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  • Feira de Santana, domingo, 08 de dezembro de 2019

Cultura

Compositor Antonio Miranda e escritor Victor Mascarenhas lançam livros juntos, nesta quarta-feira

Da Redação - 12 de novembro de 2019 | 12h 09
Compositor Antonio Miranda e escritor Victor Mascarenhas lançam livros juntos, nesta quarta-feira
Foto: Divulgação

Numa obra, realidades duras e “causos” memoráveis, todos narrados com humor. Em outra, uma história ambientada no cenário musical dos anos 1980, tendo como pano de fundo o rock, trilha sonora da redemocratização do país. Parceiros em projetos sempre criativos, os dois autores apresentam seus livros, na próxima quarta-feira (13), a partir das 18 horas, na Seriguela Petiscaria.

O primeiro é de autoria do publicitário e compositor Antonio Miranda, 72 anos, que lança seu livro de estreia: O que não me sai da lembrança – Muitas verdades e algumas mentiras em desordem cronológica. A orelha do livro é assinada pelo segundo escritor a apresentar nova obra, o roteirista Victor Mascarenhas. Ele é o autor de O som do tempo passando, seu quinto livro.

A obra de Antonio Miranda tem prefácio do maestro Almir Medeiros e contracapa do poeta e publicitário Carlos Sarno. Sem se preocupar com a cronologia dos fatos, o autor compartilha, com o leitor, episódios vividos por ele e que ambientam a própria história do Brasil.

Estão lá vivências com diversas personalidades, a exemplo de Caetano Veloso, Fernando Faro, Rogério Duprat, Adoniran Barbosa e Damiano Cozzella, além da participação em festivais de música e peças de teatro, “em um período muito difícil, pós-AI-5, quando a gente tinha que falar por linguagem cifrada”, destaca Miranda.

O autor explica que “é importante tornar público o que a gente viveu, inclusive a própria censura, no período em que estava sendo instalado, no Brasil, o sistema Paulo Freire de alfabetização”. Antonio Miranda diz que “a memória tem que ser registrada, para que mais pessoas tomem conhecimento” e ressalta que foi provocado, pelo maestro Almir Medeiros, a colocar no papel as histórias que sempre compartilhava.

Definido, pelo próprio autor, como um livro de “episódios vividos, com floreios e molduras verbais que enfatizam a verdade”, O que não me sai da lembrança reúne 51 histórias, que têm o bom humor como marca. “Até tratando de coisas sérias, procuro me divertir. Você não tem que eliminar o otimismo, nem puxar as coisas pra baixo, mas contar vivências e coisas duras de uma forma que você resista. Fica mais divertido, menos rancoroso. É preciso resistir, sempre”, conclama.

O livro reúne também “causos” ambientados em Feira de Santana, como as histórias de Lili Bolero, quando era apenas o soldado Simas, no Tiro de Guerra 17, relatos do teatro feirense, da política estudantil e de militantes. “Tem até a história do Jegue Elétrico, muitos causos que se passam em Feira”, conta Miranda.

Segundo o escritor e jornalista Luis Pimentel, o livro de Antonio Miranda “é muito saboroso de se ler”. “Recebi no meio de tarde e ‘garrei’ nele. Li inteirinho. É delicioso, leve, bem-humorado e muito bem escrito. Belo volume de crônicas de vivências e convivências. Algumas, como Virgem de novo e Achou é seu são antológicas”, frisa.

Para o maestro Almir Medeiros, Antonio Miranda “é daqueles sujeitos de boa conversa, bom de garfo (assim como eu), um grande compositor, um grande publicitário e, ainda de quebra, toca saxofone nas horas vagas. Sempre adorei ouvir suas histórias, falando de alguns personagens marcantes na sua vida, numa narrativa absolutamente cativante, como é próprio dos seus textos”, observa.

O SOM DO TEMPO – O pano de fundo do quinto livro de Victor Mascarenhas é o espírito de contestação e descoberta, típico da época em que os brasileiros recém conquistavam sua liberdade. Nesse cenário, quatro garotos formaram uma banda de rock, que acabou junto com suas adolescências, sem fazer sucesso, gravar discos ou fazer shows profissionais.

Os garotos cresceram, foram cuidar das suas vidas e se reencontram, décadas depois, num tempo em que a maioria dos jovens não ouve mais rock e que o Brasil mostra sua cara, cada dia mais assustadora. Essa é a história de O som do tempo passando.

O livro é o primeiro lançamento do Cafeína Produção de Conteúdo, selo do próprio autor, que resolveu assumir o comando de sua carreira e sair do esquema das editoras tradicionais. Mesmo morando em Salvador e com compromissos profissionais fora do estado, Victor fez questão de lançar seu novo trabalho em Feira de Santana, cidade onde nasceu. “Sempre dou um jeito de lançar meus livros em Feira. E faço isso com o maior prazer. Estou sempre por aqui, por causa da minha família e dos amigos que tenho na cidade”, enfatiza.

O som do tempo passando narra o encontro dos jovens guitarristas Ricardo e Henrique, o baixista Aílton e o baterista Miguel. E o reencontro – mais de trinta anos depois – do entediado e bem sucedido advogado Ricardo com o fracassado rockstar Henrique, o silencioso e talentoso músico Aílton e o simpático professor de história Miguel. O pretexto é um ensaio da velha banda. O repertório são as lembranças e diferenças entre o que eles sonhavam ser e o que se tornaram. E a trilha é o bom e velho rock’n’roll.

SOBRE O AUTOR – Victor Mascarenhas é escritor e roteirista. Sua carreira literária começou em 2008, quando venceu o Prêmio Braskem Cultura e Arte, da Fundação Casa de Jorge Amado, e lançou Cafeína, prefaciado pelo escritor Fausto Fawcett, que definiu a obra assim: “Os doze contos de 'Cafeína' são um passeio dantesco por vidinhas que andam em círculos de imobilidade mental, social, sentimental... Victor sabe muito bem derramar sal na ferida das vidas vazias”.

Intitulado Leão-marinho, um dos contos de Cafeína, foi adaptado para o cinema, pela Oi Kabum, em 2010, e exibido no Festival do Rio, em 2012. Nos últimos anos, Victor se divide entre a literatura e o audiovisual, tendo escrito o longa-metragem Tonho (em produção), em parceria com o cineasta francês Bernard Attal. E trabalha no desenvolvimento de uma série para TV, baseada em um dos seus contos, para a Turner Internacional.

 A Seriguela Petiscaria está situada na Rua Professor Fernando São Paulo, 499, Ponto Central.



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