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Economia

Exportações e vendas no varejo apresentam queda e retração na Bahia

08 de agosto de 2019 | 08h 50
Exportações e vendas no varejo apresentam queda e retração na Bahia
Foto: Reprodução / Agência Brasil

As vendas no comércio varejista baiano retraem 3,1% em junho de 2019, quando comparado a igual mês de ano anterior. No varejo nacional, a queda no volume de negócios foi de 0,3%, em relação à mesma base de comparação. Na análise sazonal, a taxa do comércio varejista no estado baiano registrou taxa negativa de 3,5%. Esses dados foram apurados pela Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), realizada em âmbito nacional, e analisados pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), autarquia vinculada à Secretaria do Planejamento.

O resultado das vendas do varejo baiano em junho foi influenciado pelo efeito calendário em 2019, já que o mês de junho teve dois dias úteis a menos do que em 2018. Outro fator que explica o comportamento do comércio varejista é o baixo dinamismo da atividade econômica, associado à lenta recuperação do mercado de trabalho e o endividamento das famílias.

Por atividade, os dados do comércio varejista do estado da Bahia, quando comparados a junho de 2018, revelam que apenas dois dos oito segmentos que compõem o Indicador do Volume de Vendas registraram comportamento positivo. Listados pelo grau de magnitude das taxas em ordem decrescente, têm-se: Combustíveis e lubrificantes (9,0%); e Tecidos, vestuário e calçados (2,1%). Em todos os demais as variações foram negativas sendo listados na seguinte ordem: Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-1,1%), Outros artigos de uso pessoal e doméstico (-6,0%), Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (-6,4%); Móveis e eletrodomésticos (-11,7%); Equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação (-30,1%) e Livros, jornais, revistas e papelaria (-58,7%). No que diz respeito aos subgrupos, verifica-se que registraram variações negativas, Móveis (-10,3%); Eletrodomésticos (-12,7%); e Hipermercados e supermercado (-3,4%).

Em junho, a mais importante influência positiva veio do segmento Combustíveis e lubrificantes. Em contrapartida o comportamento dos segmentos de Móveis e eletrodomésticos e Outros artigos de uso pessoal e doméstico foram decisivos para determinar a retração do volume de vendas do setor nesse mês.

A contribuição de maior peso para o setor nesse mês veio de Combustíveis e lubrificantes. Esse comportamento se deve à redução nos preços dos combustíveis. Entretanto essa não é a única razão, esse resultado também foi influenciado pela baixa base de comparação, queda de -21,6% em junho de 2018, devido aos efeitos do desabastecimento provenientes da paralisação da greve dos caminhoneiros. Além do que nesse período em razão da tradicional comemoração do São João no Nordeste, há um intenso número de baianos que deixaram a capital para comemorem os festejos juninos no interior do Estado, aproveitando o longo feriado.

Quanto à influência negativa os principais efeitos vieram dos segmentos de Móveis e eletrodomésticos e Outros artigos de uso pessoal e doméstico. Os movimentos das vendas nesses ramos podem ser atribuídos a conjuntura econômica vivenciada pelo país. No caso do primeiro segmento, de acordo com Isabella Nunes, gerente da pesquisa de comércio do IBGE às famílias não estão querendo comprometer seu orçamento com prestações provenientes a aquisição de bens duráveis como móveis e eletrodomésticos. Quanto ao segundo ramo que englobando diversos segmentos como lojas de departamento, ótica, joalheria, artigos esportivos, brinquedos, etc., comercializam, principalmente, produtos de menor valor agregado, verifica-se que nem mesmo a comemoração do Dia dos Namorados nesse mês animou os consumidores, diante do endividamento das famílias e das perspectivas pessimistas para os próximos meses.

Em Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, segmento de maior representatividade para o Indicador de Volume de Vendas do Comércio Varejista o resultado das vendas também foi negativo. Esse movimento significa que as pessoas optaram por adquirir produtos no varejo atacadista, em mercadinho de bairros, bem como nesse período nos mercadinhos do interior que não são captados pela pesquisa.
                  
