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  • Feira de Santana, terça, 22 de setembro de 2020

André Pomponet

Oposição lidera pesquisa pela primeira vez em 20 anos

André Pamponet - 11 de setembro de 2020 | 14h 26
Oposição lidera pesquisa pela primeira vez em 20 anos
Foto: Divulgação
Depois de muito tempo, ontem (10) o sol se pôs sem nuvens na Feira de Santana. Aquela aquarela que se acende quando o céu está limpo finalmente retornou, soberba. Nela, tons azuis, amarelos, vermelhos, esbranquiçados, se sucedem, antes que as lâmpadas elétricas faísquem, ferindo a escuridão iminente. À distância – além daquele vale que desemboca no rio Jacuípe, seguindo a BR 116 Sul – viam-se até os contornos pálidos de longíssimas montanhas, quase se confundido com o azul tímido do céu.
 
Enquanto o poente se esbraseava, pipas dançavam, silenciosamente, no céu da Queimadinha. As copas das palmeiras imperiais farfalhavam e refletiam – num momento fugaz – a luz do sol, emprestando alegria ao crepúsculo. Em volta, o voo incessante dos passarinhos. Destacando-se no poente só um gavião, majestoso, fazendo acrobacias enquanto a tarde morria.
 
São os primeiros sinais do verão? As luzes, as cores, a tepidez do poente, o azul puríssimo, tudo indica que sim. Em dez dias, acaba o inverno. Começam as estações festivas – primavera e verão – e, com elas, o feirense se identifica. As temperaturas mais baixas, as chuvas constantes, as manhãs e tardes plúmbeas, as noites e suas sanguíneas nuvens que despejam garoas prateadas, frias, costumam ser trégua curta no ensolarado cotidiano feirense. Em 2020, essa trégua durou muito.
 
Enquanto as orgias de cores e luzes enfeitam o céu, o feirense médio pisa afoito o chão da cidade, batalhando pelo pão, acossado pelas incertezas e turbulências da pandemia e da economia. Pelas ruas, começa a se envolver com o debate eleitoral, que vai ganhando dimensão. A pesquisa eleitoral divulgada ontem animou as conversas pelas esquinas, alimentou acalorados debates.
 
Pela primeira vez em 20 anos, José Ronaldo de Carvalho ou um candidato indicado por ele não lideram um levantamento: o deputado federal Zé Neto está à frente, com 29%, seguido do prefeito Colbert Martins Filho, logo atrás, com 22%. O problema, para o atual prefeito, é sua rejeição no momento: 59%, 20 pontos à frente de seu principal concorrente, Zé Neto.
 
No pelotão intermediário movimentam-se o ex-deputado Carlos Geilson (9%) e o vereador Roberto Tourinho (5%). O levantamento é da Potencial Pesquisa e foi publicada pelo jornal A Tarde. Outros nomes flutuam, mais atrás, com cerca de 2% das intenções de voto. Muita gente apostava numa eleição em dois turnos e este primeiro levantamento, até aqui, confirma a opinião de inúmeros palpiteiros.
 
Há 24 anos, em 1996, Colbert Filho e Zé Neto enfrentaram-se pela primeira vez numa disputa pela prefeitura da Feira de Santana. Naquela oportunidade, o atual prefeito quase chegou ao segundo turno, mas acabou suplantado pelo ex-prefeito José Falcão – que saiu vitorioso – e pelo ex-reitor da Uefs, Josué Mello.
 
Voltaram a se encontrar em 2004 e, agora, defrontam-se pela terceira vez. Mas finalmente como protagonistas, conforme indica a pesquisa. Vão se enfrentar num round final, no segundo turno? É cedo para prever. A campanha de fato nem começou. E há a variável pandemia, que pode interferir. Ganha quem mobilizar mais seu eleitorado para votar, pois muitos estão reticentes, temendo riscos.
 
O cenário político feirense, hoje, guarda algumas semelhanças com o crepúsculo de ontem: ficou mais claro, mais nítido, mas ainda é cedo para se afirmar que as nuvens se dissiparam de vez.


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