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André Pomponet

Preço de alimentos sobe e penaliza os mais pobres

André Pomponet - 13 de dezembro de 2019 | 13h 21
Preço de alimentos sobe e penaliza os mais pobres

Os preços dos itens que compõem a cesta básica deram um salto no mês de novembro em Feira de Santana: 1,73% de aumento em relação a outubro. Adquirir os 12 produtos para uma família de quatro pessoas exigiu o desembolso de R$ 297,63. As informações são do Projeto Cesta Básica, desenvolvido pelo Departamento de Ciências Sociais Aplicadas (DCIS) da Universidade Estadual de Feira de Santana, a Uefs. Desde junho, quando o levantamento começou a ser feito, é a primeira vez que se registra oscilação positiva.

O preço da carne – que se tornou o grande tema nacional nos últimos dias – subiu 7,08% em novembro. Mas houve itens que subiram bem mais: o feijão registrou elevação de 11,21% e a prosaica farinha de mandioca, indispensável na dieta do nordestino noutros tempos, experimentou aumento ainda mais significativo: 14,86%.

O arroz, que completa os pratos mais tradicionais, também subiu, mas em percentual mais modesto: 1,8%. Seis itens registraram decréscimo, destacando-se a banana-prata (-5,70%), o tomate (-5,12%) e o leite pasteurizado (-2,36%). Quando se considera o intervalo dos últimos três meses, a maior queda é a do tomate, com mais de 34%.

Apesar do aumento em novembro, o preço da cesta básica está em declínio no último trimestre: -4,74%. Dois movimentos explicam o comportamento negativo dos preços: a oferta maior de produtos no período e o comportamento contido da demanda, refreada pelo pífio crescimento econômico, que atiça pouco os consumidores.

A alta dos preços do feijão e da farinha de mandioca explica-se pela queda na oferta desses produtos, de acordo com o que apurou o levantamento. Já o preço da carne mais elevado se deve à demanda da China, que intensificou a importação do produto brasileiro, pressionando o custo para o consumidor no mercado interno.

Ano que vem finda a política de elevação real do valor do salário-mínimo. Nem todo mundo sabe, mas a inflação de alimentos não necessariamente se alinha à média da inflação, que inclui mais produtos e serviços.

Caso os preços dos alimentos sigam subindo, os pobres tenderão a ser ainda mais penalizados. Aliás, já estão: no Brasil, em novembro, a inflação foi de 0,54% para os mais pobres e de 0,43% para os mais ricos.  Tudo por conta do peso dos alimentos.

Pobreza e exclusão social – temas que tem uma conexão fina com preços de alimentos –, porém, estão em baixa no debate público nos últimos anos. Não há, no repertório aí na praça, nenhuma preocupação com o destino dos desafortunados.



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