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André Pomponet

A “Estrela de Belém” no céu da Feira

André Pomponet - 21 de dezembro de 2020 | 22h 15
A “Estrela de Belém” no céu da Feira

O 21 de dezembro foi um dia movimentado em 2020. Logo cedo, começou oficialmente o verão, precisamente às 7h02. É comum o verão começar nesta data. Aliás, raramente o verão chega no dia 22. Mas a agitação não se esgotou por aí. Mais tarde, começou a aguardada Era de Aquário. Pelo que li, exatamente às 11h11. Entendo pouco destas questões astrológicas, nem horóscopo acompanho. Mas ouço falar da badalada Era de Aquário – com todas as suas prometidas mudanças energéticas – há décadas.

Mais tarde, no começo da noite, Júpiter e Saturno se alinharam no céu. À distância, parecia que quase se mesclavam, tamanha a aproximação. O maior – Júpiter – luzidio, irradiando sua luz esbranquiçada, metálica. Já Saturno, opaco, secundava-o. Parecia que iam se fundir, tamanha a sensação de proximidade no limpo céu feirense. Vi tudo isso a olho nu, sem a necessidade de recorrer a qualquer equipamento.

Pelo que li, o momento adequado de observar o fenômeno ocorreu entre 18 e 19 horas. Foi imensa a felicidade do feirense que aprecia o céu, a noite e os astros na amplidão. Afinal, logo depois, nuvens suaves povoaram o céu e encobriram até mesmo a lua. Mais tarde, crescente, ela reapareceu com sua luz leitosa, mas Júpiter e Saturno sumiram. Aqui ou ali insinuava-se uma ou outra estrela, cintilando timidamente.

Engraçado é que, nos últimos dias, vinha observando a impressionante aproximação entre os dois astros. Domingo (20) até fiquei espantado, estavam muito juntos. Vasculhando a memória, não lembrei de já tê-los visto assim. Pois é: descobri depois que o fenômeno é muito raro. Tanto alinhamento tinha sido visto pela última vez na Idade Média. Antes, foi até mesmo registrado na Bíblia como marco do nascimento de Jesus Cristo: a celebrada “Estrela de Belém”.

Na minha profunda ignorância astrológica, presumo que este alinhamento planetário é o que viabiliza, em parte, a famosa Era de Aquário, já mencionada. Poderia discorrer sobre o tema, mas fiquei com preguiça de investir em mais pesquisas na Internet. Efeito, talvez, do final do ano, das férias que se aproximam.

Nos últimos dias, dediquei muito tempo ao céu feirense à noite. Estava irretocável, sem nuvens. Dele, vinha um silêncio e uma paz profundos, indescritíveis. Há aí, quem sabe, a energia lúdica do verão. É que o céu noturno nesta estação é único. As pessoas também estão diferentes, mais animadas com a alta estação, com as férias, com a perspectiva do recomeço. Num ano de pandemia, então, nem se fala.

Noto que a Feira de Santana já se esvaziou. Mesmo neste ano atípico, muitos já viajaram. Outros tantos devem fazer o mesmo nos próximos dias. Em anos normais, o movimento só recomeça em fevereiro. É possível que o mesmo ocorra no 2021 que nasce sob a expectativa do começo da vacinação, mesmo com os delírios obscurantistas em voga.

Então, é bom desejar aos leitores, desde já, Boas Festas. E que, em 2021, retome-se a trilha da normalidade. Mas de uma normalidade sem ódio, com democracia, com ciência, alicerçada no conhecimento e na sabedoria. E também de paz. Não só dessa paz que se limita à ausência de violência, mas de uma paz profunda, intensa, interna, que emerge do ser e preenche todas as dimensões da vida...



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