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André Pomponet

Alguns indicadores da qualidade de vida na Feira

André Pomponet - 15 de março de 2019 | 18h 31
Alguns indicadores da qualidade de vida na Feira
Plantio de árvores em Feira

Vive-se tempos de debates apaixonados, mas, em muitos casos, sem o amparo de números que garantam consistência aos argumentos. As informações disponibilizadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE, em seu site, ajudam a entender a realidade de cada município brasileiro. Inclusive aquelas relacionadas à qualidade de vida, tema recorrente nos dias atuais. A quantas anda, por exemplo, essa qualidade de vida na Feira de Santana? A análise de alguns dados permite deduções interessantes.

Como todo mundo percebe circulando pela cidade, a arborização na Feira de Santana é uma lástima. O IBGE considera que 48,3% das vias atende esse requisito, ou seja, dispõe de algum arbusto para enfeitar a estatística. Na comparação, até aqui por perto, na microrregião, o município passa vergonha: é vigésimo num universo de 24 municípios; na Bahia, é o 321º entre 417; e, no Brasil, o vexame é muito maior: estamos num deplorável 4.188º lugar entre 5.570 municípios.

Muitas ruas – sobretudo na periferia – dispõem de, no máximo, uns poucos pitorescos fícus. Ao meio-dia, eles projetam uma sombra acanhada à sua volta. No entorno, o calor abrasador envolve tudo. Mesmo assim, esses arbustos modestos impedem que a avaliação da Feira de Santana seja ainda mais desfavorável. A cidade, até hoje, não dispõe sequer de um parque digno desse nome.

O desempenho é, relativamente, menos vergonhoso em relação à urbanização de vias públicas. O índice alcança aqui na cidade 17,1%. Alguns requisitos são necessários para atender essa exigência: presença de bueiro, calçada, pavimentação e meio-fio. Como se sabe, é difícil passar por alguma via que atenda a todas essas condições. Um dos maiores transtornos, inclusive, são as calçadas.

Mesmo assim, na microrregião, o município é o 2º entre 24. No estado, cai para um constrangedor 88º lugar naquele universo de 417 municípios; e, no Brasil, como sempre, fica bem mais trás: 2.099ª posição entre as 5.570 cidades. No conjunto, nem é tão vergonhoso assim, mas estamos distantes dos padrões das cidades de mesmo porte, muito mais estruturadas.

Houve significativos avanços em relação ao esgotamento sanitário desde a primeira metade da década passada. Só que os desafios ainda são imensos. Mas, enfim, é um item no qual o município se destaca na microrregião: somos os primeiros num universo de 24. Mesmo assim, na Bahia, fica para trás: apenas na 65ª posição num universo de 417, como convém lembrar. No Brasil, estacionamos na 1.824ª posição naquele rol de mais de cinco mil cidades.

Nos períodos chuvosos – essa semana mesmo caiu um temporal – o problema costuma despertar atenção, em função dos transtornos provocados. Mas, mesmo quando não chove, na periferia distante, os esgotos escorrendo a céu aberto permanecem como um constante espetáculo às avessas. Basta uma visita rápida para constatar.

Não é por falta de informação que não se fazem boas gestões na administração pública. Podem-se buscar explicações noutros fatores. As informações estão aí, à disposição, ao alcance de alguns cliques. Os dados indicados acima evidenciam aquilo que um clássico jargão técnico classifica como “oportunidade de melhoria”.



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