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  • Feira de Santana, domingo, 17 de novembro de 2019

Cultura

Centro Cultural inaugurado pelo Sesc é um presente para Feira de Santana, dizem produtores e ativistas culturais

Karoliny Dias - 22 de outubro de 2019 | 16h 43
Centro Cultural inaugurado pelo Sesc é um presente para Feira de Santana, dizem produtores e ativistas culturais
Foto: Divulgação

Em julho de 2019, o Serviço Social do Comércio (Sesc) inaugurou um moderno e amplo complexo, composto por um Centro Cultural e um Restaurante. As atividades e serviços são voltados, preferencialmente, aos trabalhadores do Comércio de Bens, Serviços e Turismo e seus dependentes.

Localizado na Praça Carlos Bahia, nas proximidades da Igreja Matriz de Santana, o complexo cultural veio para valorizar ainda mais essa região da cidade, que é considerada eixo cultural e comercial. O investimento da instituição na construção foi de R$ 24,5 milhões. O equipamento tem mais de 5,5 mil metros quadrados de área construída. O terreno, que possui mais de 6,5 mil metros quadrados, foi doado pela Prefeitura Municipal de Feira de Santana (PMFS).

O teatro erguido pelo Sesc tem 296 lugares, sendo quatro espaços destinados a cadeirantes. E foi equipado com o que há de mais moderno em termos de sonorização, iluminação e audiovisual. Dispõe, ainda, de varas cênicas móveis, que facilitam a montagem e desmontagem dos espetáculos. Além disso, o espaço também dispõe de acessibilidade para artistas cadeirantes. Os camarins são adaptados e há elevador no palco.

Apesar de não ter uma estrutura especialmente projetada para concertos, o teatro também tem recebido esse tipo de espetáculo, sem prejuízos às apresentações. A assessoria de comunicação institucional do Sesc informou que,  em setembro, houve o lançamento da exposição Várias Vozes Visuais, que contou com a participação de diversos artistas feirenses.

Através do projeto Fazendo Arte no Sesc, a instituição deu início a 11 cursos ligados a área artística. Também vem realizando sessões gratuitas de cinema, por meio do projeto Cine Sesc, às terças-feiras e sextas-feiras. No Café Teatro, o Sesc oferece ao público diversos shows, por meio do projeto Sons da Bahia.

Além disso, o público feirense pode apreciar as apresentações de dois projetos culturais já consagrados em todo o país: o Palco Giratório, maior projeto de artes cênicas da América Latina; e o Sonora Brasil, que tem 20 anos de atuação e o objetivo de formar ouvintes musicais, através de programas identificados com o desenvolvimento histórico da música no Brasil.

ESPETÁCULOS GRATUITOS E PREÇOS POPULARES – A assessoria de comunicação do órgão diz que a programação vem sendo construída a partir dos projetos desenvolvidos pela própria unidade ou através de parceria e de espetáculos e eventos pautados. Também há projetos voltados para a Literatura, a exemplo do Arte da Palavra, circuito atuante em todas as regiões do país, que estimula a formação de leitores e a divulgação de novos autores, além de valorizar obras e escritores brasileiros e as novas formas de produção e fruição literárias. As realizações do projeto são compostas por circuitos de Autores, Oralidades e Criação Literária. A instituição também desenvolve atividades de contação de histórias e mesas literárias, que compõem a programação do Festival Literário e Cultural de Feira de Santana (Flifs).

A comunidade feirense, de modo geral, pode ter acesso às exposições de arte, shows, mostras de cinema e biblioteca gratuitamente. Alguns espetáculos promovidos pelo Sesc têm preços populares, podendo custar entre R$ 5,00 e R$ 10,00. Já os eventos pautados ficam a critério de suas respectivas produções. “A clientela preferencial, isto é, comerciários e dependentes que possuem cartão Sesc, tem 50% de desconto, no valor do ingresso, para qualquer espetáculo que aconteça na unidade. A mensalidade dos cursos do Fazendo Arte custam R$ 50,00, para o público geral, e 25,00, para clientes Sesc e seus dependentes”, informa o órgão.

CASARÃO HISTÓRICO – Parte importante da história e do patrimônio arquitetônico de Feira Santana, o casarão colonial localizado no terreno doado ao Sesc, ainda não começou a ser restaurado, condição que a Prefeitura Municipal estabeleceu para a concessão da área, em 2007.

Conforme Edson Borges, secretário Municipal de Cultura, Esporte e Lazer, no dia da inauguração do complexo cultural, a direção da instituição reafirmou o compromisso de restaurar o imóvel. “Segundo o Sesc, o projeto está pronto e a obra começará em breve. A direção argumentou que a intervenção ficou para depois porque era mais complexa, além de incluir a questão da restauração e tentativa de resgatar a originalidade do prédio”, ressalta.

