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André Pomponet

A economia feirense sob a ótica do PIB

André Pomponet - 16 de setembro de 2019 | 12h 36
A economia feirense sob a ótica do PIB

As últimas décadas foram marcadas por uma mudança expressiva na composição do Produto Interno Bruto – PIB da Feira de Santana. Essa transformação se reflete sobre a paisagem e a forma de viver das pessoas. A cidade, que completa 186 anos de emancipação em 18 de setembro, viveu ciclos distintos, transitando da agropecuária para uma intensa atividade mercantil e, daí, para uma robusta industrialização. Hoje o município tenta se desvencilhar da crise econômica que atingiu o País e, ao mesmo tempo, passa por um novo ciclo de transformações.

Nos primórdios, a economia local se vinculava ao setor agrícola e, sobretudo, à pecuária. Essa vocação contribuiu para o município deslanchar noutra aptidão: o comércio, principalmente através das feiras-livres, que impulsionaram a economia local por mais de um século. Foi só na segunda metade da década de 1960 que grandes unidades industriais se implantaram por aqui, ampliando o conjunto de atividades econômicas.

O PIB feirense em 2016 totalizou R$ 13,107 bilhões, conforme levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE. A renda per capita – o total da riqueza gerada dividida pelo conjunto da população – cravou R$ 21.051,29. O valor corresponde a uma soma razoavelmente superior à média da Bahia, que naquele ano alcançou exatos R$ 16.931,10.

A distribuição da participação no PIB é desigual no conjunto dos setores da economia feirense: o setor de serviços – que, no cálculo, agrega a administração pública – cravou R$ 8,730 bilhões de valor adicionado. Corresponde a exatos 66,6% do PIB feirense ou, noutros termos, a dois terços da riqueza gerada.

A participação da Indústria vem se tornando mais modesta na economia local: totalizou R$ 2,232 bilhões em 2016. A Agropecuária, por sua vez, figura apenas marginalmente no cômputo do PIB: respondeu por modestos R$ 61,21 milhões naquele ano em que a longa estiagem seguiu sem conceder trégua.

Comércio e Serviços

É inegável a importância que o comércio e os serviços assumiram na economia feirense nas últimas décadas. Indiscutivelmente parte dessa importância se deve à localização estratégica do município – que polariza o mercadejar em dezenas de cidades do entorno – e à sua pujante atividade comercial. Mais recentemente, a afirmação feirense como pólo logístico tornou o setor terciário ainda mais relevante para a economia local.

O declínio da indústria, porém, não se deve apenas à emergência do comércio e dos serviços. Nas últimas décadas muitas unidades industriais deixaram o município, contribuindo para a redução do PIB do setor. Outras empresas enxugaram suas atividades, demitindo e reduzindo a produção. E há a feroz concorrência chinesa que afeta, com rigor, o segmento.

A agricultura também já viveu dias melhores. A população rural está diminuindo, a atividade agrícola encolheu e até mesmo a outrora pujante pecuária vem perdendo importância. Para complicar, sucedem-se rigorosas estiagens que cientistas enxergam como decorrentes do aquecimento global, mas que alguns excêntricos tentam minimizar.

Para a próxima década, o município tem o desafio de sustentar seu protagonismo na economia regional, atraindo empresas e mantendo aquelas que já funcionam por aqui. Como tarefa inadiável, há o desafio da qualificação em massa da mão-de-obra local. Desafio grande, potencializado pela feroz crise econômica que teima em não se dissipar...



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