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André Pomponet

Faces do aquecimento global na Feira

André Pomponet - 08 de março de 2019 | 19h 40
Faces do aquecimento global na Feira

- Nunca tinha visto um temporal desses em minha vida – reagiu um morador do distrito da Matinha, depois da tempestade com rajadas de vento que caiu na localidade no mês de fevereiro. Foi imediato o sucesso das imagens da ventania nas mídias sociais.

Efetivamente, foi uma tempestade impressionante. Semelhante, inclusive, à que desabou sobre a Feira de Santana logo na sequência, um ou dois dias depois. Os efeitos foram dramáticos: alagamentos, lama inundando casas, móveis destruídos, construções danificadas. O que espantou, na ocasião, foi a escala dos estragos.

Há uns poucos dias uma tempestade de raios desabou sobre o centro da cidade e nas cercanias. Choveu forte, mas rápido e quem circulou pelas estreitas artérias comerciais se espantou com a quantidade de raios. Os mais cautelosos não dispensaram o abrigo até o fenômeno se dispersar.

As chuvas torrenciais e os raios são fenômenos pontuais. A constante é o calor indescritível que se arrasta desde meados do ano passado, com tréguas curtíssimas. Mesmo à noite – quando a temperatura, tradicionalmente, cai – o calor se mantém, quase intolerável. Circular entre o final da manhã e o início da tarde é um desafio imenso, mesmo para quem ostenta excelentes condições físicas.

Aquecimento global

- O calor nessa cidade não era assim...

É o que os mais velhos comentam. Alguns, mais criteriosos, vasculham a memória à cata de canículas intermináveis. Praticamente ninguém consegue mencionar intervalos muito longos de calor tão intenso. Há quem aponte a derrubada indiscriminada de árvores na cidade como uma das razões. É uma explicação cabível para as “ilhas de calor” mencionadas pelos meteorologistas, mas infelizmente o fenômeno não é apenas local.

Respeitadas universidades mundo afora estão preocupadas com o aquecimento global. A Europa, por exemplo, já sofre com verões escaldantes, menos comuns noutros tempos. Mas, no Brasil que regride a um desconcertante primitivismo, desdenha-se da questão. Chuvas torrenciais e temperaturas altíssimas são desdobramentos desse aquecimento, apontam cientistas.

Em 2019, por exemplo, a safra de soja no País vai ser 14% menor que o esperado. A razão? Variações climáticas imprevistas nos estados produtores. Chuva diluviana e muito calor. Só que, no governo de plantão, exalta-se a motosserra como símbolo do progresso, como alavanca da nossa prosperidade material.

Bernardino Bahia

Noutros tempos, o centro da Feira de Santana era muito mais agradável. A profusão de barracas, a implacável revogação do verde, o asfalto indiscriminado, o vidro e o concreto tornaram tudo mais quente. Hoje, um dos poucos locais amenos é a praça Bernardino Bahia, ali perto da Sales Barbosa, aonde se destacam duas árvores imensas.

Qual deve ser o diâmetro daqueles dois gigantescos, indescritíveis monumentos? Seria bom que fossem medidos. Seria bom, também, que aquelas plantas soberbas recebessem a atenção devida. É inestimável o serviço que prestam ao feirense esfogueado, ao tabaréu abafado, suarento, que procura pouso por alguns instantes. Sob a sombra, sempre sopra uma brisa fresca. Ouvem-se até pássaros.

Muita gente se aglomera ali, nos intervalos de sua labuta, sobretudo às segundas-feiras pela manhã. Há pregações religiosas quase perpétuas quebrando o silêncio fugaz. Que árvores serão aquelas? Tenho imensa curiosidade em saber. São imponentes, magníficas, relíquias vivas de uma Feira de Santana que já não existe mais...



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