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Saúde

Após tragédia, Polícia Militar retoma terapia com cavalos

23 de junho de 2015 | 09h 32
Após tragédia, Polícia Militar retoma terapia com cavalos
Criança começa a conhecer o animal. Método sempre acelera o desenvolvimento

O Pelotão da Cavalaria da Polícia Militar retomou as atividades do Programa Equoterapia em setembro de 2014 e hoje tenta ampliar o atendimento buscando parcerias e voluntários. Um fato trágico levou a PM a suspender temporariamente as atividades do projeto quando, durante a greve dos policiais, em abril do ano passado, o soldado Thiago Maciel Silva, de 35 anos, foi morto após ser raptado por bandidos quando estava em atividade com um grupo de praticantes da equoterapia.

“Foi bem difícil pra gente, principalmente para os praticantes que ficaram sem a equoterapia. Mas o nosso comandante, o capitão Sardinha, decidiu retomar o projeto já que é tão bonito e beneficia tanta gente”, comenta Samile de Souza, de 33 anos, assistente social do programa e policial militar há 12 anos. O comandante do pelotão da cavalaria e idealizador do projeto é o capitão PM Carlos Sardinha que, além de veterinário, é equitador e especialista em equoterapia. Ele trouxe a ideia em 2012.

As atividades multidisciplinares são realizadas no período matutino e vespertino, acontecem todas as quartas-feiras e recebem praticantes a partir de dois anos. As crianças são maioria, mas há praticantes adultos, como Mariane Suzin, 33 anos. Ela teve paralisia cerebral ao nascer.

“Ela sempre fez fisioterapia, o que ajudou muito, mas desde que viemos para a equoterapia ela tem gostado bastante, tem ajudado muito mais e sinto diferenças até mesmo por causa do contato com os animais”, relata a mãe, Maria Lucia Suzin.

Os movimentos dos cavalos e as atividades realizadas estimulam o centro nervoso, o que auxilia em certas patologias dos pacientes com síndrome de Down, paralisia cerebral e autismo.  O contato com a natureza e com o animal, segundo especialistas, também proporcionam uma sociabilidade maior entre os praticantes, trazendo concentração, calma e aguçando a afetividade.

Hoje existem 49 praticantes cadastrados, 36 atuantes. Porém o projeto só dispõe de 26 vagas por semana. “Tem uma população flutuante muito grande, porque como são crianças especiais acabam sofrendo bastante interferência médica. São pacientes com vários diagnósticos, hidrocelafia, paralisia cerebral, autismo, síndrome de Down e outras síndromes raras”, comenta Samile.

Mirian Tosta é mãe de Caio Victor de Oliveira Tosta, de 10 anos, que tem microcefalia e desde que participa do projeto tem tido muito avanço em seu desenvolvimento. A pausa provocou uma perda deste desenvolvimento, mas ao retornar ao projeto ele está se readaptando. “Sempre é muito bom pra ele, ele se desenvolve muito em termos de postura e controle de tronco, tem uma relação muito boa com os animais”, avalia a mãe, que chama Caio de “bebê”.

Para fazer parte do projeto como praticante é necessário passar por uma triagem, uma avaliação com um psicólogo e um fisioterapeuta onde é identificado se há o perfil para realizar a atividade. Tendo o perfil, haverá a necessidade também de um relatório médico que libere a criança para este tipo de atividade. “Geralmente há uma recomendação médica, mas alguns pais procuram voluntariamente para proporcionar qualidade de vida aos filhos”, detalha a assistente social.  Para quem não tem transporte para chegar até o projeto, em São José, um ônibus da Polícia Militar busca os praticantes no transbordo central, no transbordo da Cidade Nova e leva até o local.

O trabalho é filantrópico e totalmente voluntário. A PM fornece todos os meios: a sede, numa fazenda com 73 tarefas, os cavalos Casagrande e Vitória, um médico veterinário e equitador, além de 9 profissionais que fizeram cursos específicos. Há também policiais militares formados em fisioterapia,  enfermagem, psicologia e educação física. Ainda assim, para atender a demanda, é necessário que haja mais profissionais voluntários, como  psicólogos e psicopedagogos.  Quem tiver interesse em trabalhar deve entrar em contato com a cavalaria da PM através do número 8812-2419.

Renata Rodrigues e Monique Elen, estudantes de psicologia, estão estagiando voluntariamente desde o ano passado. Chegaram acompanhando uma turma da APAE e não saíram mais. Passaram a ajudar, atendendo aos praticantes e segundo elas, realizando uma troca de experiência e aprendizado ímpares. “A gente cresceu muito com esse trabalho. Sabemos que a instituição precisa, mas é uma troca muito boa, as pessoas são muito acolhedoras e passam muito conhecimento. Quem quiser ser voluntário terá muito a ganhar com isso, com certeza”, comenta Renata.

Para Monique, a possibilidade de perceber o desenvolvimento dos praticantes é a melhor coisa. “Percebemos as diferenças nitidamente. Quando chegamos aqui tinha uma menina autista de 14 anos, que tinha um comportamento agressivo e agitado e aí com o passar do tempo, percebemos a melhora no comportamento dela. Além de ficar mais calma, passou a ter  mais concentração. No começo ela nem se quer conseguia montar  no cavalo. Com pouco tempo passou a montar. Isso é muito gratificante”, comemora. 



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