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André Pomponet

A fábrica de versões dos acólitos do "mito"

André Pomponet - 18 de julho de 2019 | 21h 09
A fábrica de versões dos acólitos do

É comovente a dedicação dos acólitos do “mito” à sua imagem sacralizada. Quando a realidade parece sinalizar para a falência moral do nosso campeão da ética, eis que surge alguma interpretação criativa da realidade para restituir-lhe a aura. Tudo bem que boa parte da matilha digital é composta por robôs. Mas não falta quem se curve, crédulo, a qualquer interpretação e, daí, encarne uma desconcertante ferocidade para difundir a versão e desancar eventuais contestadores.

A mais recente envolveu a “boquinha” mais escandalosa da República – a indicação de um dos filhos do “mito”, pelo próprio, para a Embaixada brasileira em Washington – e induziu reações lastimáveis, constrangedoras até. As matilhas digitais, como sempre, não visaram alvejar os argumentos contrários, mas pulverizar os antagonistas. Por enquanto – felizmente –, só nas mídias sociais.

Foi assim que pacíficas donas-de-casa atestaram, enfáticas, as credenciais do rebento do “mito” para o posto; sisudos microempresários esmiuçaram a lógica das relações exteriores para também referendar a indicação; e muita gente, coitada, que vive garimpando um biscate por aí, acenou com o ingrediente indispensável para o posto: a “confiança” de quem indica.

O problema é que, mal a trupe se refazia do tranco, mais uma novidade veio à boca da cena: Dias Toffoli, ministro do Supremo Tribunal Federal, providenciou a suspensão da investigação contra outro filho do “mito”, o do laranjal. De quebra, todas as demais investigações relacionadas à lavagem de dinheiro, do mesmo gênero, foram suspensas até decisão definitiva do STF.

Quem reivindicava impeachment para Dias Toffoli há menos de um mês, dessa vez engoliu calado. Falta do que argumentar? Que nada! Nenhum acólito ousa esconjurar qualquer rebento do “mito”. Desta vez, ninguém leu as tradicionais vituperações contra o ministro – ex-advogado do petê – que sempre esteve entre os alvos prediletos. O silêncio cúmplice reverbera, ensurdecedor.

É essencial muita fé no “mito” para sustentar esse diapasão por muito tempo. Afinal, o que não faltam são furdunços, quase diários. Mas a fé alimenta. Para entusiasmar, há outros “mitos” no panteão do Planalto. Sérgio Moro – o ministro da memória curta – está aí para atestar. Pilhado num impressionante volume de mensagens comprometedoras, nega tudo, embora ressalte que não se lembra de nada. E todos acreditam, compungidos.

Sob a batuta de Paulo Guedes – aquele que foi chamado de “Tchutchuca” – a economia anda de lado, mas não falta criatividade para justificar. O mais trivial é culpar as gestões petistas pela inação no presente; o mais desconcertante é a proliferação de oráculos que profetizam, convictos, que a atividade econômica está em franca retomada. Na média, projetam o paraíso para o Brasil liberal que os privatistas extrairão da cartola.

Apesar de todas as tragédias, não deixa de ser divertido aguardar as versões dos robôs – conotativos e denotativos – sobre o antepenúltimo escândalo da República Bananeira...



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