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  • Feira de Santana, quarta, 25 de novembro de 2020

André Pomponet

As vibrantes eleições de 1996 em Feira (1)

André Pamponet - 19 de novembro de 2020 | 14h 14
As vibrantes eleições de 1996 em Feira (1)
Todo mundo já sabe que a Feira de Santana voltará a ter eleições municipais em dois turnos depois de 24 anos. Todo já sabe, também, que o atual prefeito Colbert Martins Filho (MDB) e o deputado federal José Neto (PT), debutavam naquele longínquo 1996 como postulantes ao Executivo. Nenhum dos dois chegou ao segundo turno, disputado por José Falcão (PPB, o atual PP) e Josué Mello (PFL, o DEM).
 
O que nem todo mundo sabe ou lembra – boa parte do eleitorado nem tinha nascido à época – é que aquela disputa vibrante marcou a estreia das urnas eletrônicas no Brasil e também na Feira de Santana. Acompanhei tudo de perto, como repórter do extinto jornal Feira Hoje. Dedicamos muita atenção à tecnologia que se incorporava ao pleito.
 
Naquele ano, entrevistei parte dos nove candidatos ao longo da campanha eleitoral. Lembro de um episódio marcante: uma rápida conversa com o então candidato José Falcão da Silva – vitorioso no final pela diferença de cinco mil votos – ali na rua Geminiano Costa, do lado do Feira Tênis Clube, o FTC.
 
A entrevista ocorreu momentos antes do debate promovido pela APLB no Ginásio de Esportes. Uma multidão aguardava com ansiedade o embate e – muito popular entre os professores – José Falcão foi recebido como celebridade naquela ocasião. Muita gente queria abraçá-lo, apertar sua mão, passar um recado.
 
Tudo isso enquanto ele descia do carro e tentava entrar no clube. E eu ali, ansioso para antecipar algumas linhas da matéria, extrair alguma declaração preliminar. Simpático e gentil, José Falcão foi quase monossilábico. Apesar de toda aquela balbúrdia em volta – eram intensas as paixões políticas naqueles eventos – ele parecia muito concentrado. Poupava energia para o embate de dali a pouco.
 
Aquela quase letargia de Falcão momentos antes do debate converteu-se numa empolgante participação. Atento, astuto e com raciocínio rápido, Falcão venceu com brilho aquele embate, para delírio da multidão que lotava as arquibancadas do ginásio. Era um prenúncio do que viria das urnas alguns dias depois.
 
Como todo mundo sabe, José Falcão morreu pouco mais de sete meses depois de assumir a prefeitura pela terceira vez, em agosto de 1997. Era a segunda liderança que a Feira de Santana perdia num intervalo curto. Em novembro de 1994, Colbert Martins – o pai do atual prefeito – tinha falecido. Daqueles tempos fervilhantes da política feirense, só resta vivo o ex-prefeito, ex-governador e ex-senador João Durval Carneiro.
 
Aquela eleição rendeu muito conteúdo, muito folclore. Num próximo texto, pretendo relembrar a apuração dos votos no primeiro turno...


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