O comércio varejista ampliado, que inclui o varejo e mais as atividades de Veículos, motos, partes e peças e de Material de construção apresentou retração nas vendas de 4,8%, em relação à igual mês do ano anterior. No acumulado dos últimos 12 meses, a variação ficou estável em 0,6%.

O segmento de Veículos, motos, partes e peças retraíram suas vendas em 7,5% em relação à igual mês do ano anterior. A variação negativa no volume de vendas da atividade reflete a pessimismo do consumidor quanto à atividade econômica. Ainda que segundo Isabella Nunes o mercado de trabalho tenha mostrado aumento de população ocupada, pois essa dinâmica ocorreu para o emprego informal, que possui um rendimento mais baixo, além da falta de incentivos, crédito seletivo e da incerteza sobre o rumo da atividade econômica nos próximos meses. Nos últimos 12 meses, a queda no volume de negócios foi de 1,9%.

Em relação ao segmento Material de Construção, as vendas no mês de junho foram negativas em 10,1%, comparado ao mesmo mês do ano de 2018. No acumulado dos últimos 12 meses, as vendas caíram 4,5%. O comportamento das vendas nessa atividade também é influenciado pela lenta retomada de crescimento da atividade econômica que adia as reformas e construções residenciais.

Exportações
As exportações baianas registraram queda de 28,9% em julho (US$ 584,8 milhões), seu pior resultado para o mês desde 2016, reflexo da desaceleração da economia global e da retomada mais lenta que o esperado da economia doméstica, que repercutiu no resultado das importações do mês, que recuaram 33,3%, chegando a US$ 738,5 milhões.

No acumulado dos sete primeiros meses do ano, as vendas externas do estado estão 3,4% inferiores ao mesmo período de 2018, enquanto que a balança comercial, embora superavitária em US$ 221 milhões, está 50,8% inferior a igual período do ano passado. As informações foram analisadas pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), autarquia vinculada à Secretaria de Planejamento (Seplan).

Além de haver menor demanda externa por conta da desaceleração da economia mundial – o volume embarcado pelo estado (quantum) é 10% menor que no mesmo período do ano anterior, as exportações de produtos agrícolas estão menores em função de a safra baiana ter encolhido 14%. Só a soja, principal produto do agronegócio baiano teve uma redução de 58,7% nos embarques em julho e de 23,1% no ano. A China, principal comprador, reduziu suas compras do produto em 26%, por conta da grave crise sanitária que o país enfrenta. Como consequência, os preços caíram em média 9,7% no mercado internacional, comparados a jan/julho de 2018.

O mercado da soja, entretanto, permanece em turbulência, em função dos novos capítulos da guerra comercial entre os EUA e a China, com este último já anunciando agora a suspensão das importações de commodities agrícolas dos EUA, o que pode favorecer a soja brasileira.

O desempenho negativo das exportações no mês de julho foi verificado ainda nas vendas de produtos petroquímicos com queda de 27,8%, da celulose (-43%), dos minerais (-35,5%) e dos derivados de petróleo (-84,6%), este último, como consequência direta da menor demanda global por energia.

Na ponta das importações, as compras de bens de capital voltaram a subir depois de dois meses consecutivos de queda. Em julho elas cresceram 18,6%, turbinadas por compras de veículos de carga, células solares e motores de corrente alternada. Ainda assim, no acumulado dos sete primeiros meses do ano, as compras de bens de capital estão 7% inferiores a igual período do ano passado.

Em contrapartida, as importações de bens intermediários (insumos e matérias primas) que correspondem a 75% do total das compras externas do estado  despencaram 32,3% sobre julho do ano passado. No ano, ainda há crescimento de apenas 1,3%. Exceção na categoria, as compras de produtos utilizados como intermediários para a produção de fertilizantes, totalizaram US$ 191 milhões e crescimento de 43,3% até julho.

No acumulado do ano, as importações acusam crescimento tímido de 1,8%, chegando a US$ 4,18 bilhões. Apesar do índice positivo, as compras externas estão mais fracas do que o esperado, em razão do ainda baixo desempenho da atividade doméstica.

 

 

FONTE: Bnews - IBGE



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