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César Oliveira

100.000

César Oliveira - 09 de agosto de 2020 | 11h 01
100.000

100.000 mortos é um número chocante e significativo de qualquer modo que se analise essa pandemia. Não é detalhe de pouca importância e do qual esqueceremos para seguirmos adiante, como disse o Presidente Bolsonaro, ao demonstrar pela enésima vez sua incapacidade de ser solidário com as famílias, mostrar empatia, ou colocar minimamente sobre os ombros a responsabilidade de enfrentar a crise. Uma pandemia se enfrenta com comunicação que inspire e ciência que conduza. O governo, falhou nos dois.

 Ao avançarmos na crise compreendemos que a ausência de uma coordenação central, um Ministério da Saúde acéfalo, e a falta de uma política de testagem e isolamento dos casos,  cobrou seu preço no latifúndio de mortes que vivemos. Evidente que sai com mérito o SUS- Sistema Único de Saúde,  cuja capilaridade foi fundamental para oferecer assistência em todo país, embora tenha ficado claro que alguns estados e prefeituras- que optaram pelo desvios dos recursos como Manaus, Pará,  Rio, ou a escandalosa compra de respiradores que nunca chegaram, na Bahia- devem ter apontados no compartilhamento das culpas. Em Manaus, que não fez o dever de casa, tivemos o mais dramático momento da pandemia, com colapso da saúde e do sistema funerário. De tudo,fica o alerta sobre a importância de repensarmos nossa política de saúde pública, investimento no SUS, e fechamento de leitos.

Fica claro, também, que a falta de testes que permitisse conhecer os caminhos do vírus, e proteger a população mais exposta, especialmente funcionários da saúde- uma promessa nunca cumprida pelo MS- foi uma falha terrível, cobrada em vidas, medos e sequelas.

A população cumpriu, em sua maioria, com as recomendações, mas é difícil cumprir as recomendações em um país com 50 milhões sem esgotamento sanitário. A parcela, inclusive da elite, que deu péssimos exemplos sociais, são merecedoras de um desprezo que não pode ser universalizado.

Por outro lado, o governo teve uma ótima ação no enfrentamento econômico ao problema. Não tivemos saques, a cadeia de produção e abastecimento manteve-se funcionando e setores como agronegócio cresceram. A relativa estabilidade deveu-se em parte a um gigantesco movimento de solidariedade empresarial e pessoal, mas sobretudo a ação do Ministério da Economia com a distribuição em tempo recorde do coronavoucher que injetou muito dinheiro na economia, amparando mais de 50 milhões de pessoas.  Além disso, outras medidas produziram algum alívio as empresas, ainda que o impacto geral seja significativo. Ao fracasso no enfrentamento a pandemia na saúde, corresponde o sucesso na economia.

Nesse momento, em que estudos com 65 mil pessoas, na Itália, mostram contágio de apenas 2,5% dos italianos, fica claro que esperar a imunidade de rebanho recomendando que não haja nenhum isolamento é uma estupidez, um ato genocida, pois, acarretará uma multidão de mortos, insuportáveis. A utilização de dados imprecisos para defender teses insustentáveis, foi uma maldição desse surto de insanidades.

O distanciamento achatou sim, a curva, permitiu organizar o serviço de saúde, dar expertise às equipes, aprender as fases de evolução da doença, afastar o uso da entubação precoce, descobrir a importância da pronação, o uso de anticoagulantes e dexametasona, afastar uso da cloroquina nos pacientes moderados e graves,  criar alternativas de ventilação e nos aproximarmos da vacina. Ninguém fez tanto pela sobrevida das pessoas quanto o distanciamento social.

Enfim, ao chegamos a essa perda trágica, a essas mortes sem luto, a tantas histórias interrompidas, temos de olhar para nossos erros e acertos, que estão aí, sem deixar de responsabilizar autoridades, formadores de opinião, mas também sem deixar de reconhecer o extraordinário feito de recuperar tantas vidas realizado por aqueles que arriscando a vida, lutaram para salvar outras. .



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