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André Pomponet

Governo segue acumulando declarações desastrosas

André Pomponet - 14 de abril de 2019 | 16h 21
Governo segue acumulando declarações desastrosas

- Bolsonaro calado é um poeta.

A frase trafega pelos comentários das mídias sociais com desenvoltura. Não é original, mas define com rara felicidade quem é o atual mandatário do Brasil, o controverso Jair Bolsonaro (PSL-RJ). Bastam umas poucas horas para irem se avolumando frases bizarras, algumas delas inacreditáveis. Caso, de fato, permanecesse calado, causaria menos danos ao próprio governo. Um hipotético compilador de matéria-prima para um novo “Febeapá” – o Festival de Besteiras que Assola o País, do brilhante jornalista Sérgio Porto – acumularia muito conteúdo nos últimos dias.

A trágica e inexplicável morte de um músico negro no Rio de Janeiro – foram 80 tiros disparados por integrantes do Exército no carro em que ele se deslocava com a família – virou “incidente”, nas palavras do mandatário do Vale do Ribeira. Com direito a arremate com uma pérola: “O Exército não matou ninguém”.

A valentia que sobra para afrontar certos segmentos faltou na lida com os caminhoneiros. Bastou ameaçarem uma greve para o governo fazer a Petrobrás recuar na decisão de majorar o diesel em 5,7%. Decepcionante para quem batia no peito e se dizia liberal, privatista, anti-intervencionista. A seu jeito, Bolsonaro eximiu-se de sua responsabilidade: “Falei que não entendia de economia”.

Horas antes, disparou contra os indígenas, que figuram entre suas vítimas preferenciais: “Haverá um encontrão de índio” e, segundo ele, o contribuinte é que arcará com os custos do evento. A frase infeliz – digna de frequentador de botequim – é inadmissível, sobretudo partindo de quem se elegeu presidente da República.

Muitos acreditam que essas frases lastimáveis são jogo de cena para desviar a atenção do descalabro administrativo inaugurado em janeiro. O pior é que podem estar enganados: os ocupantes do Planalto parecem tão incompetentes que, talvez, sejam incapazes até de arquitetar essas manobras. Mesmo que, eventualmente, orientados. Logo, o cenário talvez seja ainda mais desolador.

Sem dúvida, não falta quem ainda acredite que o governo vai se ajeitar, que os tropeções iniciais vão se espaçar doravante, que a festejada agenda liberal na economia e conservadora nos costumes vai avançar. Muitos integram as matilhas digitais, furibundas, que entornam ódio nas badaladas mídias sociais.

A disposição que sobra nos ambientes virtuais, porém, não se traduz em ânimo para as ações concretas em defesa do governo. É o que piora a situação do bolsonarismo, pois falta quem o defenda nas ruas. Os acólitos, pelo jeito, só têm coragem de se manifestar na comodidade dos ambientes virtuais.

Repete-se nesse espaço, há dias, que as barbaridades seguirão acontecendo. Para isso, basta o suceder dos dias. Só que o brasileiro – incluindo aquele que esperava mudança e que só não sabia que seria para pior – começa a se cansar. Estão aí as pesquisas de opinião para comprovar. Resta saber no que pode dar esse caldo que, aos poucos, começa a levar fervura...



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