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André Pomponet

Zoeira do "mito" repercutiu lá fora

André Pomponet - 01 de setembro de 2019 | 21h 30
Zoeira do

Todo dia o “mito” produz uma polêmica nova. É o seu método: sem preparo ou projeto, vai empurrando o governo aos trombaços e encontrões, torcendo para que a plateia não perceba. Metódico, não deixa de fornecer sua porção de ódio para as matilhas digitais que o reverenciam, ensandecidas. Também não descuida de favorecer a própria família, nem abdica da claque que o saúde aos gritos histéricos de “mito, mito”, nessas solenidades à qual só comparecem seus acólitos.

É o roteiro de um governante mesquinho e de um governo medíocre. Até aqui, a galhofa leviana de quem considera as atrocidades que ele vomita nos microfones como “zoeira” o tem ajudado. A própria imprensa brasileira atenua essas barbaridades, como se não tivessem consequências. Mas tem.

Os incêndios crescentes na Amazônia decorrem não apenas das ações hostis ao meio ambiente, mas também das declarações aberrantes. Isso funcionou como senha para o avanço do desmatamento. Os acólitos do “mito”, obviamente, recorrem a firulas para contornar a realidade, reconfigurá-la. Mas isso não funciona o tempo todo.

Lá fora, por exemplo, o cenário não é dos mais favoráveis. Protestos de chefes de Estado e manifestações defronte a embaixadas brasileiras mostram as dimensões alcançadas pelas imagens das queimadas. Poucas vezes o País foi tão achincalhado no exterior. O pior é que não dá para dizer que não se ofereceram razõesrobustas.

Obviamente, não defendo intervenção estrangeira em território brasileiro. Mas é patente que o País não tem política ambiental. Isso abre o flanco para as investidas e insinuações dos europeus. Justiça seja feita, não há políticas para outras áreas também, mas como só a população daqui sofre sem saúde e educação, isso importa pouco para essa gente lá de fora.

É duro constatar que a catástrofe protagonizada pelo “mito” está distante do final. Mesmo com o desgaste agudo de sua imagem e da avaliação negativa do seu descalabro gerencial e administrativo. Ação só se vê na destruição de direitos trabalhistas e sociais, que vão transformar isso aqui sabe Deus no quê.

Governando da arquibancada desde o começo, o “mito” só é célere na caça aos culpados. Indica-os com a mesma frequência com que se abstém de suas responsabilidades. Enquanto isso, o brasileiro médio – desempregado, com renda e declínio, sem perspectivas de futuro – aguarda soluções que não virão do novo regime, nem do “mito”.

Mais que refutar o petê nas eleições presidenciais do ano passado, o eleitor do “mito” fez uma opção pelo Tanatos, pela pulsão da morte. Certamente movido pelo ódio que acumulou com tanta concupiscência durante anos. Agora, o impasse está aí, à espera de um desfecho.



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