsonaro tenta isentar seu governo de culpa por colapso em Manaus; presidente alega que fez sua parte

15 de janeiro de 2021 | 18h 38
Bolsonaro tenta isentar seu governo de culpa por colapso em Manaus; presidente alega que fez sua parte
Foto: Mateus Bonomi/AGIF/Estadão Conteúdo

O presidente Jair Bolsonaro afirmou, nesta sexta-feira (15), que a situação do Amazonas está “terrível”, mas isentou o Governo Federal da responsabilidade pelo colapso que resultou na morte, por asfixia, de diversos pacientes infectados pelo novo coronavírus, ontem (14), em função da falta de cilindros de oxigênio nos hospitais de Manaus.

De acordo com o portal de notícias Uol, Bolsonaro disse que “fez sua parte” e destacou que as Forças Armadas estão mobilizadas para dar assistência ao sistema público de saúde amazonense, em crise, mais uma vez, por causa da explosão do número de casos, nas duas últimas semanas. “A gente está sempre fazendo o que tem que fazer, né? Problema em Manaus: terrível o problema lá, agora nós fizemos a nossa parte, com recursos, meios”, declarou o governante, enfatizando que o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, esteve no estado, na última segunda-feira (11), e “providenciou oxigênio”.

ESCUSAS – O Amazonas enfrenta, além da falta de oxigênio, outros problemas graves, como é o caso da insuficiência de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI). O presidente, no entanto, foi evasivo e se ateve à entrega de seis cilindros de oxigênio, na última quarta-feira (12), transportados, até Manaus, por um avião da Força Aérea Brasileira (FAB).

Apesar de o Ministério da Defesa ter emitido nota admitindo ter sido informado, pelo governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC), sobre o esgotamento do estoque do insumo hospitalar no estado, a quantidade de oxigênio enviada não foi suficiente para evitar o colapso registrado ontem.

No documento, o órgão também se comprometeu a mandar a Manaus, até o próximo domingo (17), mais 386 cilindros. No entanto, na madrugada de hoje, a FAB desembarcou a mesma quantidade enviada anteriormente: seis cilindros de oxigênio líquido, totalizando 9.300 kg de carga.

Em entrevista ao Jornal Hoje desta sexta-feira, o vice-presidente, Hamilton Mourão, disse que não tinha como prever o colapso e que as Forças Armadas estão com dificuldades operacionais, em função de supostos cortes de verba. Também argumentou que há aeronaves avariadas e que “o governo está fazendo o que pode”.

COMPETE AO GOVERNO FEDERAL – Uma ação civil pública foi ajuizada, na noite de ontem, na Justiça Federal de Manaus, por cinco órgãos públicos federais e estaduais. As entidades afirmam que compete, sim, ao Governo Federal a responsabilidade de dar uma solução à crise que interrompeu o fornecimento de oxigênio no Amazonas. O processo foi protocolado por representantes do Ministério Público Federal (MPF), Defensoria Pública da União (DPU), Ministério Público do Estado do Amazonas (MP-AM), Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DP-AM) e Ministério Público de Contas do Estado do Amazonas (MPC-AM).

De acordo com o Uol, mais cedo, Jair Bolsonaro publicou, em sua conta no Twitter, uma postagem reproduzindo dados do Portal da Transparência sobre recursos destinados a Manaus. O presidente, entretanto, não fez qualquer comentário. Limitou-se a postar um print de tela.

Segundo o site, internamente, a estratégia tem o mesmo intuito das declarações: desvincular o Governo Federal da repercussão negativa provocada pelo colapso sanitário na capital do Amazonas. A pretensão, diz o portal, também seria lembrar que, por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), a presidência teria ficado de “mãos atadas” no que concerne à implementação de medidas de combate à pandemia.

Isto porque, conforme costuma reiterar o presidente, a Suprema Corte delegou a governadores e prefeitos a palavra final sobre medidas de restrição parciais ou totais. No entendimento de Bolsonaro, diante da decisão do STF, a União se limitaria a repassar recursos financeiros.

TRATAMENTO PRECOCE – Jair Bolsonaro também voltou a insistir no uso de medicamentos sem eficácia cientificamente comprovada contra a Covid-19. Ele disse que Pazuello, na referida visita feita ao Amazonas, “começou o tratamento precoce, que alguns criticam ainda”.

Sem respaldo de qualquer pesquisa, o presidente acredita que o uso de remédios como a hidroxicloroquina é uma alternativa vital ao enfrentamento da pandemia de Covid-19, mesmo após o fármaco ter sido retirado dos protocolos de tratamento da doença, em todo o mundo.

Baseado, portanto, em suas próprias convicções, Bolsonado citou, como exemplo de “eficiência” do medicamento, o suposto fato de 200 vizinhos seus terem sido contaminados pelo novo coronavírus e não terem ido “para o hospital”, por tomarem o referido remédio. “E assim vocês veem exemplo no país todo. E não tem efeito colateral. Alguns ficam falando: 'Ah, a ciência'. Calma, rapaz, esses medicamentos, a hidroxicloroquina são 70 anos, não têm efeito colateral. Se não surtir efeito, não vai acontecer nada para ele”, alegou.

TRANSFERÊNCIAS – Ainda de acordo com o Uol, na manhã de hoje, a FAB realizou a primeira transferência de pacientes de Manaus. Nove doentes e cinco médicos embarcaram com destino a Teresina, no Piauí. Diversos outros estados e municípios brasileiros ofereceram ajuda ao Amazonas. O governo da Venezuela também se prontificou a disponibilizar oxigênio para ajudar a suprir a demanda do estado e minimizar o colapso.

Ontem, os cemitérios de Manaus registraram 186 sepultamentos, segundo o portal de notícias. Desse total, 134 foram realizados em cemitérios públicos. Os outros 52 enterros ocorreram em espaços privados. A Covid-19 foi declarada como causa da morte de 58 pessoas sepultadas nos cemitérios públicos; um caso foi considerado suspeito. Nos cemitérios particulares, 29 óbitos foram atestados como decorrentes de infecção pelo novo coronavírus.

VACINA – Jair Bolsonaro, diz o site, também voltou a falar que “se depender dele, a vacina não vai ser obrigatória”. Ele classificou a imunização compulsória como falta de responsabilidade. “Não estou fazendo campanha contra a vacina. É uma vacina experimental. Então, a obrigatoriedade fica sendo uma irresponsabilidade”, declarou seu ponto de vista.



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