Para o secretário, o novo equipamento é de suma importância para o desenvolvimento da cultura, em Feira. Ele louva o fato de o Sesc ter inaugurado o empreendimento já com uma vasta programação. “Vamos procurar a entidade para conversar, porque queremos ver a possibilidade de aproveitar o local para o projeto Natal Encantado, em função da proximidade com a Praça Padre Ovídio”, observa, lembrando que a parceria do município com o Sesc é antiga, já que realizam juntos oArraiá do Comércio.

Nossa equipe de reportagem também entrou em contato com o secretário Municipal de Planejamento, Carlos Brito. Ele disse que a inauguração do teatro foi um presente para a cidade e justificou a demora nas obras de restauração do antigo prédio. “Com a doação, o Sesc protegeu o casarão, para que ele não caísse, porque estava em ruínas, inclusive condenado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O investimento para restaurar um imóvel como aquele é muito alto e, diante da crise que se apresentava, a primeira opção foi fazer o equipamento novo, para, posteriormente, dar início à outra parte”, explicou.

Brito disse ainda que o Governo Municipal tem cobrado as obras de restauro, mas enfatizou que é preciso ter compreensão, uma vez que a instituição deu à cidade um espaço que custou R$ 30 milhões. “Se dependesse da Prefeitura, não poderíamos ter um local como aquele. No próximo ano, o Sesc deve começar a restauração, até porque precisa concretizar essa ação, já que o acordo está registrado em contrato. E há implicações legais. A Prefeitura pode acionar a instituição, na Justiça, mas estamos certos de que isso não será necessário”, ponderou.

De fato, o Sesc assegura que a restauração do casarão será mesmo realizada. A entidade informa que já executou o primeiro e mais importante passo para garantir a estabilidade da estrutura do imóvel. “Contratamos o serviço de escoramento e cobertura provisória da edificação, bem como realizamos a recomposição de algumas paredes, que se encontravam em colapso, evitando o seu desmoronamento. Também alteramos algumas áreas externas, que apresentavam muita umidade, condição não favorável à manutenção. Tivemos algumas dificuldades na execução do projeto, pelo arquiteto contratado, mas já estamos providenciando a assessoria técnica necessária à continuidade do empreendimento”, esclarece a assessoria, mas salientando que ainda não há uma data definida para o início das obras.

PRODUTORES CULTURAIS – Aloma Galeano, produtora cultural, destaca que o teatro construído pelo Sesc é um dos mais bem estruturados da cidade, sobretudo no que diz respeito à sonorização e à iluminação. “A capacidade só não é maior do que o Amélio Amorim, mas chega próximo. Ele vem para se juntar a outros espaços da cidade que demonstram um uso fluido, pela população e classe artística. Se procurarmos pauta, não encontraremos. Temos um porte suficiente para acomodar vários espaços culturais”, observa.

Para Aloma, o novo centro cultural supre a antiga carência de palcos, o que, conforme salienta, significa que se está realizando mais ações culturais e consumindo mais manifestações culturais de caráter local. “Encaro isso como um desenvolvimento para a cidade, tanto para os fazedores culturais, agentes envolvidos e toda a cadeia produtiva da cultura, quanto para parte da população, que está sendo formada e vem frequentando, cada vez mais, esses espaços”, afirma.

A ativista cultural Juliana Oliveira, idealizadora e produtora do projeto JAM na Cuca, também comemora a iniciativa de construção de um teatro desse porte, em Feira. “Quando soube da inauguração, fiquei muito feliz e empolgada, pela cidade, porque sei que os centros culturais do Sesc são muito ativos e ricos, em condições culturais, tanto para projetos de fora, quanto locais”, enfatiza.

Lorena Porto, cofundadora do Coletivo Culturasss, também destaca a importância do equipamento no fomento à cultura. “O Sesc chega com um outro grau de aproximação com a comunidade. A instituição procura ter um relacionamento estreito com a comunidade artística. E esse equipamento vai muito além de um centro cultural. Acho que é o único, na regional Bahia, que integra tanto o restaurante quanto o complexo cultural. É muito mais do que um teatro. É um espaço para ser ocupado, em esferas um pouco maiores”, ressalta.

Ela destaca, no entanto, que os processos administrativos do Sesc são bastante detalhados e têm prazos que precisam ser cumpridos. “E nem todos os gestores de cultura e produtores da região estão preparados para cumprir esses trâmites. Entendo que isso acaba fazendo com que a comunidade artística, para poder acessar e ocupar esse espaço, tenha uma maior preocupação em se qualificar”, observa.

Em função disso, Lorena Porto sugere que o Sesc que promova ações informativas, a fim de preparar a comunidade para esse acesso. “Tem que ser uma via de mão dupla. Vejo uma diversidade de oportunidades para a comunidade desfrutar”, avalia a produtora independente, que foi a primeira a ter um espetáculo apresentado no local, a obra Frida Kahlo, que, segundo ela, foi o maior público que o Sesc teve, até hoje.



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