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  • Feira de Santana, quinta, 20 de junho de 2019

César Oliveira

Meu louco herói de Tienanmen

César Oliveira - 04 de junho de 2019 | 19h 00
Meu louco herói de Tienanmen

Sempre que tento guardar uma imagem do Século, do humano, e do que a falta da liberdade representa, essa imagem me vem à cabeça. Há 30 anos, em 1989, um chinês solitário se coloca a frente da coluna de tanques que avançava para consumar o massacre contra os que protestavam, em Tiananmen, no que ficou conhecido como massacre da Praça da Paz Celestial( dizem que foram 10 mil mortos), ou Massacre de 4 de Junho. 


É um ballet desafiador, ousado, inacreditável, solitário, e, com certeza, uma dança de despedida. Os tanques tentam avançar, ele se mexe para o lado, os tanques desviam, ele se mexe de novo, e o tanques não avançam .Como um toureiro destemido a golpear os tanques imbatíveis com panos e um saco de mão improvisados, além de incertezas, e amor a liberdade.


Penso, às vezes, o que havia no coração, na alma, desse chinês para se postar a frente de tanques, especialmente em um país de ditadura implacável. A sua tentativa de impedir o massacre é uma alegoria de coragem e morte. Não conheço nenhuma imagem tão simbólica, densa, icônica, tão representativa do melhor do humano. Ele é meu herói anônimo, infinito. Tenho poucos: Churchill, Mandela, e ele. Uns dizem que foi preso, outros, que foi morto. A China mantém sua pesada cortina de silêncio sobre o caso, que marca, como nódoa, a história moderna do país.

Eu, covarde, apenas admiro, reverencio, e me emociono com você, herói, e louco anônimo de Tiananmen.



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