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  • Feira de Santana, sexta, 25 de setembro de 2020

André Pomponet

Inflação da cesta básica penaliza feirenses

André Pamponet - 08 de setembro de 2020 | 14h 16
Inflação da cesta básica penaliza feirenses
Enquanto Jair Bolsonaro, o “mito”, desfila Brasil afora em sua apoteótica campanha antecipada, o brasileiro médio – aquele que conhece o sufoco do dinheiro curto – pena para colocar comida na mesa. Aqui na Feira de Santana não é diferente.  Em agosto, o feirense desembolsou 38,65% do valor do salário mínimo (R$ 966,63, quando se desconta a contribuição previdenciária) para adquirir os 12 itens que compõem a cesta básica. Exatos R$ 373,61. Há um ano, em agosto, era menos: 34,03%.
 
O 2020 da pandemia da Covid-19 acumula alta de 14,96% nos preços dos itens da cesta básica aqui na Princesa do Sertão. O trivial do almoço do brasileiro registrou ascensão vertiginosa ao longo do ano: o arroz saltou 29,14%, o feijão pulou 20,64% e o preço da carne – cujo valor intimida o feirense defronte os açougues – subiu 17,53%. Até o prosaico tomate, tão comum nas saladas e no tempero do dia-dia, disparou: 21,94% de reajuste.
 
Todos estes números integram o levantamento realizado mensalmente pelo projeto “Conhecendo a Economia Feirense: Custo da Cesta Básica e Indicadores Socioeconômicos”, promovido por professores e estudantes do Departamento de Ciências Sociais Aplicadas (Dcis) da Universidade Estadual de Feira de Santana, a Uefs.
 
A elevação dos preços dos alimentos penaliza, sobretudo, os mais pobres. Afinal, boa parte da renda deles vai para a aquisição de comida. O custo da cesta básica, porém, pressiona também os indicadores inflacionários mais amplos e isso já vem interferindo nos humores até do “deus mercado”. E qual é a posição de Jair Bolsonaro, o “mito”, sobre tudo isso? Limitou-se a cobrar “patriotismo” dos donos de supermercados.
 
Quem ansiava pelas delícias do liberalismo deve estar alcançando altos orgasmos financistas. Afinal, no campo, áreas destinadas ao plantio do feijão e do arroz estão encolhendo para a disseminação da soja, cujos preços lá fora são bem mais atrativos. É a lei inexorável da economia aberta, dos racionais movimentos do “deus mercado”. Produz-se para quem paga mais, sem essa coisa jeca de “patriotismo”.
 
Como consolo, não faltarão sábios advertindo que quem vive com grana curta e assombrado pelas carências materiais não foi “competente” ou “esforçado” o suficiente para prosperar. É, em suma, um fracassado. Talvez, para disfarçar, o “mito” siga acenando com “patriotismo” para entreter a patuleia. Difícil, mesmo, vai ser ele apontar o dedo para os barões do agronegócio...
 
Seis meses depois do começo da pandemia, o País não dispõe de uma proposta de retomada da economia. Sob pressão do Congresso Nacional e de segmentos mais esclarecidos da sociedade, instituiu-se um auxílio emergencial de R$ 600. Só que, a partir de setembro, o valor cai para R$ 300 e só vigora até dezembro. Com a economia em cacos e sem projeto de médio prazo, a situação tende a ficar muito mais difícil.
 
Com muita gente sem renda – ou com renda declinante – e com preços em disparada, 2021 promete ser mais um ano de intensas turbulências. Nada muito diferente, porém, do que vem acontecendo por aqui há quase uma década...


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