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André Pomponet

Qual o destino do Centro de Abastecimento?

André Pomponet - 10 de julho de 2019 | 12h 33
Qual o destino do Centro de Abastecimento?

O que vai ser feito do Centro de Abastecimento da Feira de Santana? A incerteza angustia os frequentadores daquele espaço e, sobretudo, trabalhadores e comerciantes que retiram dali o próprio sustento.  Portentosa, a estrutura do festejado Shopping Popular vai camuflando o maltratado e antigo entreposto. Mas quem percorre as cercanias consegue enxergar as mazelas, que avultam: cercas arrebentadas, construções improvisadas, trânsito caótico, esgoto transbordando, buracos.

Entrando no Centro de Abastecimento as impressões iniciais se amplificam. As calçadas para pedestres estão destruídas há anos; poeira e lama se alternam, conforme o sol ou a chuva; caminhar pisando o calçamento grudento, entre carros e caminhões, é arriscado: muitos avançam velozmente e também é necessária atenção com quem manobra no estacionamento.

Como sempre, os galpões – sobretudo aqueles intermediários, entre o setor de hortifrutigranjeiros e os galpões de cereais e de carnes – são escuros e mal-iluminados. Bancas de madeira se amontoam, às vezes sem ordem aparente. Nos trechos mais desertos – há quem não perca mais tempo vendendo ali – a sensação de insegurança é muito grande.

Muitos malandros circulam pelo entreposto, tranquilos, à espera de oportunidades. Bebem, fazem barulho, discutem e até fumam maconha, despreocupados, às vezes ignorando os transeuntes. Nesses momentos, é possível notar a apreensão de quem trabalha por ali.

A sensação de insegurança é potencializada pelo abandono. Há volumes de terra acumulada pelas áreas de circulação. A lama é viscosa quando chove e a poeira dança no ar, cristalina, mesmo na escuridão dos galpões, nos dias de estio.

Bares e restaurantes amargam prejuízos consideráveis: é comum ver mesas e cadeiras vazias, num cenário desolador, mesmo no início do mês, quando muita gente ainda tem algum dinheiro no bolso.

O que se pretende fazer com o Centro de Abastecimento? Não há nenhum posicionamento claro. Primeiro removeram a feira-livre no centro da cidade em meados dos anos 1970. Agora estão acabando, pouco a pouco, com o entreposto.  A degradação, a insegurança, a fuga da clientela, o silêncio sobre o Centro de Abastecimento, tudo conspira para o fim daquele capítulo da História feirense.

Não se duvide que toda aquela área se converta num monumental entreposto para a comercialização de produtos importados da China. Há quem sustente que isso significa modernidade, sintonia com os novos tempos, progresso. Principalmente depois de 2009, quando a importação de produtos chineses se ampliou no Brasil.

O agricultor familiar, o feirante e o consumidor em busca de produtos saudáveis e mais baratos que se virem. É o que o descaso e o abandono insinuam. Será que, no futuro próximo, o feirense vai se tornar inteiramente refém do agronegócio e de sua estrutura de comercialização? Será que, varridos dos circuitos comerciais de maior visibilidade, agricultores e feirantes vão ficar ainda mais expostos à pobreza e à miséria?

São questões difíceis de responder hoje. Principalmente porque – reitere-se – não há clareza sobre o destino do Centro de Abastecimento. Quem atua naquele circuito precisa começar a se mobilizar. Senão, lá adiante, pode ser confinado numa longínqua central de abastecimento na periferia da cidade, que ninguém vai visitar...



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