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César Oliveira

Carta à deputada Dayane Pimentel, pela Lagoa Salgada

César Oliveira - 29 de julho de 2019 | 16h 57
Carta à deputada Dayane Pimentel, pela Lagoa Salgada

Nascer Santana dos Olhos D’água foi uma benesse do destino a Feira, mas a implacável destruição das nossas  lagoas, ao longo de décadas, tem sido uma amostra de como temos sido pouco gratos por essa generosa oferta da natureza. Uma das últimas marcadas para morrer é a Lagoa Salgada, a maior de todas.

O Meio Ambiente, em nossa cidade, sempre foi vítima do desprezo ou da silenciosa cumplicidade, o que resultou no estarrecedor desaparecimento de nossas nascentes. O poder municipal chegou à inédita situação – nunca antes vista, na história desse país – de aceitar parecer pago pelo interessado, para dizer que uma área de lagoa não era uma lagoa. Foi o que aconteceu na Lagoa Subaé, por ação de um supermercado, e na Avenida José Falcão.

A luta pela preservação salvou a Lagoa Grande – um excelente  feito, não resta dúvida –, mas o Estado nunca terminou o projeto, apesar dos vultosos investimentos. Não temos a arborização, a iluminação, a segurança definitiva e, principalmente, o esgotamento sanitário, o que mantém a lagoa limitada para uso e servindo de criatório ocasional de baronesas. Apesar disso, nunca poderemos negar sua beleza e o mérito de ela estar salva.

Preservar uma lagoa não é importante apenas pelo potencial aquífero, mas também porque esse tipo de manancial reduz a temperatura ambiente e, consequentemente, o consumo de energia, além de evitar a impermeabilização do solo urbano e de fornecer uma área de lazer que impacta diretamente nos índices de saúde, como mostram diversas publicações científicas.

Tenho lido, nos jornais, que a Senhora tem grande prestígio junto ao Governo Federal e ao Presidente e que até sonha ser prefeita de nossa cidade. É por isso que lhe dirijo essa carta pública. Não a conheço e sei que a Senhora também não me conhece. Escrevo, apenas, como cidadão feirense. Nada tenho a lhe pedir de pessoal. O que peço é pelo bem comum.

Confesso que não me importo de passar a “cuia de esmoler”, pelas coisas de Feira, a quem quer que seja. Portanto queria pedir que usasse sua influência para ajudar a preservar a Lagoa Salgada. O ex-secretário Municipal de Meio Ambiente, Sérgio Carneiro, deixou um projeto – que, atualmente, se encontra no Ministério da Integração Nacional – de criação de uma ciclovia e de uma pista de cooper ao redor dela. A intervenção impediria que a Lagoa Salgada continuasse a ser invadida, dilapidada por um processo voraz de geração de escrituras – fenômeno feirense muito comum –, que vem reduzindo, dia após dia, seu espelho livre.

Embora fartos de saber que se trata de uma Área de Proteção Ambiental (APA), na qual ninguém poderia construir, e que cabe ao Ministério Público e à Prefeitura Municipal zelar por ela e impedir a sua destruição, a realidade não é essa. Sabemos que o comércio é contínuo, que nascentes são enterradas de propósito, como já documentamos e publicamos, reiteradas vezes, no Jornal Tribuna Feirense.

O custo, no projeto, estava estimado em R$ 2,5 milhões. O valor, parafraseando o astronauta Armstrong, é um minúsculo passo para o Governo Federal, mas um salto gigantesco para a preservação da área, de seu entorno e do futuro.

Só a ciclovia pode salvar a Lagoa. E só a Lagoa salva pode salvar a alma e o olhar do feirense dessa perda irreparável. Perdoe-me o atrevimento e o pedido público. É o meio do qual disponho. Espero poder contar com seu empenho e compreensão.

 

Atenciosamente, César Oliveira.



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