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  • Feira de Santana, segunda, 14 de outubro de 2019

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Anitta: ousada nos palcos e conservadora com dinheiro

26 de setembro de 2019 | 14h 24
Anitta: ousada nos palcos e conservadora com dinheiro
Foto: Reprodução
Quem vê nos palcos a ousadia da cantora Anitta, que também se arrisca frequentemente em novos projetos e até na carreira internacional, poderia imaginar que ela também é hardcore nos investimentos. Mas — quem diria? — na hora de cuidar do próprio dinheiro ela se diz bastante conservadora.
 
Apesar de comandar pessoalmente tudo — tudo mesmo — no que diz respeito à sua carreira, a artista prefere delegar seus investimentos financeiros a uma pessoa de confiança. O motivo? A volatilidade e os riscos do mercado financeiro.
 
“Sou super conservadora. Essa pessoa sabe muito meu perfil, minha maneira de trabalhar e age conforme essa minha personalidade financeira”, disse a cantora numa entrevista exclusiva ao Valor Investe, antes da participação em um evento em São Paulo quarta-feira.
 
A decisão de Anitta de terceirizar a gestão de seus investimentos é similar à de muitos brasileiros comuns (em outra escala) que recorrem a fundos de investimento. “Quem entende de mercado financeiro sabe: não existe sorte. Existe você se atualizar das notícias e ir acompanhando. Eu não sou essa pessoa. Tenho outras coisas para acompanhar. Já cuido da parte criativa, artística e do marketing. É por isso que minha empresa tem vários departamentos”, diz. Uma vez por mês, porém, ela checa como andam suas aplicações.
 
Boa parte do dinheiro gerado pela “empresa Anitta” é reinvestido na própria carreira da cantora, que conta não ter recebido apoio para a produção de seu álbum “Kisses”, indicado recentemente ao Grammy Latino na categoria de melhor álbum urbano.
 
Na época de seu lançamento, o colunista do jornal "O Globo", Lauro Jardim, publicou que Anitta teria bancado um pouco mais de R$ 10 milhões do custo de R$ 15 milhões do projeto. A Warner, sua gravadora, teria arcado com o valor restante.
 
Além de suas grandes produções, Anitta também não pensa duas vezes em gastar com algo mais trivial: comida. “Eu sou muito comilona”, conta aos risos.
No dia a dia, a Anitta na “pessoa física” esbanja bem menos do que na “pessoa jurídica”.
 
“Sou super controlada. Na verdade, na minha vida pessoal eu sou completamente diferente da minha vida profissional. Não gasto nada, não tenho ambição de nada. Ficar em casa com a minha família já está ótimo”, garante.
 
Mas também há arrependimentos em sua fatura do cartão de crédito. Questionada sobre o gasto mais desnecessário da sua vida, a cantora lembra de uma bolsa. “A compra que eu fiz que mais me arrependi foi uma bolsa, porque era pequena e eu achei que fosse ser barata e daí eu não olhei [o preço]. Fui muito burra, porque foi muito caro e eu fiquei bem arrependida e falei: ‘não acredito que estou gastando esse dinheiro nessa bolsa’”, ri.
 
Consciente de que pegar algo sem checar o preço antes é privilégio para poucos, Anitta se considera rica. “A questão da riqueza é onde você coloca seus objetivos e eu atingi todos os meus objetivos [financeiros]. Então sim, eu me considero rica. Não como a grande maioria pensa, em uma riqueza exorbitante, porque eu não me importo com ela. O que eu considero rico é ter o conforto de conseguir trabalhar sem aperto”, diz.
 
Hoje, Anitta comanda uma empresa com várias frentes. Além da própria carreira musical, a artista presta consultoria a outros cantores e tem projetos como produtos licenciados, um desenho animado e até uma linha de brinquedos.
 
Toda esse trabalho envolve pelo menos 50 profissionais trabalhando diretamente com a cantora, sempre sob seu olhar atento a cada detalhe.
 
Essa necessidade de tomar as rédeas de tudo o que envolve sua vida veio cedo. Anitta conta que começou a empreender os 17 anos.
 
"Chega um momento em que você percebe que se não fizer, ninguém vai fazer por você. E eu resolvi ser a protagonista da minha vida", diz.
 
