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César Oliveira

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César Oliveira - 10 de outubro de 2020 | 19h 07
150.000

Não foi apenas a tempestade de dores e perdas que percorreu o mundo e o Brasil com a Covid-19. Junto com o vírus de origem chinesa - eles agiram de forma irresponsável na comunicação com o mundo e com a caótica OMS- vieram as ondas de obscurantismo científico, negacionismo, relativização, e, até mesmo de ódio, desrespeito, e antagonismo militante. Em cada uma delas uma contribuição a mais para a devastação do ordenamento mental, do sofrimento de crianças obrigadas a viver em isolamento, de idosos com síndrome do confinamento, e de todo resto da população obrigada a manter graus diversos de distanciamento social que afetou a sustentação econômica e o lazer- esse cavalo de Tróia da modernidade- gerando, por vezes, cenas de uma indiferença coletiva que nos apequena e espanta.

Houve, ainda, diversas lideranças políticas mundiais que optaram pela absoluta falta de empatia- tudo que não se espera de um líder- criando dicotomias e mensagens divergentes que contribuíram para os resultados negativos, apesar das eficazes respostas de suporte econômico. Houve o pântano moral em que diversos dirigentes, empresários, profissionais de saúde, afundaram, praticando atos corruptos com dinheiro destinado a melhorar as condições de saúde da população. Gente do mais desprezível quilate, que merece todo peso da Justiça e toda repulsa da Sociedade.

A tragédia, no entanto, é maior do que os mortos dessa morte solitária, em desamparo, em que se morre antes, ao entrar no hospital, sem mais direito a abraço, a despedida, a vivencia do luto. Uma morte diferente de todas as outras mortes. Além dela, há os que ficaram com seqüelas e que manterão essas complicações que afetarão seu desempenho e expectativas de vida.

Por outro lado, a participação da maior parte da sociedade nos cuidados de prevenção fez de cada um, um herói, pois, com seu sacrifício, ganhou- se tempo para a montagem da infra-estrutura de suporte e, sobretudo, deu-se tempo às equipes médicas de aprenderem sobre a doença em uma rede de compartilhamento de informações jamais vista, e que já fez com que a mortalidade se tornasse 20% menor do que no começo da pandemia.

No Brasil, tivemos uma medíocre política de testes, o que não permitiu a utilização das medidas de contenção de forma adequada gerando isolamentos desnecessários, ou fora do momento. Ao lado disso, o compartilhamento de informações equivocadas por formadores de opinião de aluguel;  ou barbáries científicas, por absoluta ignorância metodológica da ciência, deram sua contribuição a balbúrdia geral.

No entanto, vivemos o sublime ato dos médicos, incansáveis no atendimento, com o sacrifício pessoal que já causou a morte de mais de 250 colegas, além de todo envolvimento dos demais profissionais de saúde e de apoio que se entregaram a essa batalha sem tréguas. Tenho presenciado isso nas duas UTIs só para Covid-19, em que prescrevo os pacientes renais.

Ao lado disso, a rede de solidariedade que foi das grandes empresas aos anônimos que mandam entregar uma refeição aos plantonistas de uma unidade de saúde, foi algo extraordinário e que redime nossa fé no humano.

Ao chegarmos aos 150 mil mortos, a tantas histórias antecipadas, a uma perda de memória insubstituível e inestimável, não podemos perdoar qualquer declaração que desvalorize essas vidas. Um humano, nunca pode desistir do outro, sem que esteja a desistir do humano que também é.

Precisamos tomar as medidas de acordo com o tempo atual, pois, não podemos comparar tempos diferentes. É preciso flexibilizar a economia, buscar a retomada do ensino, mas sem perder a noção da necessidade de mantermos medidas de segurança, e usarmos os testes para segurança, enquanto a vacina não se torna realidade.

Continue cuidado do outro para ser cuidado. Nós vamos vencer.

 

 



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