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André Pomponet

Sob o caos, Brasil não atrairá investimentos

André Pomponet - 21 de maio de 2019 | 18h 29
Sob o caos, Brasil não atrairá investimentos

Dizem os oráculos econômicos do novo regime que, quando as cabalísticas reformas forem aprovadas, os investimentos fluirão num fluxo incessante. O Brasil vai se tornar uma espécie de paraíso celestial no plano terreno mesmo. Se brincar, dos céus se desprenderá o maná. Sobretudo porque, à frente do País, há um cidadão ungido pelo próprio Todo-Poderoso. Pelo menos foi o que assegurou um pastor congolês no final de semana.

Essa fantasia talvez enleve os acólitos mais fanatizados do novo regime. Só que funciona pouco no convencimento dos financistas estrangeiros, os donos do capital que tanto se deseja atrair. No início do governo, por exemplo, eles não se entusiasmaram com o discurso do controverso Jair Bolsonaro (PSL-RJ), que empolgou os mais desavisados. As razões para a cautela estão se avolumando.

Domingo (26), simpatizantes pretendem fazer uma manifestação de apoio ao novo regime. A pauta rendeu uma balbúrdia dos diabos: uns defendem uma extensa agenda propositiva – reforma da Previdência, pacote anti-crime, etc – e outros, ensandecidos, pretendem fustigar deputados, ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e não faltou quem defenda até que o Congresso Nacional seja sitiado.

Isso é rotina de república de bananas – ou de laranjas, no caso do Brasil contemporâneo – e nenhum empresário sensato vai enfiar seu capital num ambiente conflagrado desses. Hostilizar parlamentares e juízes é só o primeiro passo. Adiante podem resolver caçar “comunistas” – para essa turma, o conceito é bem elástico e pode alcançar qualquer um – e, depois, desavisados impenitentes que não se dobrem em reverências ao regime.

Nenhum país com a rotina política do Brasil atual é atrativo a investimentos. Afinal, as perseguições podem começar pelos desafetos, abocanhar adversários e, lá adiante, até alcançar os donos do capital que não joguem o jogo do regime. A História é prenhe de exemplo do gênero, sobretudo na América Latina. E, caso a insanidade não seja repelida, pode se tornar o futuro do Brasil no médio prazo.

O discurso oficial acena com um futuro próspero – digno desses milagres que se veem nas televisões – desde que segmentos específicos da população sejam rechaçados, na eterna, rasteira e maniqueísta dicotomia entre o “bem” e o “mal”.

Os donos do dinheiro, evidentemente, não se fiam nisso. Mas muitos fanáticos, aqui dentro, apostam no caos como estratégia para chegar à “Terra Prometida” da família no poder. É bom – sobretudo quem está à frente das instituições – não menosprezar esses movimentos. Depois dos últimos desastres políticos, isso também está se tornando possível...



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