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  • Feira de Santana, domingo, 12 de julho de 2020

André Pomponet

Bolsa Família encolhe e Legislativo feirense silencia

André Pomponet - 11 de fevereiro de 2020 | 12h 46
Bolsa Família encolhe e Legislativo feirense silencia

Os acólitos do “mito” podem argumentar que ele não se comprometeu com assistência social, nem com a erradicação da pobreza na campanha presidencial. E estão certos: Jair Bolsonaro se limitou – num arroubo populista – a pagar uma parcela adicional do Bolsa Família em 2019. E se encerrou aí qualquer compromisso. No Brasil, a fila de um milhão de famílias à espera do benefício, desde o ano passado, não espanta os mais atentos. Afinal, a turma que está no Planalto nunca se comprometeu com pobre.

Em diversos textos anteriores mencionamos a queda contínua no número de beneficiários na Feira de Santana, desde o início de 2015, quando a crise econômica que se arrasta, infindável, estava apenas começando. Naquela época, 42,8 mil famílias eram atendidas pelo Bolsa Família. No ápice da iniciativa foram 51,5 mil, em abril de 2012.

No relatório mais recente do afamado Ministério da Cidadania, de novembro do ano passado, restavam 30,2 mil famílias beneficiárias. Mesmo na áspera era Michel Temer (MDB-SP) – quando a lipoaspiração se acentuou – havia, na média, mais gente contemplada. A exceção foi julho de 2017, quando só 29,6 mil famílias foram atendidas.

Há quem aponte no enxugamento o salutar combate às fraudes e aos pagamentos indevidos. São os vorazes consumidores do discurso oficial. Desvios, obviamente, sempre ocorrem. Só que não na escala dos cortes que vem sendo promovidos. 

Afinal, os próprios números oficiais desmentem o devaneio aqui na Feira de Santana: o programa alcança, apenas, 63% das famílias com perfil para o programa. Noutras palavras: 37% de famílias que poderiam ser contempladas pela iniciativa – o valor médio do benefício não vai além de R$ 128 – estão fora, sabe Deus vivendo como.

Tem sido cansativo repetir como há gente por aí se virando no biscate, no bico, como ambulante ou camelô, bancando comércio miúdo na porta de casa, às vezes enfrentando esses tempos atrozes até mesmo como pedinte.

Para muitos, esses desafortunados não existem: seus pregões são mudos e, mesmo aí pela cidade, andando para lá e para cá, permanecem invisíveis. Não se fala dessa gente nem no Legislativo feirense que, a propósito, vai passar pelo crivo das urnas mais uma vez, em outubro.

 Na Câmara Municipal, qualquer realização da prefeitura é capitalizada por ávidos representantes da comunidade, que reivindicam a demanda. Quando essas reivindicações não saem do papel, porém, a culpa é do prefeito, do governador, do presidente da República de plantão.

Vá lá que vereador não tem poder para resolver o problema, ampliar o número de beneficiários. Mas será que os intrépidos edis não podem, pelo menos, se manifestar sobre a questão?



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