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André Pomponet

Parabéns à gente da Feira de Santana

André Pomponet - 17 de setembro de 2019 | 12h 33
Parabéns à gente da Feira de Santana

Amanhã a Feira de Santana completa 186 anos de emancipação política. Os números sobre a realidade do município são robustos para o padrão do Nordeste. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE, estima a população local em 614,8 mil pessoas. No Censo 2010 era o 34º maior município, sobressaindo-se inclusive em relação a algumas capitais. Na Bahia, só a capital, Salvador, tem mais gente vivendo em seu território.

Infelizmente essa pujança não se verifica em relação a alguns indicadores econômicos bem elementares. É o caso, por exemplo, do salário médio do trabalhador formal feirense: em 2017, cravava dois mínimos. Não é desempenho dos mais animadores: no País, é apenas a 1.938ª posição. Na Bahia, está distante do pelotão fronteiriço: 69ª posição. E até nas cercanias – a microrregião – ocupa modesta terceira colocação.

Se o acesso à educação fosse melhor talvez o desempenho do mercado de trabalho se desenhasse menos sofrível. Mas não é: a taxa de escolarização, de 97,4% das crianças e adolescentes entre 6 e 14 anos de idade, coloca o município na longínqua 3079ª posição entre os 5.570 municípios brasileiros. Na Bahia o vexame também é grande: apenas a 199ª, quase na segunda metade da tabela. Na microrregião fica-se apenas na 16ª colocação entre 24 municípios.

O vexame é um pouco menor quando se considera a mortalidade infantil: 1993º lugar entre os mencionados 5.570 municípios. São 14,67 óbitos para cada grupo de mil crianças nascidas vivas. Na Bahia, fica-se apenas na 215ª posição. Na microrregião, por sua vez, ostentamos somente a nona posição.

Complexidade

Não se pretende, obviamente, reduzir a complexa realidade do município a três indicadores, por mais relevantes que sejam. Nem insinuar que a situação feirense seja, necessariamente, pior ao longo do tempo. Afinal, as últimas décadas registraram avanços sociais expressivos, inclusive na Feira de Santana, embora parte tenha se perdido com a tormentosa crise econômica que se arrasta até os dias atuais.

Mas quando o município celebra mais uma data natalícia – com as habituais e protocolares celebrações – é necessário lembrar que há todo um longo e árduo caminho até o futuro, para quem deseja uma sociedade mais próspera e inclusiva. O que, a propósito, saiu de moda desde a ascensão do obscurantismo que está aí, raivoso, na praça.

Daqui a um ano acontecem eleições para prefeito no Brasil e, claro, na Feira de Santana. Especula-se muito: há pelo menos meia-dúzia de pré-candidatos sob os holofotes. O que pensam sobre o futuro da Princesa do Sertão? É uma indagação boa de fazer. Sobretudo em função do deserto de ideias que assombra o País atualmente.

É claro que a Feira de Santana também tem do que se orgulhar. Principalmente de sua gente – fruto de uma vertiginosa mistura de origens – que torna o município ímpar no cenário brasileiro, efervescente caldeirão cultural. Só que é necessário tratar melhor essa gente, para que ela possa realizar com mais plenitude suas potencialidades.



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