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Segurança

Após assassinato de estudante na BA, entidades ligadas à ONU fazem apelo pelo fim da violência contra mulheres

03 de dezembro de 2019 | 15h 07
Após assassinato de estudante na BA, entidades ligadas à ONU fazem apelo pelo fim da violência contra mulheres
Foto: Reprodução
O Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) e a ONU Mulheres emitiram nesta terça-feira (3) uma nota pedindo pelo fim da violência contra mulheres e repercutindo o assassinato de Elitânia de Souza da Hora, que foi atacada a tiros pelo ex-namorado na cidade de Cachoeira, no recôncavo da Bahia.
 
Na nota, as entidades ligadas à Organização das Nações Unidas (ONU) também prestam solidariedade aos familiares e amigos de Elitânia Souza.
 
"Este crime, assim como os muitos feminicídios anteriores, que tiraram a vida das mulheres, nos mostram o quão urgente é a necessidade de intensificar esforços e investimentos na prevenção da violência contra as mulheres", diz um trecho do comunicado.
 
"Por Elitânia de Souza da Hora, e pelas muitas mulheres e meninas como ela que correm o risco de sofrer violência com base em seu gênero, o UNFPA e a ONU Mulheres fazem um apelo público para que o caso seja apurado e solucionado, e nós fazemos um chamado a toda a sociedade brasileira, especialmente aquelas pessoas em espaços de tomada de decisão, para garantir que a justiça seja feita e que soluções sejam encontradas, de forma a virar a página da violência contra as mulheres e promover o bem-estar de todas as pessoas".
 
O crime ocorreu na noite de 27 de novembro. Elitânia já havia prestado queixa contra o ex-namorado por agressões, e tinha uma medida protetiva, que determinava o afastamento dele, porém o suspeito descumpriu a decisão.
 
A jovem voltava para casa após assistir aula na Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), onde cursava serviço social, quando foi surpreendida pelo ex-namorado. Ela chegou a ser socorrida e foi levada para um hospital, mas não resistiu. O corpo da jovem foi sepultado em Cachoeira no dia 29 de novembro.
 
Alexandre Passo Goes Silva, de 34 anos, foi preso no mesmo dia do enterro da vítima, após se apresentar na delegacia de Feira de Santana, cidade a 56,9 km de Cachoeira. Na ocasião, ele teve mandado de prisão preventiva cumprido. O suspeito se recusou a falar no depoimento e, em seguida, foi encaminhado para o sistema penitenciário.
 
Nesta terça-feira, dezenas de amigos e familiares de Elitânia se reuniram na Igreja Cosme e Damião, em Cachoeira, para a missa de sétimo dia da morte da jovem.
 
Veja nota na íntegra:
 
O Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) e a ONU Mulheres se solidarizam com amigos, amigas e familiares da jovem estudante Elitânia de Souza da Hora, assassinada na última quarta-feira, 27 de novembro, na cidade de Cachoeira na Bahia, e com todas as organizações, movimentos e pessoas que lutam pelo fim da violência contra as mulheres e em defesa dos direitos humanos.
 
Elitânia de Souza da Hora, 25 anos, era ativista dos direitos humanos e uma promissora liderança jovem da Comunidade Quilombola do Tabuleiro da Vitória, no município de Cachoeira, na Bahia.
 
Ela estudava Serviço Social na Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e seu trabalho de conclusão de curso, de forma emblemática, era sobre violência contra as mulheres. Elitânia foi violentamente assassinada a tiros, a despeito de uma medida protetiva, em um caso suspeito de feminicídio. Sua morte ocorreu apenas dois dias depois da abertura da mobilização anual dos 16 dias de ativismo pelo fim da violência contra as mulheres, organizada pelas Nações Unidas, parcerias governamentais e a sociedade civil.
 
A família, amigos, amigas, integrantes da comunidade quilombola, da comunidade universitária e todas as instituições e pessoas que contribuíram para o desenvolvimento da jovem líder estão de luto por sua morte. Essa perda irreparável demonstra o quanto ainda falta a ser feito para garantir que o investimento feito em nossa juventude não seja perdido.
 
Este crime, assim como os muitos feminicídios anteriores que tiraram a vida das mulheres, nos mostram o quão urgente é a necessidade de intensificar esforços e investimentos na prevenção da violência contra as mulheres. Em 2018, 1.206 mulheres foram vítimas de feminicídio, sendo 61% de mulheres negras e 52,3% dos assassinatos cometidos por arma de fogo.
 
Devem ser garantidos recursos para a proteção social, prevenção, acolhimento, justiça, reparação e campanhas públicas, conforme recomendações das Diretrizes Nacionais sobre Feminicídio. O quadro nacional de feminicídios e violência contra as mulheres demandam o fortalecimento de políticas de enfrentamento à violência contra as mulheres por meio de pleno funcionamento da rede especializada em todo o país.
 
Nenhuma pessoa jovem deveria ter sua vida abreviada por qualquer tipo de violência. Por Elitânia de Souza da Hora, e pelas muitas mulheres e meninas como ela que correm o risco de sofrer violência com base em seu gênero, o UNFPA e a ONU Mulheres fazem um apelo público para que o caso seja apurado e solucionado, e nós fazemos um chamado a toda a sociedade brasileira, especialmente aquelas pessoas em espaços de tomada de decisão, para garantir que a justiça seja feita e que soluções sejam encontradas, de forma a virar a página da violência contra as mulheres e promover o bem-estar de todas as pessoas.


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