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  • Feira de Santana, sexta, 29 de maio de 2020

André Pomponet

"Feriadão" tenta conter expansão do novo coronavírus

André Pomponet - 22 de maio de 2020 | 17h 58
Semana que vem será de feriados antecipados aqui na Feira de Santana. É para manter a população em casa, tentando frear a expansão do Covid-19 no município. A medida foi anunciada pelo governador Rui Costa (PT), à tarde. Só serão autorizadas atividades essenciais – supermercados, farmácias, postos de combustíveis – e o “feriadão” começa na segunda (25) e deve se estender até a próxima quarta-feira (27). Serão antecipadas datas festivas como o 24 de junho e o Dois de Julho. Nove municípios baianos adotarão a medida: justamente aqueles que já registram mais de 100 casos do novo coronavírus, o que inclui, obviamente, Salvador. A restrição busca reduzir a quantidade de gente circulando por aí. A medida, caso obtenha êxito, vai retardar um pouco a temida sobrecarga no sistema hospitalar. Hoje (22) foi significativo o movimento de veículos pelo centro da Feira de Santana. Vias como a Maria Quitéria, Getúlio Vargas e Senhor dos Passos – alguns dos principais eixos de circulação no município – não ficaram congestionadas como nos dias normais, é claro. Mas a retração ficou distante do desejável, com certeza. Circulando pela cidade é possível observar que muita gente não colabora: há quem ande sem máscara; outros, indisciplinados, penduram na testa ou no pescoço, como se fosse adereço; os mais discretos fingem que usam, mantendo o nariz de fora; puxar a máscara para falar, aos berros, com interlocutores distantes, também é muito comum. Ao contrário do que se alega, pelas estreitas calçadas feirenses poucos estão atentos àquela distância prudente de 1,5 metro. Com mais gente circulando, os riscos de contaminação se ampliam. É o que as estatísticas sobre o Covid-19 no município revelam: bastou flexibilizar, semanas atrás, para o número de casos crescer, até de forma abrupta. É necessário reconhecer, porém, que boa parte da população vem se comportado conforme determinam os protocolos. Saem pouco de casa, quando saem usam máscara, evitam aglomerações e utilizam álcool em gel para reduzir os riscos de infecção. E, sobretudo, suportam com silencioso estoicismo o calvário imposto pelo isolamento social. Tomara que haja uma adesão maciça aos feriados. Porque, caso contrário, a doença pode seguir se alastrando e a saída, com segurança, pode demorar ainda mais. Ou – o que é igualmente danoso – as idas e vindas, os avanços e recuos da pandemia podem estrangular a atividade econômica que tantos querem que seja retomada de imediato. Excêntricos que circulam por aí alegam que as medidas de segurança são coisa de conspiração comunista. Caso seu raciocínio estivesse correto – o que não é o caso – deveriam se alarmar: boa parte da população adere de maneira voluntária. São comunistas? Não. Apenas gente cuidadosa que deseja sobreviver ao Covid-19...


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