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Segurança

Corpo de juíza assassinada pelo ex-marido é cremado no Rio

26 de dezembro de 2020 | 20h 13
Corpo de juíza assassinada pelo ex-marido é cremado no Rio
Foto: Reprodução/Facebook

O corpo da juíza Viviane Vieira do Amaral Arronenzi, de 45 anos, foi cremado, na manhã deste sábado (26), no Cemitério da Penitência, no Rio de Janeiro. O velório foi restrito. Participaram da cerimônia pessoas da família e alguns amigos. De acordo com a Polícia Civil, o assassino é o ex-marido da vítima, Paulo José Arronenzi, de 52 anos.

A juíza foi morta a facadas, no início da noite de quinta-feira (24), na frente das três filhas pequenas, segundo informou a Guarda Municipal do Rio. O crime aconteceu em frente ao Colégio Estadual Vicente Jannuzzi, na Barra da Tijuca, zona oeste da cidade.

De acordo com a Agência Brasil, o velório foi tomado por um clima de consternação e revolta. “Como o crime foi muito brutal, todo mundo ficou revoltado com a situação, ainda mais se tratando de quem era a vítima, uma pessoa doce, cordial e amada por todos. O clima é de muita tristeza e revolta”, disse Felipe Gonçalves, presidente da Associação dos Magistrados do Estado do Rio de Janeiro (Amaerj).

A avó materna das crianças (duas têm sete anos e uma tem nove) ficará com a guarda provisória das netas, por decisão do plantão judiciário de Niterói, município onde as meninas moravam com a mãe. “É uma guarda provisória, porque é uma medida antecipatória do que se pretende no final do processo, que é a avó ter a guarda definitiva das crianças. Então, se faz um pedido de liminar para que o juiz aprecie no início do processo esse pedido de guarda. É uma guarda provisória até o julgamento do processo e a guarda se tornar definitiva”, explicou Felipe Gonçalves, acrescentando que a guarda acabará sendo compartilhada com uma tia das meninas, que já morava com elas.

O magistrado disse ainda que a Amaerj seguirá prestando assistência jurídica e social aos parentes da juíza e que os advogados da instituição estão à disposição, para que a família possa continuar com as ações relativas à guarda. Também como assistência de acusação.

Ainda conforme a Agência Brasil, por agressões passadas do ex-marido, Viviane do Amaral Arronenzi chegou a ter, durante um período, escolta da segurança do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), mas suspendeu a medida protetiva. O presidente da Amaerj salientou que esse é um comportamento comum em vítimas que começam a confiar novamente no agressor, após ele “mostrar” que mudou seu comportamento. 

Gonçalves ressaltou que é exatamente nesse momento que os crimes de maior gravidade costumam ocorrer. Segundo o magistrado, esse é um quadro de evolução de uma violência menor para maior, depois de o agressor se mostrar arrependido. “As agressões começam com um xingamento, desmoralização da mulher, com violência psicológica junto com violência patrimonial e depois acaba culminando em violência física. Normalmente, o réu se mostra arrependido e parte para retomar a confiança da vítima. Quando ela se convence, pede ao juiz para retirar a medida protetiva”, detalhou.

Em função disso, ele argumentou que “há necessidade das vítimas com medidas protetivas irem até o final do processo, deixarem o estado sancionar o réu, impor ao réu um tratamento psicológico, uma pena que costuma ser branda, mas deixar o réu ciente que aquele comportamento é criminoso e pode acarretar em uma sanção criminal”.

PRISÃO – Paulo José Arronenzi foi preso em flagrante, por dois guardas municipais que estavam na base do 2º Sub Grupamento de Operações de Praia, situada nas proximidades do local do crime. Eles foram chamados, por populares que testemunharam as agressões, para ajudar a vítima, mas encontraram Viviane já caída no chão e desacordada.

Segundo a Agência Brasil, o ex-marido da juíza foi encaminhado ao Hospital Municipal Lourenço Jorge, no mesmo bairro, por ter um corte na mão. Após receber alta, foi levado, por policiais militares, para a Delegacia de Homicídios da Capital, localizada na Barra. O inquérito foi instaurado para investigar o assassinato. O autor do crime, além de preso, foi autuado em flagrante por feminicídio. 

A audiência de custódia foi realizada na tarde de ontem (25), pela juíza Monique Brandão. A magistrada converteu a prisão em flagrante em prisão preventiva, por isso o acusado deu entrada no sistema prisional na Cadeia Pública José Frederico Marques, em Benfica, zona norte do Rio. Depois foi transferido para o conjunto de presídios de Bangu, na zona oeste.

O presidente da Associação dos Magistrados do Estado do Rio de Janeiro disse que há indícios de que houve uma emboscada. As investigações apontam que Viviane tinha ido ao local levar as filhas. Elas passariam o Natal com o pai.



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