Tropeços no caminho são normais e a cantora-gestora também teve os seus. Anitta considera que seu maior erro foi confiar muito em algumas pessoas que não estavam tão comprometidas quanto ela. “As pessoas têm vários outros projetos e o (meu) projeto como artista era o meu único projeto. É complicado você deixar isso na mão de quem tem vários projetos. Então preferi eu mesma tomar conta, porque daí eu seria a minha própria prioridade”, diz.
 
Anitta tem seu irmão, Renan Machado, como braço-direito. Ele é o único da família que segue atuando na "empresa Anitta", que já teve pai, primo e tio em sua equipe, mas foram dispensados — como prestadores de serviços comuns — quando o negócio ficou grande demais.
 
Difícil demitir familiares? Para a gestora Anitta, não. Com uma conversa franca sobre as novas necessidades de sua empresa e a sinalização de que continuaria dando apoio no seguimento de suas carreiras, o fim dos contratos de trabalho foi tranquilo, garante.
 
Os atuais profissionais ao seu lado hoje são “moldados” pela cantora para se encaixarem não só no grupo, mas no "modo Anitta” de funcionar. “Gosto de trabalhar com gente que nunca trabalhou com isso antes. Porque o meu trabalho é muito diferente, muito único, então gosto de moldar os profissionais que trabalham comigo”, explica.
 
A “chefe Anitta” garante que não tem problemas em delegar funções, mas acompanha bem de perto para conferir se tudo está dando certo.
 
Ao ser questionada sobre ter “assumido as rédeas” da produção do clipe “Vai, Malandra”, a cantora afirmou, aos risos, que isso “lhe custou dinheiro”. Em tempo: em sua série exibida pela Netflix, Anitta aparece discutindo com sua equipe por não estar satisfeita com o andamento das gravações de um clipe e assume o controle.
 
“Quando eu exponho uma situação dessa, como a do clipe, na minha série, é importante para mostrar para a audiência porque a questão 'x' ou 'y' deu errado. Muita gente (da equipe) veio me dizer depois: ‘por que você falou que aquilo deu errado? É o meu trabalho!’. E eu digo ‘mas você não trabalha comigo? O trabalho vai ficar muito maior, porque as pessoas entenderam o contexto”, afirma.
 
Anitta conta que considera importante liderar o time, principalmente para fazer com que cada área compreenda sua importância para o trabalho final.
 
“É muito difícil fazer com que cada departamento enxergue que o seu precisa funcionar para que o outro também funcione. Se eu estiver bem em marcas, mas não em show, dificulta. Porque eu vou bem na parceria com as marcas se estiver indo bem em shows. Ter um trabalho em que cada departamento cuida do seu, faz com que meu trabalho na gestão disso tudo seja muito importante, para que todos entendam a importância de cada um no todo”, explica.
 
A cantora estudou administração antes de se consolidar no mundo artístico e usou tanto os conhecimentos quanto o dinheiro recebido na época, em um concorrido estágio na mineradora Vale, para investir na vida artística.
 
A carreira musical deslanchou, abriu espaço para que ela explorasse novos mercados e acabou por levar o reconhecimento de sua estratégia empreendedora a lugares antes impensáveis, como a aclamada universidade de Harvard, onde falou sobre sua trajetória em abril de 2018.
 
Sua participação na Brazil Conference at Harvard & MIT foi a chancela para que o mundo dos negócios passasse a tratar a "funkeira de Honório Gurgel" como uma mulher de negócios. Tanto que, entre shows, reuniões e até mesmo o diagnóstico de uma síndrome de burnout - distúrbio provocado pelo estresse devido a jornadas excessivas de trabalho -, a cantora esteve em São Paulo para mais uma vez apresentar sua versão gestora.
 
Na quarta-feira (25), Anitta esteve no Conecta Imobi, evento organizado pelo Grupo Zap, para falar para um público de seis mil profissionais do mercado imobiliário sobre suas experiências como empreendedora.
 
As experiências em diversos setores do seu negócio fizeram com que o público acompanhasse com atenção suas dicas e histórias. Seu maior recado, ao final, foi pedir que os profissionais presentes se dedicassem a ouvir as pessoas, seus clientes, e criar um vínculo verdadeiro - mesmo em tempo de redes sociais, onde ela reina.


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