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César Oliveira

Observações sobre a morte de João Alberto no Carrefour

César Oliveira - 22 de novembro de 2020 | 18h 18
Observações  sobre a  morte de João Alberto no Carrefour
Nada justifica que um cidadão seja demolido por socos, até a morte. Quem tem o monopólio, a superioridade, da força, tem o peso da responsabilidade no seu uso, mesmo que João Alberto tenha iniciado a agressão com um soco no policial, que haja desentendimentos anteriores, como está se apurando, ou que ele seja conforme consta de sua  extensa ficha policial um covarde  agressor de mulheres e tenha outros agravos em seu registro.  Os dados devem ser apurados, contextualizados, mas não podem ser relativizados.
 
Novo vídeo mostra que João abordou uma funcionária, antes de ser conduzido para fora da loja pelos seguranças. Ou seja, a folha corrida, a sequência dos fatos, não contribuem para caracterizar uma ação motivada por racismo, mas não o torna menos vítima do excesso de agressão.
 
Por outro lado, não creio que nenhuma empresa contrate segurança com esse objetivo, mas o Carrefour por co-responsabilidade precisa fazer reparação individual e coletiva, até porque é reincidente , embora isso não justifique o vandalismo contra suas lojas.
 
O acontecido faz parte dessa coleção de tragédias brasileiras de improvisação de mão de obra, limitação de treinamento, desqualificação para a função, e uma má gestão de riscos, da empresa, que chega a ser primária.
 
Também não cabe as autoridades negação de racismo no Brasil, mesmo que o nosso seja diferente do americano, em algumas questões, mas, também, não se pode conferir a toda a população a pecha de racista, ou transformar o fato em um instrumento de luta racial. 
 
Acho que as autoridades precisam de discursos mais inteligentes: solidariedade com a família, cobrança de punição judicial, medidas que ajudem a combater ações racistas de qualquer tipo, mas sem favorecer o discurso de polarização, de estímulo ao confronto da população, que em nada melhora o país, nem será o caminho para reduzir a brutal distância social em que vivemos.
 
É preciso lucidez, indignação, e responsabilidade, com algo tão delicado.


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